As dúvidas de ser ou não gay
@Por AngeLuz
Outubro 2008
 
Há algum tempo atrás, numa conversa via MSN com um amigo, perguntava-me ele o que é que definia um gay: se a atração sexual, se a dimensão emocional, se outros (isto a propósito de se poder optar ou não por ser gay) - então quanto a esta última questão (de opção versus orientação sexual), a resposta parece-me um tanto ou quanto óbvia e, se restarem dúvidas, uma breve reflexão acerca do assunto poderá ser elucidativa.
 
Primeiramente, fará sentido, no contexto da sociedade atual, optar por ser homossexual? Passar por todo um processo de exclusão social, de problemas familiares e frustações pessoais? - e para quem não tem verdadeira noção de todas estas problemáticas, pesquise um pouco na internet, não faltam blogs e testemunhos pessoais daquilo que é sentir-se discriminado. Continuando. E a necessidade de manter uma relação no anonimato? Naquelas alturas em que andamos apaixonados e nos apetece partilhar a nossa vida com o mundo? E a sensação de ver casais de mãos dadas, passeando pela rua sem problemas, aos beijos, com trocas de carinho, enquanto muitas vezes temos de resignar a um aperto de mão ou um sorriso mais cúmplice? Estas são questões pertinentes perante as quais nos deveríamos colocar quando falamos numa opção sexual.
 
E por outro lado, fará sentido optar por uma relação heterossexual, podendo inclusivé contrair matrimónio, e viver uma vida de sentidos frustrados? Sim, porque falamos de sentimentos e emoções, e por vezes dos mais básicos instintos. Imaginemos então a seguinte situação: o leitor vai a andar calmamente na rua e, sem se dar conta, sente uma ereção [um fenômeno bastante frequente!] - e agora? Olha em volta e percebe que poderá ter sido do olhar penetrante da mulher de vestido vermelho que passou por si, ou da postura sedutora de uma outra de pernas cruzadas sentada na esplanada ou simplesmente de uma qualquer imagem instantanea de conteúdo porno-erótico com estas duas personagens.
 
Delicia-se com a imagem e, se a vontade lhe permitir, mete conversa e envereda pelo complexo jogo da sedução, caso contrário, segue em frente descontraidamente.
Agora imagine que essas duas mulheres não existiam e no seu lugar estava um homem de jeans justos realçando as formas e olhar viril e um outro sentado na esplanada, com uma atitude desportiva e com uma t-shirt suada colada ao corpo.
 
O contexto físico é em tudo semelhante, com outras personagens. Mas a ereção mantém-se. Parece óbvio que não pode evitar esta situação - a hidráulica do pénis é controlada pelos mecanismos internos do cérebro humano em que o óxido nítrico ativa a dilatação dos vasos sanguíneos originando a ereção.
 
Então, agora vem o passo em que o leitor pode optar: aceita o impulso sexual que experienciou e envereda pelo mesmo jogo de sedução ou, o mais provável, segue em frente porque não acredita no que acabou de sentir ou porque a perspectiva de uma má reação por parte dos outros dois homens o deixa incomodado. Mas muitas vezes esta ereção irá voltar a acontecer e, principalmente na altura da adolescência e início da idade adulta, quando os níveis hormonais estão no seu auge, quando a maioria dos amigos inicia a sua vida sexual e gosta de partilhar, poderá tornar-se bastante frustante. E reparem que até agora ainda não nos debruçamos sobre a dimensão emocional das relações humanas - que torna tudo bem mais complexo.

As questões levantadas anteriormente, quando entendidas e solucionadas por cada um de nós, conduzem a um caminho evidente. A opção existe. Sermos nós próprios.

Mensagens dos Internautas

Giovanni L. Afonso - Uberlândia - MG
Parabéns, parabéns, e parabéns!
Tenho 45 anos e a mais de duas décadas venho tentando explicar essa questão da "opção" sexual com Deus e todo mundo...
Ô povinho difícil de entender!!!
Gostaria que pulverizassem o máximo possível essa reportagem (inclusive com a chave no bonequinho),pois seria de grande valia para muita gente.
Marcelo Godoy - Vitória da Conquista - BA
Onde ja se viu a casa que deveria exemplo no combate ao absurdo da desigualdade em todos os parametros sociais falando cometer um ato tão repugnante como esse que vergonha meu Deus
Silene Silva - São Paulo -SP
Nunca achei que a pessoa já nascesse com uma orientação sexual definida, a resposta a tudo isso está nos homens casados que sentem desejos por outros homens mais que não abrem mão de continuarem tendo mulhers. Isso seria uma orientação??? Bom, acho que  a matéria diz tudo, Parabéns aos autores e pela iniciativa do site em poder abrir esta questão tão pouco debatida.

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