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Perfil
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Cada vez mais cresce o número
de artistas que abraçam as causas GLS, em se tratando de Márcia Freire bem
antes de gay virar moda ela já se vestia cheia de fechação e subia no trio do bloco
“Cheiro de Amor” arrasando e conquistando multidões e adoradores em sua maioria
GLS.
- E olha que esta história foi ah
muito tempo atrás, mas agora se torna aberta e oficializada, a torcida que veste o
vermelho deste "furacão loiro" é do tamanho da torcida do Bahia e mais um pouco,
não é a toa este titulo de “Furacão”.
- Por essas e outras é que
pegamos a Márcia de jeito e com muito cuidado,sem nenhum estrelismo mas com
muita simpatia ela nos recebeu com um sorriso
transbordando de brilho e positividade, mostrou força nas suas palavras e a
inteligência de uma "sagitariana" arretada que sabe o que quer e o que defende.
- Então chega de enrolação, a
conversa agora é olho no olho com um alto teor de revelações surpreendentes.
Entrevista com Márcia Freire-
Por
Davi Santos
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Qual a sua expectativa de fazer seus ensaios pela primeira
vez em um club GLS, embora você seja adorada há muito tempo por este público,
mas sabemos que esta é sua estréia e uma estréia é sempre um começo.
- Realmente eu nunca fiz um
show totalmente direcionado para o público GLS este é o primeiro, considerando
que o Off club apesar de ser um club GLS não é só freqüentado por esta fatia,
uma grande parte de héteros curtem o club porquê o som é bom e a turma é legal,
isso é um diferencial destes ambientes, a pluralidade é significativa. Tudo
isso foi levado em consideração quando escolhi o club para comandar meus
ensaios. Ressalto também que desde o começo de minha carreira o público GLS
sempre esteve comigo, não só no tempo do Cheiro, mas no bloco em Aracajú e em
outros estados.
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- Fale um pouco sobre seu novo trabalho e o que Márcia Freire
nos reserva de novidade, mas pra frente.
- Estou trabalhando meu novo
disco com grandes músicos da Bahia como Saul
Barbosa e Jerônimo, nas 10 faixas do meu novo Cd, uma ou duas músicas destes
grandes compositores estarão em destaque até mesmo na parte de mídia e execução
nas rádios de Salvador.
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Na sua visão, o que significa Márcia Freire na cena GLS atual.
- Acredito que não seja
somente a cantora Márcia Freire e sim o feeling da minha pessoa como cidadã que
respeito qualquer que seja a opção sexual de cada um.
- O meu trabalho não segue uma
ideologia onde só quem pode curtir é o "lado A ou B", música é para todos, tento
conduzir meu trabalho da melhor forma possível de modo que seja acessível para
todos assim como a Daniela Mercury a Margareth Menezes a Simone Sampaio que são
todas minhas amigas e que acredito que tenham esta mesma filosofia. Creio
também que a turma gay percebe que temos uma história que associa respeito e
carinho, além de ser um público exigente é um público fiel àquilo que gosta,
eles compram o Cd, valorizam, cativam, vão aos shows e tudo isso é muito
positivo na carreira de um artista que tem o privilégio de ter este público
como fã.
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- Se eu estiver enganado me corrija, mas acho que no palco o
que identifica muito você e as demais cantoras (Daniela, Margareth, Simone
Sampaio) com o público GLS é a forma de se comunicar com a galera,
as vestimentas que também chamam atenção e o comportamento extrovertido e até
fechativo de ser
e se fazer presente, você concorda?
- (Risos) É verdade, você tem
razão, tem tudo a ver a roupa e a fechação é explícita, mas considero que além de
tudo isso que você falou o que mais tem a ver é que me sinto bem em saber que este público
gosta do meu trabalho, isso para mim é um orgulho.
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- Este é o começo de um novo trabalho que se expande dentro da cena
GLS, esta expansão que agrega um universo democrático já faz parte
da nova Márcia Freire em 2006?
Estou
caminhando para
isso,
é provável que em 2007 venha
algo voltado diretamente para este público, um bloco alternativo, deve rolar
sim, assim como a Margareth que aliou o seu "Mascarados" a um conceito
que se assume como "democrático", temos um projeto com este mesmo referencial,
projeto que nasce com a crença de que a cena está mostrando a cara e se
fazendo perceber que; Orientação sexual não diferencia em nada daqueles que se
acham normais, Somos todos seres humanos e devemos o respeito um ao outro
independente de sexualidade.
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- E a não participação da Márcia Freire na Parada Gay?
- Realmente, eu estava devendo
ao pessoal, mas tive problemas de alteração na Agenda devido a minha
participação no programa "Domingão do Faustão", e quem está envolvido
no meio artístico sabe o quanto é difícil entrar na mídia, quando surge um
convite a gente tem que segurar, e foi o que aconteceu, por coincidência no
domingo da Parada Gay eu estava no Programa, fiquei superchateada porquê a
mídia caiu em cima e não procurou entender o que estava acontecendo, mas eu
estou devendo e gostaria de pagar com todo prazer porquê é uma turma que eu adoro.
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- E a divida de Rainha da Parada Gay você paga este ano?
- (Risos) Eu vou pagar sim, um
público que sempre esteve comigo merece que esteja ostentando este título que
para mim será uma
honra e sou orgulhosa deste carinho, se
surgir o convite eu estarei lá sim com toda certeza.
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No contexto geral alguns artistas tem uma simpatia muito
grande pelo público gay, porém eles não citam nem evocam de forma direta esta
simpatia porquê
na mentalidade deles isso pode afetar a outra fatia do público (diga-se
heteros). Isso não acontece com alguns artistas como Daniela Mercury que sempre
faz questão de falar em seus shows e até mesmo quando passa na Av. Oceânica
na Barra durante
o carnaval ela faz questão de
saudar dignamente os foliões que estão presentes no famoso beco do Off. E qual
seria sua opinião
em relação a este
comportamento tão
negativo destes
outros artístas?
- Eu não tenho preconceito
nenhum, pelo contrário, acho que todo artista deve abraçar cada vez mais o
público GLS, porquê são fiés, de qualidade, inteligentes e quando gostam é como
se fosse uma torcida que está defendendo o seu time seja na fase boa ou ruim!
- Respeito a gente não aprende
na escola, vem de berço de criação, e quando você passa a descobrir as
diferenças de cada um e respeitá-las você leva este conceito junto
contigo seja em que trabalho for e não se submete a limitações temendo o que a
sociedade vai achar ou não se você levantar uma bandeira que não seja a
habitual moldada pela sociedade para ser seguida por todos. Eu freqüento boates
Gays tanto em São Paulo como em qualquer lugar, gosto do ambiente que considero
saudável e das pessoas, os locais onde se concentram gays são os locais mais pacíficos,
ninguém estar preocupado com etiquetas e modos, eles estão a fim é de ser
feliz, O Artista é ilimitável!
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- Uma mensagem para o público que te adora.
- O importante é o amor a
união e a felicidade de cada um, independente que seja João com João ou Maria
com Maria, vamos caminhar para um futuro onde o respeito é prioridade,
precisamos acreditar nesta idéia e tentar executar, se cada um fazer a sua
parte e for para o bem, com certeza este futuro estará bem próximo.
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Entrevista
realizada em Janeiro
de 2006 por Davi
Santos
- Local:
Boate Off club
- Agradecimento:
Promoter Sandro
Lopez
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