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Sexta, 29 de Fevereiro de 2008
No início há uma palavra, Tropicália, e um encontro mítico: Hélio Oiticica e
Caetano Veloso. O ano é 1967. Oiticica era um agente provocador das artes
brasileiras e Caetano, um cantor jovem disposto a pôr suas idéias em circulação.
Depois de "Tropicália, a obra", surge "Tropicália, a música". "Ouvi primeiro o
nome Tropicália, sugerido como título para minha canção, do cineasta Luís Carlos
Barreto, que me ouviu cantá-la em São Paulo e se lembrou do trabalho de um tal
Hélio Oiticica. Resisti a pôr em minha música o nome da obra de um cara que eu
nem conhecia", lembra Caetano Veloso. Depois da canção, "Tropicália, o disco".
Lançado em 1968, o LP Tropicália: ou Panis et Circenses reúne Gilberto Gil,
Caetano, Tom Zé, Gal Costa, Os Mutantes e Nara Leão. Tropicália foi ainda a moda
colorida, um jeito feliz de namorar e um programa de domingo pela televisão.
Surgia, assim, "Tropicália, o movimento".
Hoje, a Tropicália interessa ao mundo. Do mesmo modo que Marcel Duchamp faz mais
sentido para a arte agora do que Pablo Picasso (com sua concepção de que uma
idéia é já uma criação artística), o Tropicalismo ganha neste século
um caráter mundial. Mas o que aconteceu para que algo tão brasileiro passasse a
ser tão sedutor?
A resposta começa com a globalização e a Internet. Num mundo cada vez
mais multicultural e interativo, a colagem de gêneros e a participação do
espectador preconizadas pela Tropicália fazem total sentido. Eu organizo o movimento, eu oriento o Carnaval, eu inauguro o monumento no
planalto central do país´. Viva a banda, Carmem Miranda, e já lá se vão 40 anos
de desfraldar da bandeira tropicalista, forçando rupturas, cultivando a
inquietação, plantando desconfiança à esquerda e à direita, da política à
estética, da música às artes visuais, passando decisivamente pelo
comportamento.
Para homenagear os 40 anos da erupção tropicalista e, ao
mesmo tempo, sugerir reflexões sobre a herança desse movimento cujos ecos
continuam a se fazer sentir, o público baiano poderá conferir o encontro de
Jorge Mautner, Gal Costa e Tom Zé e os Cavaleiros de
Jorge e Paulinho boca de Cantor á partir das 18hs
deste sábado 01,em um palco armado em cima do mar do
Porto da Barra.
São 40 anos do movimento que mudou os paradigmas das artes no país
então, vamos comemorar.
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