O sal já foi considerado uma
preciosidade e os romanos, inclusive, usavam-no como moeda. Hoje, a cotação do
sal está em queda porque ele pode trazer problemas como a hipertensão e a
catarata quando consumido em excesso. E, provavelmente, você ingere o dobro da
quantidade máxima recomendada de sal por dia. Portanto, reduza o sal refinado da
sua dieta.
- Seu corpo precisa de sal para as
funções mais vitais. Para que cada uma de suas células: receba nutrientes e
elimine detritos na corrente sanguínea, para a contração dos músculos (inclusive
do coração), para transmitir os impulsos nervosos e para digerir e absorver os
alimentos. Então por que recomendamos que você coloque menos sal na
comida?
- "Os próprios alimentos já são as
fontes naturais de sal e o ser humano não precisa complementar a dieta", afirma
Fabio Sândoli de Brito, médico cardiologista, diretor da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC) e especialista em cardiologia esportiva. Muita gente vai
torcer o nariz para essa recomendação. Afinal, abrir mão de temperar a salada, o
arroz e outras comidas durante o preparo pode tirar parte do prazer de uma
refeição. "Minha sugestão é que as pessoas substituam o sal comum pelo sal
light", afirma Joel Claudio Heimann, médico nefrologista e professor
livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP).
A Organização Mundial de Saúde
(OMS) recomenda um consumo máximo de 6g de sal (ou 2,4g de sódio) por dia para
um adulto - o equivalente a uma colher de chá de sal de cozinha. Um levantamento
feito pela SBC aponta que os brasileiros ingerem em média 12g a 13g de sal - o
dobro do recomendado!
- Inimigo silencioso.
- Esse consumo excessivo não passa
despercebido pelo nosso corpo. Um estudo divulgado pela revista American Journal
of Epidemiology com 3 mil adultos mostrou que pessoas que mantêm uma dieta rica
em sal têm o dobro de chances de desenvolver catarata, uma doença que, não
tratada, pode levar à cegueira.
- A pesquisa também observou que quem
consumia mais sal teve maior propensão à hipertensão arterial e à diabetes. A
hipertensão é uma doença perigosa, principalmente porque é um "inimigo
silencioso", já que seus sintomas não são percebidos no estágio inicial. Quando
a pessoa começa a ter tonturas, dores de cabeça, diminuir a quantidade de urina
e desenvolver problemas cardíacos, a doença pode estar instalada há muito
tempo.
- Pesquisas também provaram que reduzir
o sal da dieta ajuda a combater a hipertensão e suas conseqüências. Um estudo da
OMS aponta que parte dos hipertensos consegue cortar pela metade o risco de ter
um derrame caso diminua o consumo diário de sal. Com essa mesma atitude, as
pessoas diminuem em 23% a probabilidade de morrerem em conseqüência de um
derrame quando tiverem mais de 50 anos.
- Aliado à redução de sal, o exercício
físico regular é uma arma contra a pressão alta. "Quem pratica corrida colabora
para que seu organismo controle ou não desenvolva a hipertensão. A atividade
física aumenta a eficiência dos vasos sangüíneos, do bombeamento de sangue pelo
coração e diminui a freqüência cardíaca", explica Maria Urbana Rondon,
professora de educação física e funcionária da Unidade de Reabilitação
Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração
(InCor).
O famoso
cloreto de sódio.
- O sal é composto de sódio (40%) e
cloro (60%), na fórmula NaCl. O médico nutrólogo especializado em esportes
Alexandre Merheb explica a função de cada
componente.
- > Sódio - age no equilíbrio de
água do corpo, na entrada e saída de substâncias das células e na transmissão de
impulsos nervosos (permite o funcionamento do cérebro e o controle de nossas
funções vitais).
> Cloro
- atua como ativador das enzimas e é fundamental para o processo digestivo. No
estômago, é a base para o suco gástrico, que ajuda a digerir os alimentos. No
intestino, é essencial para a absorção da glicose e para o transporte de várias
substâncias. Também aumenta a capacidade do sangue de carregar gás carbônico das
células para o pulmão.
Os tipos de
sal.
-
- O sal é extraído basicamente de duas
fontes: do mar e das rochas. A composição deles é praticamente a mesma, mas
recebem denominações diferentes (sal marinho e sal-gema, respectivamente). De
acordo com a forma que são processados, recebem outros
nomes:
- > SAL DE COZINHA - é
o mais comum. Geralmente refinado, é "enriquecido" com iodo, selênio magnésio e
zinco.
> SAL GROSSO - é como o sal de
cozinha, mas não é refinado. Usado normalmente para temperar carnes e
peixes. > SAL MARINHO - na forma de cristais,
de cores variadas. Usado na cozinha macrobiótica após ser moído. > SAL KOSHER - com cristais grossos e irregulares, é
extraído sob supervisão de rabinos. Preferido de alguns chefs por ser bom para
temperar carnes. > SAL DE GUÉRANDE - é a
"grife" do sal. Produzido artesanalmente na cidade de Guérande, na
França. > GERSAL - sal misturado a sementes
de gergeli tostadas e moídas. Utilizado na cozinha macrobiótica. > SAL DE AIPO - misturado a
grãos de aipo moídos. Principalmente para temperar grelhados de peixe ou carne
ou coquetéis de legumes. > SAL LIGHT
- é uma mistura
de cloreto de sódio e cloreto de potássio, em partes iguais, portanto tem 50%
menos sódio que o sal de cozinha comum. Como o potássio é eliminado do corpo
mais facilmente que o sódio, não tem tanta influência no aumento da pressão
arterial. Assim, o sal light é recomendado para pacientes com problemas renais e
hipertensão ou para todas as pessoas que queiram prevenir essas
doenças.
