Tenho
assistido nos últimos anos com muita alegria o crescimento de casais
homossexuais que assumem seus relacionamentos de forma aberta e corajosa, são
parcerias estáveis e cada vez mais visíveis. Porém, não sejamos ingênuos em
acreditar que todos os problemas estão resolvidos, ao contrário, viver a dois em
uma relação homossexual é um desafio importante, sobretudo nessa sociedade
homofóbica e preconceituosa como a nossa.
Viver em conjugalidade exige um
alto custo emocional para os parceiros, pois independentemente da orientação
sexual todos os seres humanos buscam amar e serem amados e através das relações
e nas parcerias é possível validar-se, legitimar-se e crescer, árduo processo
que merece atenção especial. As relações conjugais são construções complexas,
que vão desde a busca da felicidade ao medo da perda do objeto
amoroso.
Estas questões nos fazem pensar o quanto depositamos nossos
sonhos, desejos e projetos em nossos parceiros, que nunca serão, por melhores
que sejam capazes de realizar. Porém toda essa trama complexa de desejos,
sonhos, projeções ocorrem em qualquer relação, mas e no casal gay? Penso que a
complexidade fica amplificada, pois as demandas e pressões sociais são
imensamente maiores.
Vamos então discutir mais profundamente,
inicialmente temos a questão do assumir-se pois na verdade alguns casais gays
formam-se mas não tem uma visibilidade social, ou mesmo familiar. A questão
de assumir-se é muito maior, e vai depender do momento de cada um, não há
receitas. Acredito que o casal que se assume enquanto casal, se ama e busca
construir uma relação estável já vive seu amor, no entanto, abrir para a família
significa uma escolha fundamental e de muita reflexão, cada um saberá seu melhor
momento, pois implica em correr riscos que podem causar sofrimento sim, mas
também muita autonomia e felicidade.
Outro aspecto importante na vida dos
casais homossexuais é lidar com uma situação inédita, com pouca ou quase nenhuma
visibilidade, isto é, trata-se de um novo modelo, que está sendo construído,
pois os modelos conhecidos são todos heterossexuais. Penso, desta forma que
viver a dois enquanto um casal gay, dividir, casa, contas, filhos de outras
relações, famílias de origem, amigos, enfim tudo que vem junto, é uma tarefa
inovadora, renovadora, e pós moderna que muda a cara dessa sociedade, que
transforma as relações sociais e também a visão de mundo e de homem das
pessoas.
Saímos de um modelo do homossexual caricato, “promíscuo”, para
um modelo gay cidadão que constrói relações, que buscam parcerias e que podem
até trocar de parceiros se assim quiserem e quando quiserem.
Pois é caros
amigos, abrir caminhos não é fácil, sobretudo se a conquista provoca indignação
em uma parcela da sociedade conservadora e retrógrada, que pensa que apenas
casais héteros podem ser felizes, pois afinal até a pouco tempo ser homossexual
era sinônimo de sexo, somente sexo, hoje é sinônimo de cidadania, amor, relações
estáveis com muito, muito prazer!
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- Dicas para resolver conflitos
No
texto anterior comentei a dificuldade em construir uma parceria e como
projetamos nossos sonhos em nossos parceiros, e também que ser um casal gay
implica em criar novos modelos de conjugalidade nessa sociedade maxista e
homofóbica. Penso que uma relação só pode dar certo ( e dar certo já é
outra história ), se não somos a metade da laranja procurando a outra metade,
mas sim se somos pessoas inteiras que interagem com outra pessoa
inteira.
Compartilhar experiências, viver as individualidades, faz parte
de um longo processo de maturação e crescimento individual.
Pergunte a si
mesmo:
- Você tem seus projetos pessoais preservados, consegue
realizá-los não esperando que façam por você?
- Você tem a expectativa
que seu parceiro o faça por você?
- Você respeita as individualidades de
seu parceiro?
Um grande conflito que permeia os casais, sejam eles gays
ou não é busca no outro de seu projeto ideal, tenho ouvido muitas vezes a
tristeza e a insatisfação de quando os parceiros deixam de realizar o sonho do
outro, e o resultado é sempre frustração e sofrimento.
A insegurança leva
grande parte das pessoas a acreditarem que só serão felizes se o seu amor as
fizer felizes, contudo, penso também na importância de amar e receber amor, é
uma via de mão dupla, mas acreditem, isso não basta, é pouco, temos que
acreditar antes de tudo nos nossos próprios sonhos.
Os parceiros servem
para somar, agregar, e até mesmo dividir, trata-se de uma construção, nunca
espere que o outro te traga numa bandeja a sua felicidade, ela é
sua.
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