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Estou cada
vez mais apavorada com o comportamento dele e muito triste com a forma com que
ele vem se comportando nos últimos três anos. Busca o isolamento, não se
interessa por meninas, não tem um círculo de amigos, vive sempre na internet não
gosta de contatos sociais. Ele fez 15 aninhos no dia 3 de março deste ano.
Está cursando o 1º ano do ensino médio. Tem uma história de vida complicada,
pois quando ele tinha três aninhos de idade eu me separei do pai dele e me casei
com outro homem com o qual vivemos até hoje. Este homem nunca o tratou como
filho. Alcoólico, sempre nos tratou mal. Separamos várias vezes e meu filho
detestava-o até pouco tempo.
Sempre estudou em escolas católicas. Neste
ano tive de tirá-lo deste colégio porque ele ameaçou até de nunca mais ir para a
escola se eu o matriculasse no Dom Bosco novamente. Algum tempo depois descobri
que ele não queria mais estudar lá porque foi estigmatizado pelos colegas de
homossexual.
Desconheço qualquer caso de homossexualismo na família do
pai dele e na minha também. Pelo menos, assumidamente, não há nenhum
homossexual.
Ele foi criado junto com mais dois primos da mesma idade. Há
três anos ele começou a se afastar dos primos e este ano praticamente rompeu com
um deles. Já desesperada com este comportamento, procurei saber dos coleguinhas
de escola e dos primos o motivo desses rompimentos. O meu sobrinho com quem ele
rompeu relacionamento disse que não tem paciência para lidar com "bicha".
Disse-me que o fato de meu filho ser homossexual o envergonha diante dos colegas
de escola.
Confesso que levei um choque e até hoje não consigo dormir em
paz. Já tentei conversar com meu filho sobre a sexualidade dele, mas ele não
quer discussão. Apenas afirma que não é homossexual. No entanto, há cerca de
três ou quatro anos, entre os 12 e 13 anos de idade, estávamos assistindo
televisão, eu e ele, quando ele me perguntou o que eu achava dos homossexuais.
Depois que falei o que eu achava, ele perguntou se eu iria ficar muito triste se
tivesse algum homossexual na família. Lembro-me que falei que não ficaria não,
pois trabalharia minha cabeça para aceitar cada um do jeito que cada um
é.
Depois dessa conversa, ele se fechou e nunca mais bateu papo comigo
sobre seus sonhos, desejos etc. Nesta semana ele se depilou todinho alegando
que se acha muito cabeludo e que os colegas dele não são tão cabeludos
assim.
Descobri, recentemente, que sou preconceituosa sim. Sou uma pessoa
extremamente preconceituosa com homossexuais. Cheguei a descobrir que não só com
homossexuais, mas também sou preconceituosa com tantas coisas e tenho tantos
medos. Confesso que não queria que meu filho fosse homossexual. Afinal, ele é
meu único filho e sempre sonhei com aquela família burguesa, com netos, tudo
dentro da normalidade, tudo conforme manda nossa sociedade.
Descobri que
sou reacionária e tudo que sempre combati está bem vivo dentro de mim. Estou em
crise e depois que descobri isso passei a não conseguir conversar com meu filho
sobre isso.
Sou jornalista e sempre trabalhei em dois, três empregos.
Nunca tive muito tempo disponível para meu filho. Sempre me senti culpada de
tudo e sei que tenho culpa nisso que acontece hoje. Mas precisava garantir nossa
sobrevivência e nunca desisti de trabalhar, trabalhar, trabalhar. Gostaria de
saber o que fazer. Tem possibilidade de, em ele sendo homossexual, ser algo
determinado pelo estresse que sempre teve dentro desta casa? Tem possibilidade
de reverter? Como posso ajudar meu filho? Como posso nos ajudar meu filho a
ser feliz independentemente da opção sexual? Obrigada, Cátia.
Resposta:
Olá Cátia, como vai? Entendo que toda
essa questão esteja deixando você sem saber o que fazer, angustiada e perdida,
até mesmo pelas descobertas que estão surgindo em você. Porém, que tal, antes
- ou ao mesmo tempo - de você querer ajudá-lo, procurar se ajudar? Muito
provavelmente ele esteja sofrendo também por causa da pressão preconceituosa na
escola, dos colegas, sua, da sociedade. Talvez esse seja um dos motivos que está
contribuindo para seu isolamento. E não é para menos, afinal, ele parece não se
enquadrar ao grupos onde sempre conviveu, onde sempre brincou e era aceito. É
como se isso fosse uma doença contagiosa. E agora que existe essa suspeita de
homossexualidade, ele não pode mais ser aceito como sempre foi. Como qualquer um
de nós se sentiria se tivesse no lugar dele? Ninguém escolhe ser homossexual
ou heterossexual. Não se trata de uma opção sexual, e sim, uma orientação
sexua,l que cada um de nós temos. E o que há de errado ser homo? Por que alguém
não pode manifestar seus desejos e emoções por alguém do mesmo sexo? Você já
pensou que ao "sonhar com aquela família burguesa, com netos, tudo dentro da
normalidade, tudo conforme manda nossa sociedade", é uma expectativa sua e
não dele? Já pensou que talvez ele tenha outros planos? Cátia, o que você
acha de procurar um psicólogo para ajudá-los? A ele para ter um espaço para
falar de suas angústias e sofrimento, e a você do mesmo modo, para tentar se
conhecer melhor, entender o que está acontecendo, e assim, ter um relacionamento
mais saudável ele - o que você sacrificou muito em função do trabalho.
Um abraço Claudecy de Souza Psicólogo - CRP 06/69861 Terapeuta sexual Analista do comportamento
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