Sexologia

  Escolha suas máscaras

Imagine as boates gays como um grande teatro, onde a pista de dança é o palco com dezenas de personagens distintos, o segundo piso da boate fica sendo o lugar da platéia e o momento mais esperado da noite é quando a drag, como se fosse a principal atriz do espetáculo, faz o show. Assim poderemos fazer uma breve comparação de uma peça de teatro a uma noite de balada nas boates gays.

Dentro da mesma comunidade, os gays com tão vasta variabilidade de tipos ou personas (como você se mostrar para o mundo), se apresenta: drag, barbie, agressivo, militante, afetado, caminhoneira, lésbicas motoqueiras (quem foi na parada de São Paulo viu), entre outros adjetivos postulados no mundo gay. Você assume um lugar dentro da comunidade, aquele grupo que tem uma maior ligação no que você acredita na sua vida. 

É muito visível no meio social gay geralmente lésbica com lésbica, afetado com afetado e se você é do tipo social versátil (aquele que trafega dentro de todos os outros grupos, você esta dentro da tribo dos versáteis). Se for gay é uma questão de orientação, saber como viver esta homossexualidade é uma escolha. Ser um gay solitário sem vínculo social também. Não estar presente em “guetos”, fala de uma escolha mesmo que seja como um eremita. Tudo na vida é resultado de suas escolhas. Os papéis sociais também falam de como você escolhe ou deseja se mostrar para o mundo, mesmo que no ciclo social gay.

A psicologia Analítica criada por Carl Jung no século XX entende que a personalidade se organiza em torno de vários aspectos, sendo um deles a persona. A persona é a máscara que você utiliza, já que necessitamos de sermos aceitos pelo nosso grupo social (amigos, religião, família). A persona fala também como você se da conta de se apresentar ao mundo, uma adaptação à realidade exterior. São os valores iniciais e expressões de comportamento aprendidas desde a infância para vivermos o coletivo, de acordo com as exigências culturais e familiares. Em geral podemos utilizar várias personas sendo que na maioria das vezes você nem tem consciência disto. O termo retirado do teatro grego, por volta do século V a. C, a persona era a máscara utilizada pelos atores na Grécia e o teatro era uma alusão aos dois principais gêneros da época: a tragédia como temas referentes à natureza humana, bem como o controle dos deuses sobre o destino dos homens. E a comédia como um instrumento de crítica à política e sociedade atenienses. Durante um espetáculo, os atores trocavam de máscara inúmeras vezes, cada uma delas representava uma emoção ou um estado do personagem, a máscara da expressão da tristeza ou da alegria, por exemplo. Um dos objetivos era não revelar para a platéia as características individuais dos atores. Como as mulheres eram proibidas de atuar, as máscaras femininas eram usadas pelos homens, assim como as infantis.

A utilização psicológica da persona pode ser exemplificada de seguinte forma: Uma jovem lésbica, com carreira profissional, família rígida e preconceituosa, e que adore a vida social gay. Ela chegará ao trabalho se mostrando profissional com postura discreta e séria, mais tarde na casa dos seus pais como uma filha que não se permite apresentar trejeitos homossexuais, e a noite se mostra realmente como gostaria de poder expressar a sua homossexualidade. Só neste mesmo dia teremos 3 personagens em uma só: a profissional, boa filha, a homossexual, fora a personagem que se necessite usar para ir à igreja, a que paquera e a que vai à academia. Muitas máscaras para o mesmo rosto, não? Desempenhar estes papéis é necessário para sobrevivência, pois se exige que seus vários lados estejam interligados, e possam expressa-los, especialmente se for gay, e necessite sobreviver sobre o preconceito social.

Não somente os homossexuais usam máscaras, mas também os heterossexuais, embora as exigências sociais para os dois grupos diferenciam-se, não tendo que caminhar por este mesmo processo para lidar com o cotidiano e o que o social exija. Mas especialmente os gays têm que saber como nenhuma outra comunidade social a ter praticidade e dinamismo quando necessitam usa-las.

Ser “uma barbie (gay Whey Protein)” é uma escolha denota, tempo, esforço, perseverança alimentação etc. Essa pessoa se mostrará para o mundo à base de sua estética com algo que atrairá provavelmente pessoas que se interessaram pelo seu corpo inicialmente. Ser uma drag denota, tempo para se maquiar, bom gosto, estilo, talento (no ES temos muitas), musicalidade, noções de moda, etc. Nestes dois casos é uma escolha que se faz embora se diferenciem da forma que se mostrar para o mundo, terão vantagens e desvantagens em assumir este papel, aliás como todas as nossas escolhas. Por isso quero deixar claro sobre meu ponto de vista que a expectativa exigirá a você escolher qualquer jeito de se mostrar para o mundo, denota tempo, atitude e principalmente a certeza de que essa escolha é fruto do seu desejo, e não das pressões sociais. E ele que nos move que nos faz agir em busca de algo ou alguém.

No mundo gay tem determinadas frustrações que os diferem enquanto no social, as religiões cristãs têm resistência na aceitação, a instituições jurídicas não os coloca como iguais a heterossexuais, sua sexualidade carrega este mito instituído pela culpa. Por mais resolvido que possa parecer enquanto gay assumido em algum momento esta culpa vai atravessar sua vida, suas espontaneidade e sua forma de se mostrar e reavaliar se está agindo certo. Não posso concordar que os discursos que são levantados sobre a questão de que a vida social de gays e heteros são feitas da mesma forma. , pois o social não os permite se mostrar para o mundo sem que em algum aspecto não seja modificado pelo preconceito. Você enquanto gay assumido pode não sentir que está agindo diferente da sua natureza. Pode se ter a certeza que este movimento da culpa pela sua sexualidade em algum momento atravessou e/ou atravessa sua vida e que já não se torna mais perceptivo, faz você agir por caminhos diferentes, por ter se tornado uma norma social por exemplo, beijar na boca em público.

Acredito que os gays, em sua grande maioria, se mostram extrovertidos e possuem em geral muito senso de humor, vários talentos, muita criatividade e em alguns casos são invejados por terem mais “liberdade” de agir e de pensar. Será que toda está persona feliz é para compensar a frustração social? Mas é importante ressaltar que se conhecer e olhar os seus desejos internos e algo que ajudará fazer boas escolhas, passando pela jornada da vida como alguém que se respeita, e que se reverencia ao ocupar seu lugar no mundo. Tendo consciência que não cabe certo ou errado em ser o que você é, mas que em alguns casos os papéis podem ser úteis e sem culpa ao usá-los (ex: profissionalmente). Escolha a forma que quiser se expressar no mundo gay, mas saiba antes, o que esta escolha lhe trará, se realmente esta vinculada com o seu desejo. E quem sabe você não se permita a trafegar por outras tribos da sua comunidade, escolher respeitar as diferenças despindo-se de preconceitos e vendo que no fundo somos todos “farinhas do mesmo saco”, somos seres humanos.

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