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27
de Julho de 2010
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- Muito
é discutido sobre a violência praticada pelos homens contra as mulheres, seja no
lar, na rua ou no trabalho. A lei Maria da Penha está em vigor para punir esses
agressores em potencial na nossa sociedade e amparar as mulheres vítimas de tais
atos.
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O índice de violência masculina contra as mulheres é bastante alto aqui no
Brasil, representado XXX%, deixando de fora é claro, um número expressivo de
mulheres que são agredidas, mas que não buscam os seus direitos e preferem se
calar por vergonha ou medo de sofrer represálias. Porém, existe um tipo de
violência que está presente em nossa sociedade e que é tão grave quanto à
violência masculina: é a violência entre mulheres, seja a violência gerada pela
inimizade entre mulheres ou para ser mais específica, a violência doméstica
entre parceiras que convivem juntas.
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- A
violência entre lésbicas existe na nossa sociedade, porém, é um assunto tratado
de uma forma muito velada, inclusive dentro do próprio meio LGBT. Neste último
caso, as vítimas que procuram auxílio em uma delegacia sofrem duplamente –
primeiro pela violência já sofrida e segundo – o preconceito por serem
homossexuais, já que a polícia brasileira no geral, não possui profissionais
preparados para atender esse tipo de caso. Isso se explica a quantidade de casos
que acontecem desse gênero. Nós sabemos que eles existem, mas eles não são
levados em conta nas estatísticas simplesmente porque a mulher lésbica agredida
prefere o silêncio do que vir a se expor. Tornando-se bem evidente se formos
levar em consideração a classe social dessa lésbica: quanto maior o grau de
estudos e de posição social, menos essas mulheres vão procurar seus direitos por
medo de ter que expor a vergonha de ser agredida e principalmente, em ter que
revelar-se homossexual.
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- É
evidente que a violência doméstica entre lésbicas de um poder aquisitivo e de
instrução maior aconteça, mas são casos abafados pelas duas, a agressora e a
agredida. Geralmente pela posição que ocupam no trabalho, assim como em outros
âmbitos sociais, elas preferem manter-se na já vivida invisibilidade lésbica. É
praticamente impossível para uma lésbica como essa, que sempre procurou não
expor a sua sexualidade para a família e para a sociedade, chegar a uma
delegacia dizendo que apanhou da sua companheira.
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- Geralmente
a agressão física ou qualquer ato que se caracterize como violência acontece
quando uma das duas tenta manter o controle e poder sobre a outra, seja motivada
por ciúme ou qualquer outro sentimento que lhe traga insegurança. O
relacionamento começa a desandar e quando a parte dominante começa a perceber
que não consegue manter o controle e domínio sobre o outro, parte para a
violência, que pode vir de diversas formas, sempre culminando na agressão
física.
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- De
acordo com algumas fontes pesquisadas, a violência doméstica entre homossexuais
só começou a ser estudada na década de 90, vinte anos depois de terem dado
início aos estudos de violência doméstica entre heterossexuais. Para muitos,
inclusive hoje em dia, é quase inconcebível que haja violência entre casal de
lésbicas, simplesmente pelo mito implantado na nossa sociedade de que mulheres
não são violentas e que por se tratar de uma relação entre iguais, as lésbicas
estariam fora de uma relação de poder e por tanto longe da violência. Porém, as
lésbicas estão suscetíveis a sofrer as mesmas formas de agressão vividas por uma
mulher heterossexual: são vítimas de parceiras extremamente ciumentas (leia-se
ciúme doentio!), manipulações psicológicas, agressões verbais, alcoolismo,
drogas ou problemas psicológicos graves. No livro “Homossexualidade, do
preconceito aos padrões de consumo”, único trabalho existente sobre a
violência doméstica entre lésbicas aqui no Brasil, a psicólogaAdriana Nunan afirma que as agressões entre
homossexuais são bastante semelhantes as que ocorrem entre os casais
heterossexuais e ainda relata que a lésbica mais assumida, na maioria das vezes,
é o tipo mais ameaçador em uma relação. Um exemplo do que a psicóloga expõe
nessa fala, está no relato de algumas lésbicas que já foram agredidas: a
primeira forma que a agressora procura fazer para intimidar a outra, é ameaçando
com a revelação da orientação sexual. Porém, é importante ressaltar que não só
as lésbicas masculinas é que são violentas. A ameaça de revelar ou a revelação
da orientação sexual também é uma forma de agressão chamada de ‘outing’.
Aliás, a ameaça de revelar a situação da homossexualidade é a única coisa que
distingue a violência entre casais homossexuais em relação às relações
heterossexuais.
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- O
ciúme desempenha fator determinante em algumas relações. Pode ser motivado pela
insegurança, medo ou simplesmente fazer parte de uma mente fantasiosa. Trata-se
do ciúme interno, que sai de dentro para fora, sem haver a necessidade de
fatores ou causas externas. A idealização do ser amado também é algo
determinante: idealizamos uma pessoa para nós, mas inevitavelmente o ideal não
corresponde ao real, e aí começam a surgir as brigas e os desentendimentos que
por vezes, dão lugar as agressões já que a agressora compreende que essa seja a
melhor resposta para os problemas vividos na relação com sua
parceira.
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Existem
inúmeros casos e inúmeros motivos irracionais para uma relação culminar deste
modo trágico. De acordo com informações do site Desalambrando, um projeto argentino
dedicado à violência doméstica entre lésbicas, as estatísticas revelam que boa
parte dos casos é de violência extrema e que existem diversos registros de
casos de assassinato, além de tentativas de suicídio, humilhações, abuso sexual
e insultos verbais.
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