Voltamos a falar sobre "HOMOSSEXUALIDADE" porquê nunca é demais.

 

 @Por Júlio Ferraz

 

 1º. Base Científica

A homossexualidade não é uma escolha pessoal. Nascemos com uma tendência e é possível que o ambiente a molde, mas ninguém pode escolher com autonomia sua orientação sexual. É inquestionável que nossos gostos eróticos estão , em parte, geneticamente determinados. Há estudos que apontam no sentido de que os genes e o desenvolvimento cerebral desempenham um papel significativo na formação da orientação sexual, e aindaque não esteja bem clara a natureza de dito papel, sua existência é aceita. Assim, por exemplo, foi analisada a orientação sexual de centenas de irmãos varões, educados juntos, com resultados surpreendentes. Se um deles era homossexual, a probabilidade de que o outro o fosse era de 52%, no caso de gêmeos idênticos, de 22%, no  caso de gêmeos não idênticos,e de 10% para irmãos não gêmeos. Estes dados apontam para a  presença de um forte fator genético no caminho sexual da maturidade.

Outro estudo comparou o ADN de quarenta casais homossexuais. O resultado foi que quase todos compartilhavam uma marca genética na região Xq28,  cromossoma X. Isto também é  una indicação da conexão entre fator genético e orientação sexual.

E a respeito da relação entre o desenvolvimento cerebral e a orientação sexual? Um estudo bastante recente comprovou que o último filho varão, depois de una série de irmãos, também varões, tinha uma maior probabilidade de ser homossexual. Realizadas as pesquisas, ficou demonstrado que isto se devia ao aumento da concentração do hormônio sexual masculino no útero materno de uma mulher que concebeu filhos varões seguidamente. Isto produzia uma maior masculinização física do filho, como podia ser comprovado pelo maior cumprimento do dedo indicador comparado ao anular. Assim mesmo, o aumento da concentração de dito hormônio no útero influía no desenvolvimento cerebral do feto, ocasionando uma maior tendência para uma orientação homossexual.

Existem outros estudos que também demonstram que os genes e o desenvolvimento cerebral influem de maneira decisiva na orientação sexual de um indivíduo. Felizmente, a ciência, uma vez mais, lança luz onde certas culturas e religiões põem sombras.

2º.  Antinatural.

Há quem considere que a homossexualidade é algo antinatural. E o que entendem por natural? Suponho que se considera natural somente o coito entre o homem e a mulher, e sempre quando realizado exclusivamente para reprodução. Então o coito sem a intenção de reprodução, como fazem muitos heterossexuais, deveria ser considerado antinatural. E um beijo na boca? A única finalidade destes beijos é a obtenção de uma incrível sensação de  prazer. Levando em consideração que não visa nenhuma finalidade reprodutiva e que ademais se obtém prazer, deveria ser considerado antinatural também? Da mesma maneira, o coito anal, o sexo oral, etc., praticados por muitos heterossexuais, não são considerados antinaturais. Porque então a homossexualidade é considerada antinatural? Perdão, mas creio que os homossexuais e bissexuais fazem coisas que os heterossexuais também fazem (ou, que em muitos casos  gostariam de  praticar, mas sua esposa não aceita) com a única diferença de que sua parceria é do mesmo sexo.

Para saber o que é natural ou não, é preciso observar a natureza criada por Deus.  E dizer àqueles que pensam que o natural é somente o coito entre um homem e uma mulher, que existem macacos machos que oferecem seu "traseiro" a outros macacos machos, ou que uma espécie de macacos, que por seu desenvolvimento cerebral são os que mais se parecem ao homem, praticam o sexo, em muitos casos apenas por prazer, e não com a exclusiva finalidade da reprodução, ou seja, por instinto  (vale observar que esta condição os faz mais semelhantes ao ser humano que ao resto dos animais, já que estes praticam o sexo exclusivamente para a reprodução, para que seus genes passem para a geração seguinte). Seguindo este raciocínio: no caso de um casal homossexual, não se considera a perpetuação de seus genes para a geração seguinte. É possível compreender tal fato como uma ruptura radical com o instituto sexual dos animais. Pois é, sim senhor, tal comportamento é o que diferencia o ser humano dos animais. Nós nos apaixonamos também pelo mesmo sexo. Destruímos completamente os padrões do instinto animal.

 

 3º. Influência Da Sociedade Atual Na Condição Da Homossexualidade

Esta sociedade nos educou desde a nossa infância para sermos heterossexuais, é por isso que a homossexualidade e a bissexualidade são minoritárias. Caso não tivéssemos  sido educados assim, seguramente que o número de homossexuais e bissexuais seria muito maior. Certo? Claro que sim. Há muitíssima gente que, sendo homossexual e bissexual, viverão reprimidos durante toda sua vida, fingindo ser heterossexuais. Esconderão sua condição de homossexualidade no mais profundo de sua mente, negarão seus próprios sentimentos e inclusive se punirão por senti-los. Nunca chegarão a ser realmente felizes. E tudo  porque a sociedade os educou assim. Saibam que existe uma tribo em Papua-Nova Guiné, um povo chamado Sambia, onde se pratica a homossexualidade, e onde a heterossexualidade é praticada como um penoso encargo que devem enfrentar caso queiram seguir tendo descendência. Este é um exemplo de uma sociedade que vai em sentido contrário à   sociedade em que vivemos. Certamente que nesta tribo haverá pessoas heterossexuais que não chegarão a ser plenamente felizes em toda sua vida. Assim são os heterossexuais que são minoritários.  Então é suficiente ter apenas um par de neurônios para compreender que, se nesta sociedade houvesse liberdade, e ninguém fosse pressionado para reprimir sua verdadeira orientação sexual, o número de gays  seria muitíssimo maior (na realidade não é que aumentaria o número de homossexuais e bissexuais, mas que, finalmente, esta gente sairia à luz). É preciso construir uma sociedade onde ninguém seja condicionado a ser heterossexual e nem homossexual. Aristóteles disse, já faz muito, muito tempo: “A virtude é o justo meio entre os extremos”.

