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29
de Agosto de 2010
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- Os dois papais vão comprar um porquinho-da-índia. A pet shop oferece desconto
de 20% sobre o preço de 17,95 euros. Quanto o casal precisa pagar? Problemas
como este passarão a fazer parte dos livros de matemática das
escolas holandesas. Mas não apenas em matemática, também em outras disciplinas
como geografia e língua estrangeira, a realidade homossexual de casais e pais
não será mais ignorada.
As escolas finalmente deverão abordar as relações homossexuais, destacou
Eberhard van der Laan. Com 55 anos e pai de cinco filhos, ele é prefeito da
cidade de Amsterdã, que por causa dos seus muitos canais não é divulgada pelo
turismo mundial somente como a Veneza do Norte, mas também como uma metrópole
gay. O apelo do prefeito tem agora o apoio da maior editora de livros didáticos
do país.
"Livros didáticos estão sempre ligados ao nosso cotidiano", disse Frans
Grijzenhout, diretor da editora Noordhof Uitgeverij. "Quando em um livro, por
exemplo, a família sai de férias, nas ilustrações estão sempre a mãe, o pai e as
crianças. Existe, contudo, outra maneira de contar a história."
Futuramente os livros escolares da Noordhof vão respeitar a realidade de
famílias com dois pais ou duas mães. Há muito que os livros da editora já trazem
figuras de meninas muçulmanas com véu na cabeça e também representantes de
outras culturas estrangeiras, diz Grijzenhout. "Da mesma forma nós tornamos
reconhecível a homossexualidade para crianças."
A Associação pela Integração dos Homossexuais da Holanda (COC) reagiu com
entusiasmo. Há muito tempo que era necessário colocar um fim à "normatividade
heterossexual em livros escolares", declarou a associação. No entanto,
integrantes da COC têm notado em muitos lugares da Holanda que a tolerância em
relação aos homossexuais vem diminuindo.
Mesmo a alegria do Orgulho Gay não pode ocultar que os ataques a homossexuais
tem aumentado. Até mesmo em Amsterdã, casais gays relatam que se sentem mais
inseguros do que antes. Segundo eles, os agressores são geralmente jovens
muçulmanos de famílias de imigrantes. Para a COC, o mais importante é que já nos
livros escolares "casais homossexuais sejam representados como uma coisa
normal".
Mas certamente isso não acontecerá em todos os livros. Calvinistas ortodoxos
rejeitam personagens gays no material didático de seus filhos tão
vigorosamente quanto os conservadores católicos. "A escola não tem direito de
forçar a emancipação homossexual", reclamou o periódico Reformatorisch
Dagblad, o principal jornal dos protestantes ortodoxos holandeses. E a
Associação para a Educação Cristã Reformada (VGS) deixou claro que não usará os
"livros homossexuais" nas escolas ligadas a ela.
- Prós e contras
- A tentativa de preparar crianças para a realidade homossexual através de
livros não é completamente nova. Dez anos atrás a autora holandesa Linda de Hann
fez sucesso com o livro ilustrado Koning & Koning (Rei e Rei). A
escritora contou a história de um príncipe gay que queria herdar o trono, mas
não pretendia se casar com uma princesa. No fim da história acontece um
casamento de contos de fadas entre dois príncipes, que juram fidelidade um ao
outro e prometem ser felizes para sempre.
Nos Países Baixos o livro foi um sucesso. Nos Estados Unidos houve
reclamações e processos. Os pais exigiram que fosse proibida a publicação
infantil ou que pelo menos os exemplares fossem retirados das bibliotecas. Até
que em 2007 um juiz federal norte-americano considerou por fim que a
"pluralidade é um símbolo da nossa nação".
RBC/dpa/afp Revisão: Carlos Albuquerque |