Perfil::::
O que passa na cabeça do homem que beijou Frota? Talvez este rótulo não se coloque bem na pessoa de Maikon Milani, o Modelo que se consagrou pela ousadia de aparecer numa revista de nu masculino beijando o astro mais polêmico da Tv Brasileira.
Na noite especial do show de Maikon Milani na Boate Off Club batemos um papo com o Maikon que mostra o outro lado da Moeda, revelando um profissional culto inteligente e acima de tudo, simpático e verdadeiro.
 
Entrevista por @David Santos

FD-Maikon Milani e suas raízes.

Maikon Milani-Eu sou do interior de São Paulo de uma cidade que se chama Rio Claro, tenho 25 anos, São Paulino de coração, e do signo de Gêmeos venho de uma família de militares.

2. Sobre o Trabalho na G Magazine, o que trouxe de benefícios na sua carreira depois do rotulo “O homem que beijou frota na Boca?”.

Quando eu fui selecionado para fazer a foto com o Frota primeiramente houve uma enquête na Internet com 30 modelos, destes 30 um deveria ser selecionado para fazer a foto do beijo, eu fui o mais votado, depois o produtor da G Magazine me ligou e conversou sobre a idéia do trabalho onde eu não poderia aparecer na mídia. Eles usaram uma jogada de marketing para vender a revista o que acabou dando certo. Essa história toda de que Frota estava tentando barrar o ensaio por causa do beijo, foi tudo armado justamente para instigar a mídia e alavancar o lançamento do ensaio.

Depois foi só negociar o cachê que diga-se foi muito bacana.

3. E o lado negativo da coisa?

Eu sou modelo e ator profissional, perdi um trabalho de propaganda de produtos infantis devido a revista, o produtor da propaganda sabendo que eu era o modelo que havia feito a foto polêmica do beijo, me falou que não seria legal fazer a propaganda porque vai associar a imagem de um cara que beijou outro numa revista Gay para um produto de criança não vai pegar bem, então perdi alguns trabalhos mais não me arrependo por que acho que poucas fecharam e a maioria das portas se abriu devido ao sucesso da revista.

maikon6.jpg4. Quais os trabalhos conquistados com o Fruto da polêmica foto do beijo?

Eu fiz uma edição Especial da G Magazine que a própria editora nunca fez com nenhum modelo, “Um modelo posando em toda a revista e mais ninguém”, já é a quinta vez que fotografo para a G Magazine.

A parte ruim desta história foi ter perdido os trabalhos que eu citei, devido ao preconceito, e comentários sobre a minha sexualidade. Acho que a minha sexualidade só interessa a mim, a quem está comigo, a minha namorada e aos meus pais, o resto é resto não me interessa o que pensam ou deixem de pensar. Claro que no começo eu fiquei um pouco preocupado com a minha imagem é obvio, mas depois eu pensei durante uma semana e resolvi com o meu agente, ai resolvi fazer o trabalho. Agora só tenho a agradecer, foi uma oportunidade única, se não fosse eu seria outro e claro trabalho não se joga fora desde que seja honesto e visto de forma profissional.

5. Virou um artista badalado na cena moderninha?

Desde quando eu fiz a foto do beijo que eu não paro em casa, eu viajo todos os meses e faço apresentações todas as semanas em variadas cidades. Antes de vim para Salvador passei por uma maratona de apresentações no Norte Nordeste, fui para Recife, Maceió, Piauí, Maranhão, Recife novamente e agora Salvador. Faltou João Pessoa que deveria ir, mas tenho compromissos a cumprir na minha cidade e depois de cumpri-los retorno às viagens.

6. E o futuro o que pretende fazer?

Estou abrindo uma empresa de transportes que é um sonho que tenho e agora eu devo realizar porque esta é uma fama passageira não dura pra sempre

7. E a questão rótulo?

maikon2.jpgDe inicio até me preocupava, foi legal causou polêmica, mas agora eu pretendo trabalhar o outro lado, divulgar a revista que sou destaque, agora claro que sou consciente de que se não fosse o beijo e toda a polêmica eu não estaria fazendo o que estou fazendo agora, nem teria tido tantas chances que agora estou tendo. O que estiver me dando grana honesta trabalhando está ótimo eu não tenho o que reclamar.Estou trabalhando muito desde outubro de 2000 quando sai pela primeira vez na G Magazine, o primeiro mês foi fraco o segundo foi melhor e do terceiro pra cá venho tendo ótimas oportunidades na minha carreira me rendendo bons frutos, então só tenho que estar muito satisfeito com tudo isso que está acontecendo.

8. Sabemos que este é um trabalho passageiro, enfatizando também que este trabalho está mais direcionado para o universo GLS, um fator verdadeiro que não tem como negar. Sobre as suas realizações futuras, você não acha que o trabalho que você vem exercendo hoje possa refletir nos seus projetos futuros?

Na verdade eu ia parar de dançar no ano passado, eu não trabalho somente na noite, eu trabalho em outros campos no meu dia dia. Eu quero abrir uma empresa de transportes, sei que é um investimento um pouco alto. Este é um projeto meu e de um amigo de infância que é meu sócio e estamos investindo uma grana legal. Deveria abrir a empresa até Dezembro do ano passado, mas devido ao sucesso da revista eu tive que adiar, pois seria uma grana a mais para o desenvolvimento deste trabalho.

