Entrevista com o DJ Leandro Becker
 
De eletricista á modelo, de modelo para Dj e de Dj para as capas da G Magazine, na vida de Leandro Becker pode ser de tudo um pouco desde que seja com bastante profissionalismo, honestidade e dignidade. Estes ingredientes fizeram o alicerce perfeito para que o Dj se firmasse como uma das grandes revelações da house music do momento, ganhou a disputada residência da X-demente, a mega e-party carioca, é o sucesso chegando para quem merece. O Dj esteve em Salvador para comandar a Pickup da Off club, tradicional Boate baiana e em entrevista exclusiva ao FD o Dj fala desta explosão, da reação da cena e da revista G Magazine, além de outras coisitas mais.
 
Entrevista por Davi Santos e Michel de Freitas
 

 

Das Passarelas às Pickups
Lá em São Paulo a gente tem a cultura de vipar, de levar vip pras agências de modelo pra ter uma galera bonitinha nas festas, aí eu pegava todos esses vips e distribuía só para que eu queria, sabe? Aí nisso eu chegava sempre com o povo bonito nas boates e chamava atenção.
Aí os promotores falaram: você consegue trazer mais vinte, mais trinta pessoas?
 
Daí eu fui levando, levando, quando dei por mim já estava promovendo noite, já estava tocando também.
Hoje estou tocando. Nunca fui muito chegado a modelar, mas de vez em quando ainda faço umas coisinhas assim. Prefiro tocar, fazer os esquemas dos desfiles a tocar.
 
O estilo musical
House e suas vertentes. Desde o Dipp house, passando pelo Eletro House, Progressive, Drible, varia muito com o local em que me apresento, das pessoas, procuro varias pra agradar a todos.
 
O convite da G Magazine
(risos)Foram dois anos de negociação, logo após o concurso promovido pelo Mix Brasil "os 10 homens mais sexys do mundo". Quem votou lá, me conhecia e votou em mim. Depois do concurso, surgiu o convite, eu não queria, mas fomos negociando durante esses dois anos até que fechamos.
 
A nudez diante das câmeras
Poxa, tirar fotos pelado é uma coisa que não faz parte do meu dia a dia, é diferente para mim, mas foi um trabalho bacana, uma etapa por qual passei que me abriu várias portas. Muito legal mesmo!
 
Um dos mais sexys do mundo - O EGO
Lógico que o ego é bacana, mas não vejo por essa ótica de ser um dos mais sexys do mundo, o que acho é que a galera como tem contato comigo, mistura a simpatia, o sentimento que passo através da musica, acaba sendo influenciada por isso e me elege.
Não me acho um dos, mas procuro encarar como desafio, mostrar ali que não estou porque alguém me achou bonito, e sim porque, realmente, eu agrado as pessoas, e faço o som para agradá-las.
 
Prefiro ouvir que meu som é legal em vez de que sou bonito. Beleza, hoje em dia, a gente compra em qualquer salão, feeling a gente desenvolve, técnica a gente adquire.
Meu ego fica mais massageado quando elogiam meu som do que a beleza em si.
 
A reação dos Outros Djs com o ensaio da G Magazine
Acho que foi bacana. Eu não fui o primeiro, tem o Mauro Borges. Acho que todos os DJs apoiaram, sou amigo de todos, uns falaram que não teriam coragem, outros disseram que se fossem convidados iriam também.
 
A Vinda à Off club
Eu tinha uma boate em Fortaleza, a Ultralounge e lá eu sempre ouvia falar, pois uma galera de lá vem passar o carnaval aqui e sempre falavam da Off. Acho que foi mandado um projeto aqui para Off a fim de fazer a divulgação da revista, que saiu em fevereiro. Como essa época é muito tumultuada aqui pela folia do carnaval, nós atrasamos um pouquinho a minha vinda, mas cheguei!
 
A extinção da Ultralounge em Fortaleza
Os dois primeiros anos foram muito bacanas, mas por a gente não conhecer muito a cidade ainda, terminou sofrendo um pouco com concorrências, que às vezes foram desleais. Hoje em dia, a galera confunde um pouco concorrência, não sabe mais o que é concorrência sadia.
Mas são águas passadas, amo todo mundo lá. Durou o tempo que tinha de ter durado, suficiente pra fazer amizades e aprender muita coisa.
 
As nuances de uma super E-Party e um clube
Hoje em dia tá bem globalizado, tantos DJs e o q eu eles sabem fazer nenhum local deixa a desejar pra qualquer outro DJ de megabody,  as músicas são bem atualizadas. Tendo a Internet, só não se atualiza quem não quer.
O que muda mesmo é o tamanho, lá na X-Demente as festas chegam a ter 5000 pessoas e num clube como a Off a quantidade é menor, e eu até prefiro, fica uma coisa mais aconchegante, mais intimista, a reação do público é mais gostosa.
 
Os Djs Performáticos
Acho que cada um tem seu estilo, todos têm seus valores e deve-se respeitar cada um. Acho que na casa já tem o povo que dança, o rapaz da iluminação, o caixa, o Dj. Acho que cada um na sua função funciona mais certinho. Nada contra DJs performáticos, mas acho se perde um pouco o foco. Acho que se focalizar só na música, o trabalho fica mais bem feito.
 
Sobre Salvador
Já tinha vindo aqui antes de passagem, mas meu pai é baiano de Ilhéus. Infelizmente não vou ter tempo de ficar mais, mas se Deus quiser não vai faltar oportunidade de voltar. Eu sei como são as coisas aqui na Bahia, tenho também parentes em Itabuna, e vou embora com vontade de ficar mais.
 
Mensagem aos Farofanautas
Primeiro parabenizar por tudo, pois é através de portais como este que a gente pode acompanhar o que está acontecendo na cena eletrônica nas outras cidades e pela variedade de assuntos abordados lá.
O povo daqui de Salvador é fora de sério, todo mundo sabe, não estou babando ovo, mas é real mesmo. É diferente de qualquer outro povo.
É muito legal esse trabalho de vocês do Farofa, que fazem um trabalho muito bem feito e mostram pro povo que a galera GLS está dominando.
Tudo de bom pra vocês!!!
 
Entrevista feita em 25 de Março 2006 por Davi Santos e Michel Freitas

 

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