Ao
pensarmos no comportamento sexual, podemos levantar várias questões que são
comuns a todos nós. Será que existe um padrão correto para expressarmos a nossa
sexualidade? Até onde é saudável? Será que tenho algum problema por sentir tanta
vontade de fazer sexo?
Muitas pessoas se sentem mal ao acharem que
determinadas vontades e pensamentos relacionados à sexualidade não deveriam
existir, pois não são “normais”. Tais pensamentos normalmente geram angústia,
desconforto e culpa. Porém, dentro do universo de comportamentos do ser humano,
falar de regras do que é certo ou errado, adequado ou não, é muito complexo,
pois esbarraria em crenças, cultura, religião, moral.
Existem diversas
maneiras para expressarmos o nosso desejo sexual. Algumas pessoas têm diminuição
do desejo sexual, outras são indiferentes, outras acham que a sexualidade é
muito importante, e por isso vivenciam a sexualidade frequentemente. Existem
aqueles que fazem sexo não necessariamente com o intuito sexual. Tais pessoas
apresentem o que chamamos de comportamento compulsivo sexual ou
hipererosia muito ligada ao meio gay.
Uma das características dessas pessoas é a necessidade de sempre
fantasiar algo relacionado à sexualidade. Esses pensamentos são constantes, a
pessoa sente-se inquieta, e isso a impede de fazer outras coisas importantes de
maneira dedicada, concentrada e coerente. Seu tempo lhe parece curto, pois ela
deixa de fazer coisas importantes para fantasiar ou mesmo para vivenciar esses
desejos. Dificilmente essa pessoa consegue se concentrar em algo que não seja
relacionada ao sexo.
De acordo com Rodrigues Jr. (1998), os pressupostos para
dizer que a pessoa apresenta o comportamento sexual compulsivo, dependem de
características de personalidade específicas. Essas pessoas apresentam
características como:
• Ter pensamentos ou atos compulsivos recorrentes; •
Ter pensamentos obsessivos – idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do
indivíduo repentinamente e de forma estereotipadas, são angustiantes, e a pessoa
não consegue resistir a elas; • Ter atos ou rituais – comportamentos
estereotipados que se repetem muitas vezes, não são agradáveis e são vistos como
preventivos de algo improvável; • Essas manifestações ocorrem em conjunto com
ansiedade e depressão.
- Essas
características variam de pessoa para pessoa, dependendo do quanto se está
envolvido nesses pensamentos automáticos e da estrutura de cada um.
Tais
aspectos psicológicos apontam para a patologia denominada comportamento
compulsivo sexual. Porém, e claro, isso não é tão simples assim, pois existem
muitas questões que vão influenciar e necessariamente precisam ser avaliadas.
Não basta a pessoa se identificar com algum desses aspectos ou simplesmente
ignorar, achando que não tenha nenhuma ligação com ela, que estará resolvido.
Uma vez que existe a suspeita, é muito importante buscar ajuda especializada
para uma avaliação.
A compulsão sexual e o modo de pensar
- A
maneira de se pensar dessas pessoas é distorcida. Na maioria das vezes elas não
admitem ter esse problema, e por isso não buscam ajuda. Pois seus
comprometimentos emocionais os impedem de tomar providências para
modificarem-se, pois seus mecanismos de pensamentos e comportamentos não mudam.
E são pessoas que estão em nosso meio, que trabalham, estudam e tem suas
relações sociais aparentemente “normais”.
Para essas pessoas, é muito difícil
admitir que precisam de ajuda profissional. Elas só procurarão ajuda quando, por
causa do comportamento compulsivo sexual, graves prejuízos acontecerem.
Normalmente a tendência é achar que conseguirão sair dessa situação sozinhos, ou
então, pensarem que ainda não chegaram ao “fundo do poço”, e por isso não
precisam tratar.
Origem
- Não
existe apenas uma origem. O ser humano é muito complexo, e diversos fatores
podem contribuir. O ambiente em que a pessoa se desenvolve pode ser um
facilitador, mas não determinante do desenvolvimento do comportamento compulsivo
sexual. Mas sim, a própria pessoa que desenvolve mecanismos de pensamentos, as
quais, com um ambiente facilitador esse comportamento é desenvolvido. Um exemplo
de ambiente familiar facilitador, é aquele onde se valoriza muito a fala e ou
ações sexuais exageradas, bem como a maneira de pensar compulsivamente.
Tratamento
- O
tratamento psicoterapêutico é extremamente eficaz para aqueles que aceitam a
idéia de que estão com dificuldades, que sozinhos dificilmente conseguirão
resolver esse problema.
Dentro da Psicologia, a abordagem que tem mostrado
melhores resultados para tratar esse problema é a Comportamental
Cognitivo.
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- Bibliografia
- REVISTA TERAPIA SEXUAL – Clínica – pesquisas e aspectos psicossociais.
Vol. I.
São Paulo: Iglu, 1998.
- DSM-IV-TR - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.
trad. Cláudia Dornelles; - 4. ed. ver. – Porto Alegre: Artmed, 2002.
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