Escrevo porque me sinto na obrigação de expor, da melhor
maneira possível, o que é ser gay e como viver a homossexualidade em toda sua
plenitude, sem neuras, enrustimentos e retardadices.
Sempre me incomodou o fato de muitos amigos e conhecidos gays
viverem uma eterna batalha contra si mesmos, tentando esconder aquilo que é
evidente e deixando de viver com normalidade o que se é, o que se sente, o que
se deseja na intimidade e fora dela.
Quando dei meus primeiros passos para tentar me tornar um bom
escritor assumidamente gay que realmente saberia como expor o universo gay de
maneira simples e transparente para os próprios gays (!!) e simpatizantes,
muitas vezes eu ficava abismado ao descrever temas que eu achava tão simples e
óbvios em meus artigos e a repercussão imediata e polêmica causada juntos aos
meus leitores.
Muitos anônimos me escreviam dizendo que eu era um cara
"corajoso" e outras dezenas de adjetivos que elevariam o ego de qualquer um. Mas
nunca me considerei um cara corajoso. Eu simplesmente faço aquilo que tem que
ser feito. Simplesmente busco o grau máximo de qualidade, transparência e
verdade em tudo que exponho em meus artigos.
Acredito que dou o primeiro passo e abro uma simples porta para
que você possa ver uma luz. Agora se você vai querer seguir o meu caminho
encantando... isso é algo que só você pode decidir, não é mesmo?
Já em meus contos, onde imperam altas doses de homoerotismo,
tento buscar o equilíbrio entre o sexo e as minhas verdades que se escondem nas
entrelinhas, loucas para ser descobertas por você.
Verdades para sua reflexão, onde sempre deixo claro quais os
motivos que levam os meus personagens a praticar as mais variadas formas de sexo
com seus parceiros e as conseqüências dessas relações, tanto no âmbito físico
(riscos para saúde, por exemplo), quanto no lado emocional (paixões, amores,
frustrações e esperanças) e até mesmo na questão espiritual (almas companheiras,
amor além da morte, hipocrisia dentro das religiões, etc).
No passado, eu me sentia frustrado ao ler as centenas de
histórias que leitores anônimos publicavam em diversos sites gays. Era uma
profusão de transas perfeitas, onde a maioria das fantasias eram realizadas com
homens lindos, hipersupermega dotados; aqueles bombeiros, policiais e
fardados em geral sempre à disposição, além de corpos sempre sarados e picas e
bundas cinematográficas em trepadas incomensuráveis, essas coisas. Tudo muito
falso, muito certinho, muito... triste.
Ninguém "mostrava a cara", ninguém promovia algo diferente,
inteligente, "pensante"; algo que me levasse a refletir sobre o conteúdo, os
fatos, o sexo em si. A maioria dos textos só servia para bater uma rápida
punheta e olhe lá!
Então isso também acabou se tornando um desafio para mim,
forçando-me a dedicar parte do meu tempo para a pesquisa, o roteiro, a criação e
a exposição de todo um universo do qual faço parte.
Além disso, sempre achei que eu também poderia - por
experiência própria - me considerar um grande conhecedor da alma masculina
(modesto eu, não? - risos) e postar aquilo que penso e sinto pelos homens (risos
duplos).
Minha preocupação é expor a nossa sexualidade da forma
mais crua e real possível, sem, é claro, deixar de lado o romantismo e altas
doses de erotismo, mas sempre unindo tudo numa mensagem final superior; uma
mensagem de alerta para que você possa praticar e fazer e viver plenamente tudo
aquilo que minha ficção oferece em entretenimento, mas sempre regada de
responsabilidade, maturidade e bom senso.
Acredito que nós temos o direito de trepar do jeito que nos dá
na telha, afinal, sexo é primordial e pronto! Mas sem nos descuidarmos do nosso
estado físico e emocional. Devemos cuidar do nosso corpo, não nos expondo
desnecessariamente às situações que possam nos prejudicar.
E, o mais importante, devemos preservar o nosso lado emocional,
sabendo com quem e principalmente como nos envolver com outro homem do jeito
correto. Tudo feito com equilíbrio, diálogo mais do que franco e harmonia nas
afinidades para que as coisas, no final, dêem certo.
Quando escrevi meu primeiro livro, "30 dias", meu foco
primordial era expor tudo o que uma pessoa é capaz de fazer quando busca o tal
do "príncipe encantado", mas não dá importância aos sentimentos alheios, ao bom
senso, à segurança e à realidade.
Jägger, o personagem principal do livro, é um sujeito
frustrado, inseguro. Um cara que sempre sofreu no amor e na intimidade, muitas
vezes por causa de sua extrema submissão ao parceiro do momento. Jägger
simplesmente se entregava e se preocupava excessivamente com o bem estar do
outro, sempre anulando os seus próprios desejos, asfixiando suas fantasias,
descartando seus prazeres em prol das vontades do companheiro de cama.
Quantas vezes não nos comportamos assim? Quantas vezes, por
medo de perder o "amado", nos anulamos totalmente e acabamos por nos tornarmos
simples bonecos infláveis de prazeres temporários?
O tempo passou e Jägger surtou! De repente, de uma hora para
outra, ele resolve testar em si mesmo os limites, os prazeres, as dores e os
riscos do sexo total e desenfreado.
Aproveitando-se de um período de férias curtidas longe de casa,
Jägger planejou e conseguiu se entregar completamente a dezenas de homens que
cruzaram o seu caminho; sem barreiras morais, sem escrúpulos, sem medos. Prazer
por prazer, caça e caçador, sexo pelo sexo.
Jägger mostra, em exatos trinta dias, tudo o que é possível
viver no lado obscuro da homossexualidade. Exatamente o que nós mesmos fazemos
no nosso dia-a-dia. Ou vai me dizer que você, durante suas caçadas diárias, não
vive buscando a trepada perfeita?
Jägger arriscou sua vida, em todos os sentidos, para poder
expor em seu diário o peso da sua insanidade. E acabou revelando todas as suas
experiências, muitas delas inimagináveis, para que o leitor pudesse comparar a
sua própria vida com aquilo que o personagem passou durante um mês.
Nas experiências sexuais reveladas no diário de Jägger, muitas
são vivências que tanto eu como você certamente já passamos um dia. Há realidade
em todos os atos, uma realidade que geralmente desprezamos ou tentamos esconder
de nós mesmos.
Quantas vezes não nos arriscamos durante uma transa? Quantas
vezes não nos entregamos a um homem sem identidade e em lugares desprezíveis que
ferem o nosso bom senso, só por causa de uma chupeta bem feita ou de uma gozada
em cinco minutos?
Quantas vezes não nos escondemos em darkrooms, em
interiores de automóveis estacionados em ruas desertas, em cinemas de pegação e
em banheiros públicos, sempre ávidos por encontrar o cacete mais "maior" ou a
bunda mais suculenta?
Quantas vezes não entregamos nossos rabos a um pinto
desprotegido só por medo de perdermos aquele bofe que achamos ser o
definitivo?
Então, aqui está o meu convite. Leia o diário de Jägger, e
compare nas entrelinhas a sua realidade com aquilo que escrevi na ficção. Tenho
certeza de que você vai se reconhecer em inúmeras situações. Tenho certeza que
você vai se surpreender com as verdades apresentadas.
E a pergunta feita no título desse artigo deixo-a para você
responder... com uma pequena modificação: será que vale a pena transar com
trocentos caras em exatos trinta dias?