4º.  A Religião.

Por que a sociedade em que vivemos condena a homossexualidade? Por influência da religião. A tal ponto que muitos homossexuais, que foram educados sob a doutrina cristã, se envergonhem e se sintam culpados de sua orientação sexual. Olhemos para trás e vejamos a cultura clássica da Grécia. Tratava-se de uma sociedade cheia de grandíssimos pensadores e onde a homossexualidade estava bem à vista. Tanto é assim que os mitos gregos consideravam as pessoas atraídas por seu mesmo sexo como os mais viris entre os homens, ou as mais femininas entre as mulheres. Isto contrasta com a visão atual da homossexualidade, de tal forma que verificamos o preconceito de que os homossexuais masculinos são sempre afeminados e as lésbicas sempre masculinizadas. Isso se deve à ignorância que existe entre os conceitos de orientação, identidade e sexo biológico. Assim, por exemplo, a maioria dos varões homossexuais não são afeminados, são pessoas com as quais a gente cruza diariamente e, sem dúvida, é impossível perceber sua orientação sexual, a não ser que eles mesmos o digam. Da mesma maneira, há homens afeminados que, sem dúvida, são heterossexuais. A cultura grega clássica, inclusive, louvava as manifestações homossexuais de heróis como Zeus ou Hércules, assim como os romanos exaltavam a masculinidade de Julio Cesar, que também praticava a homossexualidade. Mas veio a queda e decadência do Império Romano e o surgimento de uma religião que apareceu contrariando tudo o que estava estabelecido (inclusive, é claro, a homossexualidade). Lancemos agora um olhar para os manuscritos do Mar Morto. Estes manuscritos foram encontrados nas ruínas de Qumran, ao lado do Mar Morto. Na Palestina, há 2000 anos, havia um variado número de seitas: Fariseus, Zelotes, Essênios... A tribo dos essênios, situada às margens do Mar Morto, prescindia de mulheres, tinha renunciado a todo desejo sexual e prescindia de dinheiro. As pessoas que adotavam estes costumes iam para esta tribo. Eram solitários, pacifistas. Tudo indica serem estes essênios a comunidade de Qumran. Vale observar a relação com o cristianismo: prescindiam de mulheres, igual à igreja católica (aí só há padres, bispos, cardeais), não praticavam o sexo (a igreja só o permite para reprodução) e prescindiam de dinheiro. A equipe internacional, encarregada de traduzir os manuscritos, era composta, majoritariamente, de sacerdotes cristãos. Eles classificaram os textos encontrados em dois tipos: “textos bíblicos” (são cópias de livros do antigo testamento), e “textos sectários”. Estes últimos são tratados relativos à seita que residiu em Qumran e seus ensinamentos. Eles trataram de subtrair destes textos sua importância, como fossem produzidos por um culto marginal e não conformista, uma congregação pequena, separada da corrente do judaísmo e do cristianismo primitivo. Um dos textos de Qumran descrevia uma auto-intitulada “seita da Nova Aliança”, que era conduzida por um “mestre da justiça”; que era considerado como Messias e foi perseguido e martirizado. É possível considerar este mestre da justiça como o exato protótipo de Jesus. Disse o pesquisador John Allegro: podemos ver as origens de alguns rituais e doutrinas cristãs nos documentos de uma seita que existiu antes do nascimento de Jesus. É possível deduzir que o cristianismo poderia haver aparecido então a partir de uma seita que renunciava ao desejo sexual e ao dinheiro. Ao situarmos esta seita dentro  do panorama histórico em que se encontrava (no Império Romano se vivia submergido nos prazeres do sexo, da comida e da riqueza), é possível compreender, facilmente, que a doutrina desta seita ocasionou e se converteu numa religião de culto. Pois esta seita predicava contra tudo o que estava estabelecido, e em acréscimo, foi favorecida pela etapa de decadência e queda do Império e da cultura romanos, fator favorável a sua súbita aparição.

Existe Deus? O que está claro é que, se existe, amaria de igual maneira a todos os seres humanos, independentemente de sua raça, sexo ou orientação sexual. Deus não criou a todos nós a sua imagem e semelhança?  Claro que sim: criou brancos e negros, homens e mulheres,  judeus e árabes, hetero, homo e bissexuais, inclusive criou àqueles que não são suficientemente inteligentes para compreender que a homossexualidade é normal na raça humana.

Foi preciso que se passassem séculos até alcançarmos a igualdade entre homens e mulheres, séculos para compreender que não há diferenças entre os homens de raça negra e branca: será preciso, também, a passagem de tanto tempo assim até que percebamos que todos nós, sejamos homossexuais, heterossexuais ou bissexuais, somos iguais?

 

 

 

 
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