Depois de tanto troca troca,
artistas confirmando e desconfirmando o Grupo Gay da Bahia acertou em
cheio na escolha da Rainha da Parada Gay de Salvador, desta vez definitiva.
- E a nossa rainha se chama Carla
Cristina, ex-integrante do grupo "As Meninas", uma simpatia em
pessoa, carismática e bastante querida na cena alternativa local.
- Carla
Cristina foi um dos nomes mais citados pelo público do Farofa Digital que
durante há alguns meses vem manifestando o desejo de vê-la no posto de
majestade da Parada Gay, apesar dos organizadores terem apostado em nomes como
Daniela Mercury e Márcia Freire, figurinhas de grande sucesso na Música
popular, mas que devido a (agenda cheia?) não poderiam estar presente na festa
do orgulho.
- A Carla
desde o ano passado vem participando da Parada, levando o seu novo estilo Pop
aos amantes da música Pop baiana que vem crescendo bastante na cidade e
considerando que é mais uma celebridade depois de Ivete Sangalo, Edson Cordeiro
e Simone Sampaio a integrar o grupo de estrelas que abraçam e respeitam
as causas homossexuais sem nenhum tipo de interesses a não ser o de divulgar a
música e manifestar o seu desejo e satisfação maior que é o de diminuir o preconceito
contra os gays apoiando e valorizando o movimento e a causa.
-
- Um
pouco de Carla Cristina.
No final dos anos 90, quando a axé music começava a ver desmoronar o império que
construíra durante a década, surgiu na Bahia (onde mais?...) um grupo formado
apenas por mulheres, que, embora não fizesse um som tão diferente de
conterrâneos e contemporâneos como É O Tchan, Banda Eva e Banda Cheiro de Amor,
se destacava pela alegria e pela beleza de suas integrantes. Era o grupo As
Meninas, comandado pela talentosa Carla Cristina, que, apesar de ter começado em
96, estourou em 1999 com o megahit Xibom Bombom, faixa do disco de mesmo
nome, que também emplacou a música Samba da Nega Maluca. Invertendo o
ditado popular, depois da bonança veio a tempestade. O grupo lançou ainda mais
dois discos – Tapa Aqui, Descobre Ali e Loucas por Você – mas sem
a mesma repercussão, embora o primeiro ainda tenha tocado nas rádios a
faixa-título. A maré baixa dos grupos de axé, que fez a musa Ivete Sangalo
largar a Banda Eva e Daniela Mercury flertar com a MPB e a música eletrônica,
também ajudou, e em 2002 As Meninas não mostravam mais o mesmo fôlego. O
final da história, há algum tempo, já parecia óbvio. E ficou mais ainda quando
Carla Cristina participou, ano passado, do projeto Um Barzinho, Um
Violão, de sua gravadora, a Universal, cantando dois clássicos da MPB: O
Bêbado E A Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc, famosa com Elis Regina) e
Charme do Mundo (Marina Lima e Antonio Cícero). Em março daquele ano
Carla Cristina comunicou às companheiras que estava abandonando o barco.
Enquanto cumpria os compromissos contratuais, que duravam até outubro, a cantora
dividia seu tempo ensaiando com sua nova banda e preparando-se para gravar seu
primeiro CD solo, que saiu no início de 2003. Brasileira mostra a cantora
investindo mais pesado no lado pop que já demonstrava em seu antigo grupo, mas
sem abandonar o estilo que a consagrou. Provas disso são faixas como
Brasileira (Anderson Cunha), Bambaré (Alain Tavares e Gilson
Babilônia) e Balaio de Gato (Wostinho Nascimento, Adson Tapajós, Sérgio
Rocha e Jean Carvalho), que lembram muito o que Carla fazia nas Meninas. Mas ela
faz questão de dizer que as semelhanças não vão muito além. “Fui cantora do grupo, conheço o trabalho e posso garantir
que são propostas totalmente diferentes”, assegura. Carla
dá provas disso em alguns momentos do disco, principalmente em dois sambas que
decidiu gravar: A Saudade É Minha Companheira, dos bambas Arlindo Cruz,
Maurição e Franco, e Amor E Festança, de Adalto Magalha e Toninho Gerais.
