Lançado no México e já editado na França
e Itália, o livro chega ao Brasil pela A Girafa Editora, com a principal
característica de contribuir com algumas reflexões sobre o papel que a
homossexualidade desenvolve na cultura e na sociedade contemporâneas, ajudando
os homossexuais, suas famílias e seus terapeutas a compreender melhor a vida
diária e a psicologia do homossexual.
Ficará claro ao leitor, já no sumário do
livro, que a autora não busca nos apresentar um estudo sociológico, literário ou
histórico sobre o tema e sim expor as diferentes definições e explicações da
homossexualidade e a maneira pela qual se constrói a identidade
homossexual do ponto de vista do subjetivo e social, no seu
dia-a-dia, da infância a idade adulta. Marina Castañeda, não tenta
enfeitar a homossexualidade, nem mostrar que é um fenômeno equiparável ao
estilo de vida heterossexual. Ao contrário, procura detectar, tornar claro e
explicar suas particularidades: a diferença, não a
semelhança.
Trechos do livro:
.... O homossexual
nem sempre é homossexual. O heterossexual, sim.
Em todas as relações sociais, profissionais e familiares, sua orientação
sexual é sempre uma parte de sua identidade essencial. O homem heterossexual
entra em relação com os homens e as mulheres de um certo modo, que exprime
abertamente sua orientação, globalmente invariável. A mulher heterossexual tem
gestos, condutas e maneiras de falar que refletem não somente sua
feminilidade, mas também sua
heterossexualidade....
... Em contrapartida, o homossexual
não se desloca no mundo com uma identidade constante. Suas atitudes, seus
gestos, seu modo de entrar em relações com os outros mudam
conforme as circunstâncias. Ele pode parecer heterossexual no escritório,
assexuado na família, e expressar sua orientação sexual somente na presença de
alguns amigos. Ou então, durante longos períodos de vida, pode negar
completamente sua homossexualidade e parecer exatamente o contrário: um Don Juan
ou uma mulher fatal sempre à procura de novas
conquistas...
... Os termos
"butch" (sapatão) e
"femme" (mulher), usados nos Estados
Unidos para diferenciar a lésbica "masculina" da lésbica "feminina", não têm
mais a significação que tinham há apenas dez anos. Na fórmula clássica que, por
muito tempo predominou no mundo ocidental, as lésbicas masculinas saíam com
lésbicas femininas e podia-se muito bem distinguir quem era quem no casal.
Atualmente, exatamente como no mundo heterossexual, formou-se uma espécie de
território neutro, mais ou menos andrógino, em que seria muito difícil
distinguir as lésbicas masculinas das femininas. Além disso, vemos cada vez mais
casais formados por duas sapatões, ou por duas mulheres, o que teria sido
impensável há apenas alguns anos...
...Muitos autores escreveram que todos
nós somos bissexuais. Outros escreveram que ninguém é bissexual.
E outros dizem que a bissexualidade não existe. Mas há, sem
dúvida nenhuma, um número crescente de pessoas que se definem bissexuais no
mundo inteiro. Há manifestações, publicações, associações, páginas da Internet e
camisetas para bissexuais. E a bissexualidade, desde sempre, ocupa um lugar
privilegiado na mitologia, na arte, nas fantasias e nos sonhos da
humanidade...
A obra nos coloca diante de temas e
questionamentos cotidianos aplicáveis a todos os indivíduos, independente da
opção sexual: Será que sou homossexual?; A descoberta tardia da
homossexualidade; O preço da mentira; "Sair do armário" nem sempre é possível,
nem desejável; A comunicação na família; A homofobia, diversas abordagens; entre
outros inúmeros temas. Imperdível.
Livro: A Experiência
Homossexual
Autora: Marina Castañeda;
Editora: A Girafa;
Nº de páginas: 238
Preço: R$47,00