O casal, ele gay e ela lésbica.
Do amor sem sexo.

@Por A.J Gueiros

 02 de Agosto de 2010

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 Hoje que o casamento civil legalizado entre homens gays ou mulheres lésbicas já não causa espanto o que ainda traz admiração é o divórcio entre aqueles casais muito especiais em que o homem é gay e a mulher é lésbica.

 

 

Há pouco aconteceu aqui no Rio a separação de um par desse tipo, muito famoso e querido, que há vários anos convivia em perfeito entendimento e, da noite para o dia, decidiu, amigavelmente, desfazer seu vínculo matrimonial e seguir cada um seu destino. Por quê? Se havia uma convivência ideal só comparável a dos ingleses Vita Sackeville-West e Nigel Nicolson que até resultou no livro famoso, Retrato de Um Casamento, best seller mundial? Ela, uma aristocrata da mais fina linhagem da Inglaterra, mantendo casos com mulheres como Virginia Woolf e Violet Tresufis, enquanto ele, um escritor e notável diplomata, levava sua vida homossexual sem afrontas à sociedade.
 
Também foi o caso do compositor Cole Porter e sua fiel mulher Linda que se mantiveram juntos até o fim, apesar das dificuldades. Hoje em dia, inúmeras mulheres gostam de ter um marido gay que lhes escolha os vestidos, e as jóias, que lhes penteie os cabelos e lhes dê apoio na vida social. O Rio mostra atualmente dezenas de casais desse naipe. O que se nota nessas uniões fora do comum é a perfeita harmonia entre duas pessoas de sexos opostos que só encontram a plena satisfação sexual em relações homossexuais e no entanto se dão muito bem como marido e mulher – alguns até com filhos – e vivem por anos e anos em respeitosa convivência.
 
Cabe então a pergunta que os psicólogos se fazem neste momento: Por que separar se tanto lhes é permitido e a convivência mútua já se provou tranqüila e agradável ao longo dos anos? Não se diga que é o medo da solidão que une essas pessoas “especiais” pois em geral a comunhão se dá nas mais altas camadas da sociedade, em esferas elegantes e sofisticadas.
 
O que parece estar acontecendo no mundo permissivo de hoje é que a banalização do sexo ofuscou a própria magia do sexo e as pessoas estão preferindo os laços de ternura à simples gratificação dos instintos. As almas irmãs e companheiras não precisam de outros estímulos da libido para ficar juntas. É claro que em muitos casos as perversões sexuais dominam e sobrepujam a espiritualidade dos encontros e os dois indivíduos do mesmo sexo se juntam para elaborar orgias e praticar abominações condenáveis mas estamos falando aqui dos sentimentos elevados, do amor sublime que anda longe do mundo. É possível haver amor intenso longe do sexo? É uma experiência angélica mas só vale a pena se a alma não é pequena, diria Fernando Pessoa.
 
Esta matéria foi originalmente publicada no Blog Bairros.com do colunista J.A Gueiros em 01.08

 

 

 

 
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