Amém aos santos gays!
A igreja pode achar uma blasfêmia mas eles existiram.
 
@Por Sergio Ripardo
Março 2009
 
Há santos gays? Para a história oficial da igreja, a pergunta soa como uma blasfêmia, uma vez que a religião condena a homossexualidade. Mas há teses de que a igreja teve, sim, santos que, no seu passado, tiveram relações com pessoas do mesmo sexo. O caso mais famoso é de São Sérgio e São Baco, que foram mártires no início do século 4.
 
Eles integravam o exército do imperador romano Maximiano (286-305). Era um casal gay respeitado pela própria igreja, segundo o polêmico e premiado livro "Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade", publicado em 1980 por John Boswell (1947-1994), historiador da Universidade de Yale (EUA).
Defensores da igreja acusaram Boswell de forçar a barra em seus estudos sobre os arquivos históricos da igreja. O livro era visto como panfletário, ou seja, interessava à militância homossexual forjar santos gays. Quem apoiou o historiador dizia que a igreja adulterou os arquivos antigos para esconder registros sobre a homossexualidade dos dois.

O fato é que São Sérgio e São Baco viraram ícones do movimento gay, inspirando artistas. Suas imagens servem à defesa da união civil entre pessoas do mesmo sexo, cujas cerimônias são seladas com a leitura da oração dos dois santos. Eles têm até um dia: 7 de outubro.

Já Santa Perpétua e Santa Felicidade, mártires desde o século 3, também carregam a suspeita de terem uma relação lésbica. Felicidade era escrava de Perpétua. As duas sofreram juntas na prisão. Para os gays, elas viveram uma intensa paixão.
 
Fonte original: Folha ILustrada - Jornal Folha de São Paulo
 

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