- Inchaço.
- A influência do sal na pressão
arterial está relacionada a uma propriedade dessa substância: precisa estar
dissolvida em água para agir. Ou seja, quanto mais sal a pessoa coloca no
organismo, mais líquidos precisa para dissolvê-lo, sobrecarregando o sistema
circulatório. Como o consumo excessivo de sal ocorre todos os dias, a tendência
seria a pessoa inchar indefinidamente. Mas o organismo possui um mecanismo para
eliminar o excesso de sal e, junto dele, o excesso de água. O órgão envolvido
nesse processo é o rim. "O rim é responsável por um dos equilíbrios mais
perfeitos do corpo humano. Ele faz, principalmente à noite, uma limpeza geral e
elimina o sódio que a pessoa come a mais", explica Paulo Olzon Monteiro da
Silva, nefrologista e professor de clínica médica da Unifesp. Por isso, a pessoa
começa o dia mais "sequinha" e com o corpo equilibrado. O equilíbrio se desfaz,
porém, para os que têm problemas renais. Aí o órgão fica sobrecarregado, a
pessoa acumula mais líquidos e pode desenvolver fibrose renal e chegar à
falência do órgão.
- Exercício.
Para quem corre, acumular
líquidos em excesso significa carregar um peso desnecessário e sobrecarregar o
corpo durante o exercício. Armazenar líquidos poderia ser tentador caso a pessoa
pensasse que, dessa forma, teria mais água e não precisaria se preocupar com a
desidratação. Mas isso é um engano: a água que o corpo retém por causa do sal
vai estar comprometida com a substância, e não dispensa que você tome
líquidos.
- "Se você consome mais sal que a
recomendação diária, reduzi-lo na dieta vai trazer benefícios para o seu corpo e
para seu desempenho: você vai ficar mais leve", afirma Edson Credidio, médico
nutrólogo, professor de dietoterapia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão
Preto e membro do International Colleges for the Advancement of Nutrition, dos
EUA. Use a tabela para calcular qual o seu consumo médio de sal por dia.
- O médico, no entanto, faz um alerta.
"Quem vai correr uma prova de longa distância e não consome sal em excesso não
pode eliminá-lo de sua alimentação antes e na prova, ou corre o risco de ter uma
hiponatremia - falta de sódio no sangue - durante a corrida", diz. A
hiponatremia provoca tontura, desmaio, fadiga, náusea e desorientação. "O maior
problema do sal é a quantidade que ingerimos sem nos dar conta, como em produtos
industrializados, congelados ou enlatados. É importante ler os rótulos para ver
a quantidade de sódio que existe em cada porção e assim controlar os níveis de
sal", sugere Joel Claudio Heimann. "E, sempre que possível, evite colocar sal
nos alimentos ou use o sal light", finaliza.
- Alimento
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- Quantidade de sódio (mg)
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- Arroz cozido (100g - 5 col. sopa)
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- 282
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- Azeitona (3 unidades)
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- 417
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- Banana prata (1 unidade)
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- 10
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- Bolacha salgada (2 unidades)
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- 100
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- Bolacha doce (2 unidades)
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- 37
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- Carne de boi (150g)
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- 198
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- Carne de frango (150g)
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- 197
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- Leite integral (1 copo)
|
- 198
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- Lingüiça (1 unidade)
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- 618
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- Pão de forma (2 fatias)
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- 317
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- Pão francês (1 unidade)
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- 309
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- Presunto (1 fatia)
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- 387
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- Salame (20g)
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- 422
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- Sal (1/4 de colher de chá - 1,5g)
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- 590
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Tabela fornecida pela
nutricionista Manuela Dolinsky.
Isotônicos e sódio.
"Como o isotônico contém sódio, seu
consumo deve ser feito em atividades físicas intensas de mais de uma hora de
duração. Antes disso, você pode sobrecarregar seus rins", afirma Antonio Cláudio
da Nóbrega, fisiologista e membro da Sociedade Brasileira de Medicina do
Esporte. Os pais devem redobrar o cuidado com as crianças. "Elas não precisam de
tanto sódio e não devem tomar isotônicos" alerta Manuela Dolinsky,
nutricionista, doutora pela Unifesp.
Sal combate as
tonturas?
O costume de tomar sal para aliviar
uma tontura quando a pessoa está com pressão baixa pode ser perigoso. A pressão
alta também provoca tonturas e, nesse caso, o sal só vai piorar a situação. Quem
está com pressão baixa tem também um zumbido no ouvido, dor de cabeça e ecotomas
(vê pontos cintilantes). Para não errar: deixe o sal de lado e deite, para que o
sangue volte ao cérebro.
Outros especialistas consultados:
- Glaucia Figueiredo Braggion -
nutricionista e pesquisadora do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão
Física de São Caetano do Sul (Celafiscs).
- Marcus Vinicius Bolivar Malachias -
cardiologista, diretor clínico do Instituto de Hipertensão de Minas Gerais e da
Fundação do Coração da Sociedade Brasileira de Cardiologia (Funcor/SBC) e
professor da da Faculdade de Ciências Médicas de Minas
Gerais.
- Tamara Mazaracki - médica
nutróloga, membro da Sociedade Brasileira de Nutrologia.
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