Perfil - entrevista

Dj Maver do Cine Ideal (RJ) conversa com o Farofa e conta sobre a expectativa de tocar na festa War
Abril - 2008
Amante de música eletrônica desde os 16 anos, Maver, por insistência de amigos DJs que acreditavam em seu talento e conhecimento musical, convenceu-se de que era hora de aprender a técnica das pick ups. A conexão com o público e a vibe up de seu set foram surpreendentes, agradando e muito aos presentes em pequenas festas que deram o impulso na sua carreira.
 
O Dj Maver conquistou e hoje faz parte do casting de Djs que comandam festas de grande sucesso no Rio de Janeiro como  o After Beach, a Sin Party do promoter Alex F. Halter e do Cine Ideal, o templo do house carioca.
 
Pegamos o Dj embarcando para Salvador e na correria do embarque, Maver dá uma paradinha numa Lan house localizada no Aeroporto Tom Jobim e mostra que atenção e simpatia também faz parte de sua essência como Dj. Acreditamos que é o que faz a diferença num bom profissional.
Confira a entrevista.
1. Qual a sua expectativa para tocar pela primeira vez em SSA?
A expectativa é muito grande. Tenho um pé em Salvador, por ter um tio e primas que moram na cidade, além de já ter passado bons e inesquecíveis carnavais. Sem contar, amigos DJs que já  tocaram por aí e me disseram que a vibe baiana é incrível. Quando eu falo que vou pra Salvador a galera daqui morre de inveja, afinal é a terra de todos encantos. Não vejo a hora da festa começar!
 
2. Como está a cena eletrônica carioca depois da The Week?
A vinda da The Week pra o Rio só acrescentou. O Rio andava meio carente de bons serviços e de diversificação. Foi preciso a vinda de empresários paulistas para que os cariocas acordassem um pouco. Eu, particularmente, só vejo pontos positivos nisso. Quanto maior a concorrência, muito mais uma casa e/ou festa precisa oferecer aos seus freqüentadores. A qualidade da The Week chegou ao Rio com tudo, aumentando o patamar das produções e principalmente o respeito ao público.
 
3. Conhecido como um templo do House Carioca o Cine Ideal criou uma identidade própria com o público. Mesmo assim você acha que o público se divide nas noites concorridas do Rio?
Como eu disse antes, quanto mais locais, melhor... Só faz contribuir pra cena. O público tá aí, sempre querendo curtir, a única diferença é que agora existem opções para todos os tipos de público e de gostos. Quer ir para uma noitada com um som mais “pesado”... vai pra The Week. Que ir para um lugar de bebida liberada e ouvir o tribalzão, vai para o Cine. É apenas uma questão de escolha. Cada local tem sua vibe. Não existe um melhor, nem pior, cada pessoa acaba se identificando e, assim, montando sua programação.
 
4. Você já tem algum conhecimento de como se comporta a cena eletrônica de Salvador?
Apenas uma leve idéia, pelo pouco que já pesquisei, inclusive fuçando o Farofa Digital, e pelo que os meninos da MCs Produções me falaram. Estou bem ansioso para conhecer de perto a cena local. Chego a Salvador no dia 30 de abril e isso foi um pedido meu para a MCs Produções... Quero conhecer toda a cena de Salvador.
 
5. Excesso de estrelismo ás vezes prejudica os Djs cariocas quando o assunto é se apresentar em outros estados como Salvador?
Excesso de estrelismo prejudica qualquer DJ, em qualquer lugar. Sempre digo: humildade acima de tudo! Faça o seu e faça bem feito, sempre com o pé no chão, que você caminha para o sucesso e o reconhecimento do público.
 
6. Você considera a mídia especializada em música eletrônica no Rio fundamental para a valorização da cena ou sua opinião é como muitos falam que, a mídia especializada do Rio só divulga os amigos?
Discordo. É claro que uma certa camaradagem acontece aqui e acolá, mas os cariocas sabem reconhecer a coisa quando é boa. Se o DJ for bom, mesmo sem conhecer ninguém, ele vai ter o seu valor reconhecido, apesar de existir uma dificuldade que é comum pra todo mundo que tá começando. E mais cedo ou mais tarde, até acaba se destacando. Aqui no Rio, os sets dos DJs quando saem na mídia especializada são baixados, ouvimos muitas críticas e se não tiver antenado e com uma boa pesquisa, não tem amizade e influência certa: não vinga.
 
7. Hoje no Rio de Janeiro quem são os promoters que mais investem e acrescentam na cena local?
Acho que todos que vêm com o propósito de agregar, adicionar sangue novo, energia nova, idéias novas na cena, são muito bem-vindos. Cada um da sua maneira, mas o importante é colaborar - sejam com festas grandiosas ou pequenas pool parties na Zona Norte. Público, o Rio tem, só basta saber explorar e investir. Os cariocas, assim como o público alternativo no geral, gosta de coisa boa. Quem bota as caras na rua e se propõe a um trabalho com honestidade e sinceridade, pra agregar a cena, vai ser reconhecido.
 
8. O tribal continua sendo predominante na cena alternativa brasileira, entretanto, o electro ganhou um espaço que parece ser absoluto e novas vertentes do estilo como o electro tribe já demonstram que mudanças sempre são bem vindas, principalmente em Salvador, onde estas mudanças acontecem sempre e embora alguns (poucos) ainda não saibam, mas a cidade tem uma cena bastante moderninha. Como você analisa essas mudanças e a questão do electro dividir com o tribal o gosto do público alternativo?
Sempre bati na tecla: o tribal não morreu. Apenas se adaptou à nova explosão do electro, tendo adicionado siths pesados em seus loops! Mas eu acredito que essa mudança, esses booms de novos estilos só vêm acrescentando mais e mais à cena eletrônica. Tanto é, que nenhum DJ gosta de dizer que é só DJ disso ou daquilo. Eu, por exemplo, toco o que é bom! Sempre com a base no tribal, mas apurando bem os ouvidos, sentindo as batidas, você vai ver trance de bpms mais baixos e electro em meus sets. 
 
9. O que o Dj Maver vai apresentar na War?
Os meninos da MCs Produções me pediram pra fazer o melhor set de minha vida. Até hoje me lembro do Mau Azevedo me ligando de manhã cedo pra acertarmos a questão do contrato e ele me perguntando: “Maver, vou pôr no contrato que você é obrigado a fazer o melhor set de sua vida, viu?” (risos). Quero apresentar um pouco de minha vibe, do que ando tocando aqui no Rio e o que acho de melhor e mais novo no tribal progressive. Muitos lançamentos, muita novidade, pois o case tá cheio!
 
10.Qual a mensagem do carioca para os moderninhos e descolados que vão curtir a War neste sábado dia 03 de maio?
Eu pretendo fazer os baianos terem a melhor trip de suas vidas. Meu set vai ser totalmente uplifting nessa minha estréia em Salvador. A idéia é guerrear, usando o tribal, usando as caixas de som, usando o CDJ, os efeitos, as pegadas de trance e electro, para alcançar a liberdade máxima da curtição!
A ordem é se divertir e dançar! Se depender de mim, essa festa ficará para história de Salvador. Aguardem... e que venha a guerra!


 

 

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