Para produzir as faixas, ela chamou um dos maiores especialistas no assunto: o
maestro Rildo Hora. “Sempre quis gravar samba, pois
já cantava esse ritmo na noite. E ter a participação do Rildo foi um grande
presente, pois ele é um mestre na arte de fazer samba. O samba e o axé são
ritmos que andam muito próximos; é só escutar o samba-reggae, o samba do nosso
Recôncavo, e um pouco dos sambas produzidos por Rildo”, diz a cantora.
E
por falar em samba, Carla aproveitou a onda para surfar numa outra vertente do
gênero, mais próxima de sua praia: o pagode romântico. A primeira faixa de
trabalho de Brasileira é Grades do Coração (Mauro Jr., Xande de
Pilares e João Carlo), que fez sucesso muito recentemente com o grupo Revelação
e ainda é bastante ouvida nas rádios. Carla não acredita que sua versão tenha
ficado parecida com a dos pagodeiros cariocas. “De forma alguma, até porque
procuramos fazer um arranjo mais baiano. A música ficou um samba-reggae;
acrescentamos cordas, o que a deixou mais suave, mais doce”, diz ela. Perguntada
se não é estranho ter a possibilidade de ouvir a canção em sua voz e na do
Revelação em uma mesma emissora, a cantora desconversa. “Você achou estranho
Caetano Veloso ter regravado Sozinho, uma música que até hoje toca muito
na voz da Sandra de Sá? Eu não, pelo contrário, adorei as duas versões”,
afirma.
Só o começo
A “camaleoa”, como se
intitula na faixa Brasileira, que abre o disco, mostra mais uma de suas
facetas na música Contraste, de Jorge Vercilo: a MPB. A bela canção foi
uma das cinco que o autor de Que Nem Maré enviou à cantora. Quando ela
ouviu Contraste na voz e no violão de Vercilo, foi amor à primeira vista.
“O conheci através de Alexandre Lins, produtor de 11 faixas do disco. Ele
conhece o Jorge e, sabendo que sempre o admirei, nos apresentou. Acho o Jorge
fantástico como cantor, compositor e pessoa, um talento indiscutível”,
derrete-se Carla. Essa face, no entanto, a cantora já havia
mostrado nos dois CDs da série Um Barzinho, Um Violão. Carla conta que
foi uma experiência emocionante participar do projeto. “Dividir um cd com vários ídolos é uma sensação
indescritível. Para mim foi mais uma conquista, mais uma vitória, e gravar O
Bêbado E A Equilibrista foi a realização de mais um sonho. Afinal, cantei na
noite e já passeei por obras de João Bosco, Elis e outros”, conta ela, que com
12 anos já se apresentava em bares de Salvador e aos 15 cantava em trio
elétrico. Da
mesma forma que começa o CD, definindo-se, Carla o termina. A última faixa,
Alegria da Cidade (Jorge Portugal e Lazzo), é uma síntese dessa nova fase
da cantora, distante dos rótulos: “No coração da América / Eu sou o jazz, sou o
rock ‘n’ roll / Eu sou parte de você / Mesmo que você me negue / Na beleza do
afoxé / Ou no balanço do reggae / Eu sou o sol da Jamaica / Sou a cor da Bahia”,
diz a letra, que soa mais com um recado. Como diz o título de uma outra música
do disco, este é só o começo, Carla é como se fosse um furacão, no carnaval
de 2006 deverá comandar um trio
independente com a certeza de que
atráz do trio da Carla só não vai
quem já morreu e quem não tem orgulho.
- Vamos
saudar a nossa rainha e dia 04 aplaudir
esta grande estrela da música baiana
que se orgulha em ser amada pela
cena GLS e faz questão de mostrar
o seu brilho numa parada que terá
mais de 200 mil presentes gritando
e cantando seus hits.
Amizade
e Homossexualidade -
O
Presidente do Grupo
Gay da Bahia Marcelo
Cerqueira, fala
sobre a homossexualidade
e a amizade, Tema
da IV Parada gay
de Salvador.
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