- Setembro
2008 -
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O sucesso de Gui Boratto pode parecer repentino, o que é um
equívoco. Há muito tempo ele já estava trilhando o caminho da música eletrônica.
Nascido em São Paulo, Boratto tem 35 anos e atuou na publicidade desde 1993. Já
foi produtor de artistas como Gabrielle, Desiree, Pato Banton, Manu Chao e Steel
Pulse. Montou estúdios, envolveu-se em projetos de música eletrônica , trabalhou
com gente como Ricardo Guedes, Ferris, Alyssa Cavin, Oswaldo Malagutti, Ramilson
Maia (DJ), Zé Pedro (DJ) e Kerry Phillips. Com este último, montou a gravadora
Megamusic Brasil, voltada exclusivamente para a música eletrônica. Também já
havia remixado grandes sucessos de artistas renomados como Chico Buarque, Gal
Costa, Leila Pinheiro, Fernanda Porto e Ana Carolina, entre outros exemplos de
destaque, e produziu faixas para a trilha sonora do filme “Cidade de Deus”
(2002). Boratto também já emplacou singles no topo das paradas do mundo todo – a
música “Sunrise” foi executada, em 2005, pelo DJ Paul Van Dyk, considerado um
dos melhores do planeta.
- Depois dessa trajetória, explorando diversos níveis das batidas
eletrônicas, o DJ acabou caindo no minimal techno, cena que o consagrou em 2007
nas picapes do mundo afora. Boratto tem uma série de EPs e álbuns lançados, mas
foi com Chromophobia que seu nome começou a aparecer em line-ups de
grandes festivais (como o Mutek, evento canadense de música eletrônica) e nas
revistas especializadas do mundo todo, sendo considerado o principal DJ
brasileiro.
As
5 perguntas que não querem calar!
Nº1
- Para você, o que significa música eletrônica e que tipo de música eletrônica
você faz?Gui Boratto: Música eletrônica pode ser
a música executada plasticamente com elementos eletrônicos ou pode ser a música
executada com a tecnologia que normalmente se usa na música eletrônica, usando-a
como ferramenta para se obterem novos recursos, como grandes artistas do pop e
do rock o fazem. No meu caso, eu uso essas ferramentas pela questão plástica,
mas eu as utilizo no universo do tecno mesmo. Acho que meu som se enquadraria em
um tecno lento alternativo.
Nº2
- Você concorda que se escuta a influência
latino-americana na música eletrônica que você faz?
Não, não concordo. Acho, porém,
que todo mundo que produz e faz música, acaba colocando, direta ou
indiretamente, suas influências no trabalho. Pelo fato de eu não usar bongôs,
congas, atabaques, cuícas – instrumentos de percussão tipicamente brasileiros –
nas minhas produções, as pessoas até ficam surpresas quando descobrem que sou
brasileiro. Como escutei muita bossa nova, muito Chico, muita música brasileira,
acho que, aí sim, pode haver alguma influência, não na produção de percussão,
mas nas harmonias, nas melodias.
Nº3
- Você acha que a Alemanha é atualmente a
maior referência para música eletrônica? Existe um desejo de DJs brasileiros
virem para Alemanha?
Eu tenho certeza. Acho que a Inglaterra ditou, durante anos, a tendência na
música, monopolizando assim o mercado. Os ingleses ficaram muito ligados ao
rock, o que acabou abrindo espaço para o tecno. Mas o tecno que se estava
fazendo, até cinco anos atrás, estagnou e o som que os alemães sempre fizeram
acabou se tornando um som muito mais interessante e, hoje, é claro que a
referência maior é a Alemanha. Entre dez produtores de música eletrônica, de
tecno principalmente, oito são alemães.
Concordo com a sua afirmação de
que os alemães são a grande referência atual da música eletrônica e acho que,
atualmente, um artista brasileiro preferiria um label alemão para lançar seu trabalho,
com certeza.
Nº4
- Como está a situação da
música eletrônica no Brasil?
Aqui no Brasil, em termos de
números e mercado, ainda está engatinhando. A realidade brasileira é outra. Nas
rádios, o que o povo escuta e o que se vende é outro estilo: samba, axé e até
poprock, principalmente entre os mais jovens.
Apesar de tudo isso, a cena aqui
é fortíssima. A gente tem clubes que fazem festas de segunda a segunda,
recebendo DJs internacionais toda semana. Há grandes clubes, principalmente no
sul do país, para três, cinco mil pessoas, que recebem DJs de uma linha mais
comercial. Em São Paulo, você tem clubes menores, para 300, 400 pessoas, onde
tocam DJs mais conceituais e alternativos como DJ Hell, Michael Meyer, Phonique.
Neste universo de house e tecno, você tem público para todo tipo de música no
Brasil, desde os mais comerciais até os mais conceituais. É uma cena com muito
potencial e a tendência é aumentar
Nº5
- Como muitos músicos, você estudou
arquitetura, continuando a longa tradição do relacionamento entre a arquitetura
e música. Se você fosse comparar o tecno minimalista a um arquiteto ou edifício,
a quem você compararia?
Eu compararia à obra do Oscar Niemeyer. Apesar de eu não enxergar a música
minimalista desta forma. Acho que o movimento minimalista dos anos de 1950 e
1960 tem uma outra conotação. Se você observar artistas minimalistas reais, tipo
o Philip Glass e as pessoas dos anos de 50 e 60, eles têm uma questão orgânica
de instrumentos muito percussivos, instrumentos indianos.O tecno minimal alemão não tem nada de orgânico.
Ele é feito por máquinas, por
sintetizadores. Raramente, você escuta essa coisa orgânica percussiva que você
escuta no house, que tem muito mais relação com os anos 50 e 60. Se eu escuto,
hoje, o tecno alemão e imagino a obra de um arquiteto, acho que é a obra do
Niemeyer. O Museu de Arte de Niterói; o Memorial da América Latina, aqui em São
Paulo; Brasília tem alguns pontos; Belo Horizonte também tem obras do Niemeyer
que me remetem ao som da Alemanha de hoje.
- Neste
sábado os baianos poderão conferir de perto
e curtir a vibe e a energia de um dos mais respeitados
Djs brasileiros na cena eletrônica Mundial no
club Madrre á partir das 23hs.
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- Agradecimentos:
DW-WORLD
e Revista O Grito
- Este
conteúdo foi editado e devidamente autorizado pelas
fontes citadas acima.
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