
- Entrevista-
Um fenômeno chamado Fabricio Camargo
Fabricio
Camargo é baiano soteropolitano e com
26 anos de idade este estudante de design
vem surpreendendo a todos em cada rave que
se apresenta. Um profissional que alia a simplicidade
com a consciência totalmente voltada
à realização de um bom
trabalho desenvolvido. Não é
a toa que Fabricio é o mais requisitado
Dj da atualidade e o queridinho do público
GLS de Salvador.
Confira então o resultado de toda esta
fama.
- @Por
Davi Santos
Farofa Digital-
O
que te levou a ser DJ ?
Fabricio- Incondicionalmente,
a paixão por (boa) música, acústica
e sons diferentes. Sempre fui da noite e adoro
o clima urbano de um bom club.
A competição
entre os DJs de Salvador é muito grande,
como é que você encara isto?
A competição acontece pelo fato
da cena eletrônica baiana ainda não
oferecer espaço para todos. Mas creio
que as pessoas envolvidas com a cena, sejam
DJs, promoters, clubbers em geral, deveriam
manter um bom relacionamento umas com as outras,
acima de tudo. Só a união fortalecerá
a cena.
O que você
acha da cena eletrônica na Bahia?
Cara, eu só torço e trabalho
para que a cena exploda o mais rápido
possível. Chamo para as festas que
participo todos os meus amigos, parentes e
conhecidos. Temos que ensinar a filosofia
da música eletrônica ao número
máximo de pessoas. Encaro isso como
uma religião.
Qual o seu estilo
musical e em que vc acha que o seu trabalho
se diferencia dos demais DJs da atualidade
na Bahia?
Toco atualmente House Music nas vertentes
mais percurssivas, inclusive o Tribal. Costumo
ir até o Tech-House, que é mais
acelerado. Creio que o meu trabalho agrade
por ser bastante dançante e menos conceitual.
Me concentro muito na percussão e progressividade
das batidas, minhas músicas têm
muitos picos de energia, onde a galera delira.
Em
um curto espaço de tempo você
caiu no gosto de um público que é
o mais exigente, o público gay, e já
está sendo chamado de o mais novo queridinho
desta galera. Como você avalia sua posição
na cena GLS?
Putz, eu só tenho a agradecer, de verdade.
A energia do público GLS é única,
e todos entendem de e-music, são performáticos,
e cantam quase todas as músicas, isso
me impressiona às vezes (risos).
Pelo fato da galera GLS ser mais exigente,
eu tenho a obrigação de fazer
o melhor Set possível todas as noites
que me apresento, isso me estimula e me agrada,
e é sempre desafiador.
Você se
sente à vontade com esta aceitação
positiva do público GLS para com o
seu trabalho? Acha que isto pode ter um lado
negativo para a sua carreira?
Pelo contrário. Se esse público
entende tanto de música e gosta do
meu trabalho, isso é sinal de que devo
estar no caminho certo. Sou absolutamente
desprovido de quaisquer preconceitos e só
desejo agradar a todos, sem exceções.
Na cena da música
eletrônica baiana existe algum profissional
que serviu de inspiração para
o Dj Fabricío Camargo?
Sem dúvida, sempre admirei Cláudio
Manoel, por tudo que faz pela cena. Môpa,
por ter sido um professor de House Music.
Santz, pela técnica. Chiquinho e Márcio
pela energia e “vibe”. E meus
irmãos Jerônimo e Ariel, por
estarem comigo, sempre. Além de Roots,
Telefunksoul e Gutto – esse eu tiro
o chapéu.
O que você
acha necessário para iniciar nesta
carreira?
Ter um bom “ouvido musical”, humildade,
saber dançar para fazer dançar.
O DJ deve ser tolerante e saber ponderar o
som, focando o público. Deve haver
pesquisa, interesse e paixão acima
de tudo.
O que dificulta
o começo da carreira de um DJ na Bahia?
Escassez de cursos, conheço apenas
o do Pragatecno. Bons eventos sérios
ocorrem no máximo, mensalmente, o que
torna difícil viver apenas de música
eletrônica por aqui. E principalmente,
ainda temos a falta de conhecimento da maioria
da população baiana, que muitas
vezes prefere lugares comerciais por puro
preconceito de ser visto em um ambiente plural.
Além
dos elogios pelo seu trabalho, te incomoda
também ser elogiado pelo fato de ser
bonito?
De maneira alguma, isso me incomoda. Aliás,
quem diz que se incomoda provavelmente está
mentindo (risos). Sou consciente em relação
à aparência. Sou vaidoso e tento
me cuidar, apenas. Mas aceito e agradeço
o elogio.
Existem surpresas
para a próxima Virtua Beats ?
Podem aguardar, pois esta será a balada
do mês! Em conversa com Cláudio
e Andréa Cabral, prometi que iria trazer
o que há de mais novo, Dark e tribal
pesado para essa festa do Clube da Codeba.
Aguardem!
O que você
acha do projeto Virtua Beats?
Maravilhoso, pois agrega todas as tribos e
todos os ritmos em um só lugar. Rola
uma galera nova no circuito, muita gente bonita
e interessante. Adoro tocar em grandes instalações,
e o Virtua me dá essa oportunidade
de soltar o som mais pesado possível.
Além daquele palco de performances,
situado no centro da pista, onde a galera
sobe para dançar. É muito legal.
Para
finalizar, qual a mensagem de Fabricio Camargo
para o público que vai comparecer na
Virtua Beats?
Vão todos e levem todos para a festa,
iremos fazer música alegre e de qualidade.
Fechem os olhos, batam palmas, façam
barulho, se esbaldem. Sintam o som. Pois é
assim que a música eletrônica
deve ser curtida, sem restrições
nem limites. Obrigado ao Farofa, Soroh, Elmar
e a todos que me apóiam. Paz.
Contato com o Dj
0XX
(71) 8816-7550
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Entrevista realizada em 14.10.2004 |
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