9. Os projetos que você deverá desenvolver serve também de estimulo para você parar de dançar?

maikon3.jpgEu achei que até Maio ou Junho deste ano eu pararia de dançar porquê sei que a qualquer momento tudo isso vai passar é obvio, este é um mercado competitivo, sempre aparece caras novas, artistas melhores e o trabalho vão ficando ultrapassado, mas como tenho 6 anos de noite eu já não me preocupo com a queda do sucesso, não sou nem um pouco deslumbrado com aquela coisa de se achar estrela, com o sucesso enfim sou uma pessoa muito com o pé no chão e consciente do momento certo que devo parar.

10.Qual o seu segredo para desenvolver o trabalho de streaper?

Acho que primeiramente a humildade de saber dar valor ao que te fez conseguir a fama e respeitar os outros profissionais também.

11.Você não se arrepende nem um pouquinho em ter posado para a G Magazine?

O ator Théo Becker deu uma entrevista dizendo que se arrepende de ter saído na G Magazine. Se ele não tivesse saído na G Magazine ele não teria sido chamado para fazer novela, nem tampouco seria um rosto famoso na mídia, Eu não me arrependo. Só não fotografo para a G Magazine de novo por que já é a quinta vez que poso para a revista, eu recebi uma outra proposta para posar em duas revistas americanas a Melo Magazine e a Play Griils. A Play Grills é mais conhecido mais conceituado, mais não paga cachê, já a Mello Magazine é lançada nos mesmos lugares que a Play Grills mais paga um cachê bacana o que para mim é mais viável já que tenho objetivo a realizar como a minha empresa de transportes. Então daqui a três meses eu devo fotografar para a revista.

12.Já recebeu propostas de fazer filme pornô?

Várias vezes, eu fui convidado para fazer um filme este ano mais não é pornô, é um curta metragem de um cineasta carioca. Estou estudando o roteiro e conhecendo um pouco de conteúdo do filme. Então filme pornô não agora, acho que não rola não.

13.Você é uma celebridade no universo GLS, como é que sua namorada avalia este tipo de trabalho?

maikon4.jpgA minha namorada tem uma cabeça muito aberta em relação ao meu trabalho, já morou na Itália, desfilou pra grife Versatte, então ela é muito descolada. No começo ela foi muito quadrada mais aos poucos, convivendo com o meio em que vivo, levando para as minhas apresentações, ela foi vendo que não tinha nada ver e hoje se formos para as baladas, escolhemos sempre Boates Gls para curtir. Este é o meu trabalho é o meu público GLS que não abro mão.

14.Quando você não está se apresentando para quais lugares você gosta de ir?

Os heteros assim como eu há seis anos atráz quando nunca tinha entrado em uma boate GLS achava que era uma coisa assim, do outro mundo. Chegavam a comentar “Você vai entrar em uma boate GLS os caras vão te olhar, vão te agarrar”. E logo quando fui pela primeira vez vi que tudo isso não passava de um estereotipo que as pessoas desinformadas criavam em suas mentes em relação ao meio GLS.

Os Gays em sua maioria ao contrário dos heteros são muito educados, divertidos, e freqüentam os melhores lugares.

Logo no começo quando eu queria ir para uma Boate GLS a minha namorada questionava “há você já trabalha no meio GLS e quando é para curtir a gente tem que ir pra lugar GLS” então vamos para uma Boate hetero. Aos poucos ela começou a analisar que a balada GLS era muito melhor, era mais divertida, a galera era bem mais descolada. As músicas são melhores, tudo é melhor e funciona melhor em uma boate GLS.

15.Sofreu muito tipo de preconceito da sociedade?

Acho que o problema de quem convive no meio, quem faz o trabalho de gogo boy, streaper acaba sendo tachado de michê, ou garoto de programa, ou é gay, às vezes quando o profissional não tem uma certa cultura, ele acaba se deixando levar pelos rótulos que os colocam, e acaba ficando com uma imagem que ele não queria para ele, mas as circunstâncias o levaram para aceitar este tipo de rótulo.

As pessoas confundem as coisas e eu sempre fui um cara que gosta de lê, me manter informado, pois todo este conceito que impõem sobre os profissionais de streap tease, tudo isso não faz bem para o ego, faz sim muito mal.

16.Para terminar, uma mensagem para a galera GLS de Salvador.

maikon5.jpgQueria agradecer ao Farofa Digital, eu acho bacana, é um espaço a mais para o público GLS. Já trabalho há seis anos para o público GLS, é um público que mora no meu coração e que dependo deste para o meu sucesso. Não tenho preconceito algum com o público Gay, ao contrário tenho muitos amigos gays.

Eu acho que infelizmente o maior preconceito ainda está com o próprio público GLS que além de ser discriminado por uma parte da sociedade, dentro da própria sociedade gay existe um maior número de preconceito entre eles, o próprio homossexual tem um grau muito grande de preconceito dentro dele. Por exemplo, uma pergunta que sempre fazem: E o beijo como foi? Eu respondo foi um beijo técnico, não houve beijo de língua e o pessoal não acredita. Se fosse para beijar de língua eu beijaria, qual é o problema? Eu sou ator e estou propicio para interpretar o roteiro. Isso faz parte de um bom profissional. Acho que cada um tem que cuidar de sua vida, ninguém deve nada pra ninguém, ninguém sabe o que é o certo ou errado. O nosso destino quem faz somos nós mesmos, a sociedade não paga as nossas contas, um beijo pra todos e vamos em frente.
 
 
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