Uma das cidades mais lindas do
litoral sul da Bahia, Ilhéus, distante cerca de 500km de Salvador, é uma cidade
tradicional e conservadora em alguns aspectos mas completamente liberal e
receptiva em outros. Terra de Jorge Amado e das peripécias de “Gabriela Cravo e
Canela”, terra do cacau e das histórias do “sem fim”, agora é também a terra da
alegria e do colorido. Prova disso foi a realização, domingo, dia 17 de
setembro de 2006, da sua Segunda Parada GLBT e da Diversidade, que teve como
palco a maravilhosa Avenida Soares Lopes,
- próxima ao Centro Histórico da
Cidade.
Ilhéus enfrentou nos últimos anos
um dos piores problemas que a agricultura brasileira jamais imaginou existir, a
Vassoura de Bruxa, que dizimou boa parte
dos cacauais da região. Logo depois, o porto de Ilhéus foi esvaziado quando o
transporte de combustível e de gás de cozinha passou a ser feito por oleodutos
direto de Mararipe para Jequié e para Itabuna. Mas a cidade não perdeu o
rebolado nem seu posto de destino turístico e de cidade aconchegante e que
respeita a diversidade.
O grupo Eros, que tem como presidente o Valtércio, está
realizando um excelente trabalho de conscientização, de prevenção às DST’s e
Aids, e de luta por respeito e igualdade dos homossexuais ilheenses. O trabalho
árduo é desempenhado durante todos os dias do ano, e não somente nos dias que
antecede a parada gay, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde, com o
Ministério da Saúde, Forum Baiano de Ong-AIDS – FOBONG, Coordenação Municipal
de DST - AIDS, Prefeitura Municipal, Casa de
Apoio Viva Luana e outros parceiros.
E o resultado de tanto esforço pôde ser constatado durante
a realização dessa festa colorida, em que os anfitriões receberam a grande massa
de mais de vinte mil pessoas que foram participar ou assistir à festa do
arco-íris.
Pessoas de todas as idades e origens sociais se aglomeravam na
avenida desde o meio dia, lotaram as duas pistas no início da manifestação às
14 horas e permaneceram nas imediações durante todo o tempo em que havia
atividades festivas na Soares Lopes. Via-se moradores dos belos edfícios
olhando das sacadas, pessoas idosas sentadas em cadeiras nas portas de casa e
gente linda e educada circulando por todo canto.
As palavras de ordem “Somos
Iguais. Somos Diferentes. Diga Não à Homofobia”, “Você Sabe Qual a Cara da
Aids? A Aids Não tem Cara” e “Toda Maneira de Amar Vale a Pena” eram vistas nos
trios, nos panfletos e cartazes espalhados pela cidade inteira.
Marcou presença a Faculdade de
Ciências e Tecnologia, através do Departamento Acadêmico de Letras, com a
barraca super sugestiva “Se Joga Pintosa, Põe Rosa”, participando do evento, a
Polícia Militar desempenhando um papel importantíssimo, Ambulâncias do Serviço
de Atendimento Municipal – SAMU, carros da Secretaria de Saúde do Município,
todos irmanados em um só objetivo: fazer da Parada Gay uma das festas mais
lindas e democráticas da cidade.
As palavras do presidente do
Grupo Eros, Valtércio, foram seguidas de fervorosos aplausos, quando disse que
“esta parada não é somente para os gays. Esta festa da diversidade é para gays,
lésbicas, bissexuais, transsexuais, transgêneros e heterossexuais; esta festa é
para todos”.
A festa contou com dois trios que
animaram a multidão, com os DJs Rodrigo e Artur, que levaram ao delírio o povo
que ali se encontrava com as músicas “quentes” e de batida forte. A parada teve
duas madrinhas esse ano: Janete Lainha (atriz e escritora de cordel) e Tânia
Virgínia. As performances das transformistas Amanda Abubaki e Mary Jeniffer
arracanram aplausos e gritos de “bis!” de todos os participantes.
A exemplo de outras cidades, que
homenageiam aqueles que apóiam os movimentos em defesa dos direitos humanos dos
homossexuais, o grupo Eros promoveu a edição do “Troféu Amigo da
Diversidade”, homenageando dentre outras personalidades da sociedade de
Ilhéus, ao Radialista Roberto Scarpita, aos cabeleireiros Walter e Marcos
(Marriete) e ao político Val Cabral, de Itabuna.
Ao discursar sobre os direitos
dos homossexuais, Valtércio falou do carinho de sua mãe, dona Joana, uma
senhora de quase oitenta anos, que sempre lhe apoiou e nunca lhe discriminou
por ser homossexual, mas que esse ano não pôde estar presente à festa. Nesse
momento o Valtércio se emociou e chorou muito em cima do trio, sendo aplaudido
calorosamente por todos os presentes, que entenderam que o gay tem que ser
acolhido primeiro dentro do seio da família, para se sentir gente e parte da
sociedade.
Marcaram presença o Grupo Gay de
Itabuna e o Grupo Gay de Itororó que engrossaram fileiras na luta contra a
homofobia.
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