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- Los Mexicanitos: Charles Albert e André
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- armem Miranda acabara de
falecer.
Naquela noite o triste e consternado André, no palco da Boate Pituba
desafinou. A notícia fora trágica demais. Infelizmente 1955 não tinha sido um
dos melhores anos para "Los Mexicanitos". Casa cheia e a melhor das publicidades
no Diário de Notícias do dia 04 de fevereiro, até mesmo clichê com foto do
André "o maior fenômeno vocal - o único travesti soprano em todo o mundo". Não
se admirem: A velha Bahia mostrava-se então infiel ao peculiar. Principalmente
em tempos de escândalos notórios da Luz Del Fuego. Que mal chegara a Salvador e
já fora de imediato advertida pela polícia "nada de ficar pelada dona Luz" e
tendo a sua jibóia raptada não pode dançar a insinuada coreografia, um ballet
esquisito ao lado do feminino André. Só podia ser praga da rival Elvira Pagã.
Contudo, no labirinto do destino o chileno André presumia
mudanças. Estas vieram.
Uma pane no automóvel da orquestra, os músicos em
debandada e o cansaço de tantas apresentações os levaram a sentar praça na
altaneira Feira de Santana. Na Princesa do Sertão até a década de 90 quando
vieram a falecer, nunca se ouviu falar em genialidade tão próspera quanto à dos
"amigos-irmãos" Charles Albert e André. Meigo, terno e profundamente
sentimental André certa vez me confidenciou "um dos meus maiores medos foi
quando tive a mão beijada num cumprimento cordial pelo General Costa e Silva,
após uma apresentação em sarau para dona Yolanda". Meu Deus, tremi e
engasguei...será que ele sabia que eu não era mulher?.
O
argentino Charles Albert era todo energia, desenvoltura e o rei das maracas.
- Dançarino, cantor, coreógrafo, cenógrafo, costureiro, tapeceiro de marca maior,
pintor de quadros e o que lhe admiro em profundidade: o premiado homem de
carnaval.
- Desfilou entre a nobreza das plumas e paetês do Hotel Glória e do
Copacabana Palace e marcou presença hegemônica nas antigas micaretas. Hoje é
nome de circuito de carnaval em Feira de Santana e mais das vezes a inteligência
sertaneja nos seus centros de cultura e arte lhes rende sérias e verdadeiras
homenagens.
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Portenho vaidoso, setentão, Charles Albert, não se
separava da peruca. Alias, segundo o refinado André a revelação de um segredo
materno [ mamãe dizia que batom e salto alto embelezam a alma]. Dela herdei o
dever de nunca me descuidar da aparência. Artistas são patrimônios do povo e as
pessoas merecem o melhor.
- Experimentos celestes cumpriram a sua missão. Digo
mais, é uma pena que nos tenham deixado.
Assim na terra como no
céu. Então é no firmamento, revivendo o "paraíso com o nome de Feira" e na
melhor micareta do além, gingando no bamboleio e se esbaldando numa rumba
angelical. Cercados de mariachis e com Deus. Inesquecíveis mexicanitos: Charles
Albert e André. Ariba!!!!
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