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Mais
de 100 mil pelo direito de ser diferente |
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@Da
Redação
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O colorido tomou conta, ontem, da Avenida Beira-Mar. Reafirmando o tema da VI
Parada Pela Diversidade Homossexual - Direitos Iguais: Nem Mais, Nem Menos -,
famílias inteiras, casais heterossexuais, crianças e idosos ajudaram a demolir o
muro da homofobia. Ao som de dez trios elétricos, o público tornou mais tênue a
barreira que ainda separa o movimento GLBT do mundo
heterossexual. Segundo a estimativa da organização, cerca de 100 mil
pessoas participaram do evento, que é o terceiro em número de público perdendo
apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. A concentração da Parada aconteceu em
frente ao Náutico, na Beira Mar. O encerramento da festa foi realizado no aterro
da Praia de Iracema, com o show da cantora Rosana.
Durante o percurso da
Parada, o presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), Orlaneudo Lima,
aproveitou o palanque do trio elétrico para reivindicar os direitos do movimento
GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). “A criação de um centro
estadual de referência, que atenda a casos de discriminação pela orientação
sexual, é uma das pautas mais urgentes”, avalia o presidente do Grab. Ele frisa
que ainda não existe um canal de diálogo com o Estado para suprir as
necessidades do movimento. “Mas com o governo federal e com o municipal já
conseguimos uma boa abertura”, afirma.
Outro ponto a ser cobrado do poder
público, de acordo com Orlaneudo, é uma maior agilidade no projeto da Parceria
Civil, que prevê a união civil de homossexuais e tramita há dez anos no
Congresso Nacional. “Queremos agilidade na aprovação. Quanto às leis que
garantam nosso direitos, elas já existem, só falta serem postas em
prática”. Enquanto as garantias dos direitos dos homossexuais não saem do
papel, a violência continua a ser motivo de preocupação. “Segundo as
estatísticas do Grab, temos um homossexual morto por mês no Ceará. O nosso
Estado é o sexto mais violento no País no que se refere à homofobia”,
frisa.
MADRINHA - A madrinha escolhida para representar
a VI Parada Pela Diversidade Homossexual foi a apresentadora da TV Diário, Carla
Soraya. “Acredito que o fato de tentar ser imparcial e estimular os cidadãos a
brigar por seus direitos levou a sua escolha do meu nome”, diz. A
prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, esteve presente na Parada, junto com
deputado federal, João Alfredo, e do procurador-geral do Município, Deodato
Ramalho.
O
Colorido das Fantasias
- O brilho e a criatividade marcaram as fantasias da VI Parada pela Diversidade
Sexual do Ceará. Mas, além da beleza, elas tinham um significado todo especial
naquele ato público contra a homofobia.
Seja um casal homossexual vestido
de noivos ou um traje árabe confeccionado com a bandeira americana, a fantasia
contém sempre uma reivindicação pelo respeito à diversidade, pela paz e contra a
violência praticada por causa da orientação sexual. O travesti Érika Jhor
vestiu-se com roupas do exército e justificou a iniciativa, enquanto se
maquiava. “Menos violência e mais sensibilidade no mundo, seja GLBT ou
heterossexual”, defende. O artista plástico e ator, Sílvio Gurgel (foto),
frisa que quem confeccionou a fantasia foi sua mãe. “A única exigência é que
tenha todas as cores do arco-íris”, conta. “Desde a primeira parada, participo
com todo o colorido e brilho. Precisamos lutar para conseguir direitos iguais”,
destaca Sílvio Gurgel.
Jaskara Ferraz, travesti, explica porque foi à
parada de vestido longo e sem decotes. “Sou contra a exploração sexual. Todos
temos direito de estar no mercado de trabalho”, declara. O fisioterapeuta
Danilo Holanda, fantasiou-se de abelha. Ele veio de Quixadá para participar do
evento. “No Interior, a violência contra o homossexual é muito forte.
“Reivindicamos mais Justiça e amor ao próximo”.
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- APOIO — Muitos
heterossexuais vestiram a camisa da parada e hastearam a bandeira do movimento,
em apoio à luta pelo respeito à diversidade.
A servidora pública federal,
Célia Coelha, 42 anos, participa da parada pela terceira vez. “Sou contra o
preconceito e a favor de que todos tenham os mesmos direitos”. Para as
estudantes Yohanna Maia, 18, e Clarissa De Bruin, 18, toda a sociedade tem que
se envolver na luta contra o preconceito. “Cada um é livre para fazer suas
escolhas e merece respeito independente de qual seja sua orientação sexual”,
defende Yohanna. A dona-de-casa Maria de Alencar, 63 anos, é casada há 48
e conta que foi à parada para homenagear todos àqueles que estão assumindo sua
orientação sexual e conquistando seu espaço. “Apoio o movimento pela igualdade
de direitos”, diz.
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Fonte
de informações: Diário do Nordeste
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