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Eu nasci católico, fui crismado, batizado, tive aulas de
catecismo, fiz primeira comunhão vestindo um terninho branco na Fazenda Saco do
Capim, em Irará, cerca de três horas partindo de Salvador. Garoto mudei para São
Paulo e foi lá que tive uma forte identificação com a religião, eu, dois garotos
éramos coroinhas de uma igreja dedicada a Santa Isabel Rainha na Rua Dedo de
Deus, Vila Formosa, zona Leste.
Duas declarações do papa Bento XVI que me instigaram
desenvolver essa reflexão dramática.
Elas não perturbam somente a mim, mas a muitos católicos que tem familiares que
são homossexuais e a muitos homossexuais que são católicos e que acreditam que
as suas escolhas pessoais no campo da sexualidade podem conviver harmoniosamente
com a fé em Jesus
Cristo.
O papa Bento XVI divulga aos cristãos e a toda
humanidade que a homossexualidade é algo
intrinsecamente mau e também é uma desordem objetiva. A primeira mensagem tem a prerrogativa de
afirmar que “homossexualismo” é coisa do diabo que é o pai da maldade, pois não
pode produzir bons frutos, uma árvore ma dá maus frutos deve-se erradicar, os
homossexuais vão todos para o inferno porque são intrinsecamente maus,
intrínseco dentro de si,lá dentro do seu interior no seu intimo secreto. A
maldade está inseparavelmente ligada às pessoas homossexuais para o pensamento
do papa, mas não para muitos católicos comuns que convivem no cotidiano com
homossexuais, seus filhos, parentes e entes queridos.
A noção de bem e mal é relativa às diversas culturas no
mundo inteiro. Um dos problemas do papa é que ele não é relativo e procura bases
absolutas e essas bases são imposições de suas próprias verdades, suas vontades
totalitárias. Ele busca padrões
universais, totalitários e transitórios que possam servir em todas elas. Tenta
impor ao mundo inteiro a intolerância tornando-o tão fundamentalista que os
mulçumanos. Não pode haver discussão porque a verdade está na igreja.
A segunda mensagem do papa é de que a homossexualidade
representa a desordem em sua objetividade. Propositalmente sua santidade emite a
idéia de que os homossexuais ameaçam a ordem dominante, vão de encontro à
natureza, bagunça a ordem natural das coisas e da relação macho e fêmea. Para os
dois argumentos a lógica do discurso é a reprodução e a família, mas no contexto
de família tribal que vivia o medo da extinção da espécie diferente de hoje com
a expansão populacional. A reprodução e
as uniões tinham a finalidade única de manter o clã e não se davam com base em
alianças individuais.
A concepção de família para a igreja é tribal não é burguesa
nem moderna ligada ao amor das escolhas individuais onde a reprodução é um
elemento secundário. Essa desordem objetiva maldosamente divulgada passa a ter
um outro significado que surge como uma nova ordem porque homossexuais não
ameaçam a espécie e nem a estrutura social. Trata-se claro de um re-ordenamento
que os celibatários da igreja alheios à vida real dos cristãos no mundo não
conseguem perceber.
Marcelo
Cerqueira é presidente do Grupo Gay da Bahia, comentários
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