Emotivos e carinhosos
Os emos estão na moda e a jornalista do jornal Estado de São Paulo analisa e fala sobre esta tribo irreverente que surge no Brasil.
@Por Ciça Vallerio
Agosto 2008

O nome causa espanto. As atitudes, mais ainda. Emo está associado a emotional hardcore, também conhecido por emocore, estilo musical que mescla o som pesado das guitarras com letras dor-de-cotovelo. Os emos são expansivos com relação à sexualidade e emoções. A maneira de mostrar carinho entre amigos é explícita: vivem se abraçando e fazendo elogios mútuos. Não raramente, meninas beijam meninas e meninos beijam meninos.

“Marida”, “paixão da minha vida” são termos usados entre as garotas. Por isso, elas levam a pecha de gays. “Entre a gente, a homofobia é zero”, explica a estudante Fernanda S., de 14 anos. “Mas ser emo não quer dizer ser gay, nem bissexual.” Essa confusão explica a onda de preconceito que vem afetando adolescentes dessa tribo. São agredidos e xingados nas ruas por punks, skinheads, enfim, por quem está fora da tribo.

A estudante Carol C., de 13 anos, já ouviu insultos até de seu professor. “Ele disse que eu era ridícula e lésbica”, conta a garota, que, como o restante dos entrevistados, preferiu não revelar o sobrenome. “Meus pais já me encaminharam para um psiquiatra.”

Eduardo N., de 15 anos, não liga para as provocações e diz que gosta é de mulher. Como ocorre entre a maioria dos emos, seus pais não aceitam que ele faça parte dessa tribo. “Eles não entendem e não respeitam o nosso estilo”, diz o garoto. Mas dá para compreender tanto estranhamento entre os adultos.

Numa balada emo, embora não role drogas ilícitas (são contra), eles tomam umas e outras para se soltarem. Amassos calientes entre eles é lei, e leva o nome de abusa-abusa. Beijos triplos, quádruplos, quíntuplos também fazem parte da festa. Quer dizer, há beijos entre três pessoas ao mesmo tempo, quatro, cinco... porém, sem que isso se transforme numa orgia sexual.

O problema ocorre quando, nessa pegação danada, alguém se apaixona e não é correspondido. Hora de curtir - com orgulho - a fossa, com muita choradeira embalada pelas letras melosas do emocore. Foi o que aconteceu com Ju F., de 16 anos. “Somos mais emotivos do que o normal. Tanto na hora de sofrer por uma paixão, quanto no momento de demonstrar nosso carinho pelas pessoas de quem gostamos.”

Esta matéria foi reproduzida do texto original: Salada de estilos da Jornalista Çica Vallério e gentilmente autorizado pelo jornal Folha de São Paulo, para esta reprodução.
 
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