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GLS:::: |
- Música acende polêmica no GGB
- Marcelo
Cerqueira, presidente da entidade, quer suspender a execução da canção do grupo
Saiddy Bamba
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- @da
Redação Farofa
- Crédito
da foto:sambando.com.br
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Olha a cabeleira do Zezé/Será que ele é? Será que ele
é?/Olha a cabeleira do Zezé Será que ele é?/Será que ele é? Será que ele é
bossa nova?/Será que ele é Maomé? Parece que é transviado/Mas isso eu não sei
se ele é Corta o cabelo dele!/Corta o cabelo dele! Corta o cabelo
dele!/Corta o cabelo dele! (Cabeleira do Zezé - João Kelly e Roberto
Faissal)
PÉRICLES DINIZ
Em outros tempos, João Kelly e
Roberto Faissal levantaram suspeitas sobre o estilo capilar do Zezé e todo mundo
saiu repetindo, emendando e acrescentando significados ao refrão, em coro
animado pelos mais distintos salões de festa deste mui digno país tropical. E
ninguém protestou. O compositor Lamartine Babo, por sua vez, tascou que “o seu
cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor” e todos sairiam cantando, sem
muito questionar as implicações de valor ou um possível significante
preconceituoso implícito ao texto.
Mas eram outros tempos. Eram outras as
referências sociopolíticas que norteavam as estratégias da indústria cultural.
Ninguém se preocupava muito com um conceito que hoje começa a ganhar espaço nas
discussões éticas sobre o que pode e o que não deve constar do cardápio de
produtos artísticos (e alguns nem tanto assim) que se oferece ao público. Hoje,
talvez, as coisas operem de maneira distinta.
A execução da música Bicha,
do grupo de pagode Saiddy Bamba, é um bom exemplo disso. Considerada um convite
explícito à agressão aos homossexuais, abriu uma polêmica que deve chegar
inclusive às esferas judiciais, pois o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB),
Marcelo Cerqueira, já anunciou que apresenta denúncia ao Ministério Público,
solicitando ao núcleo de Direitos Humanos da Defensoria pública que proíba a
execução da música, sob alegação de homofobia e incitação à
violência.
Uma mostra de como será o debate a respeito da questão
aconteceu durante o programa Se Liga, Bocão, da 104 FM, na última quinta-feira,
quando o apresentador Zé Eduardo tocou a música e entrevistou Marcelo Cerqueira
ao vivo. Entre as 19 e 20 horas, horário do programa, as seis linhas telefônicas
que a emissora disponibiliza aos ouvintes congestionaram, refletindo opiniões
acaloradas contra e a favor da iniciativa do GGB. De acordo com a produtora
Patrícia Narrina, a média de ligações dobrou de 20 para cerca de 40, ou ainda
mais, já que muita gente ficou de fora, sem conseguir acessar as
linhas.
Para acirrar ainda mais a polêmica, as manifestações públicas
ficaram divididas entre os que consideravam a composição homofóbica e agressiva
e os que defendem que proibi-la é que seria uma violência, uma forma de censura.
Esta é a posição do radialista Cristóvão Rodrigues ao afirmar que, embora
pessoalmente não goste da música, discorda que mereça qualquer tipo de censura.
“No máximo, podemos dizer que ela não é de bom gosto, mas afinal, quem não
gostar que não compre o disco ou mude de rádio”, resume.
Para ele, a
polêmica criada pelo GGB seria injustificada, pois não passa de “uma bobagem,
uma brincadeira como foi a Cabeleira do Zezé ou mesmo a Nega do Cabelo Duro, de
Paulinho Camafeu, que também gerou polêmica, na época, com o Movimento Negro
Unificado (MNU)”. Afirmando não ver nenhum conteúdo agressivo na composição,
Cristóvão Rodrigues acha que a música da Saiddy Bamba sequer vai pegar. “Se o
GGB não terminar se promovendo ainda mais, com esta polêmica toda, não vira
sucesso”, concluiu.
“As bichas estão gostando”
Atenta ao
momento, a equipe de produção da 104 FM já anunciou que pretende dedicar outra
edição do Se Liga, Bocão ao tema, o mais breve possível. Marcelo Cerqueira já
foi convidado a retornar ao programa, mas ainda não respondeu se aceita,
enquanto que os integrantes do grupo de pagode, formado há cerca de quatro anos,
no bairro do Pau Miúdo, garantiram que vão continuar cantando a música, que já
teria vendido cerca de 40 mil CDs e cuja polêmica deve ajudar a divulgar ainda
mais.
“As bichas estão gostando muito da música, pois, quando tocamos nos
shows, elas fazem questão de subir ao palco para dançar e rebolar com a banda”,
garantiu o produtor Pedro Teles. Segundo ele, trata-se de uma homenagem aos
gays, “sem nenhuma intenção de ofender ou tratar com preconceito os
homossexuais, inclusive porque tenho vários amigos que são”, contou Teles,
assegurando todavia que sequer cogita suspender a execução da
música.
Indignado, Marcelo Cerqueira diz não entender como um grupo de
jovens negros e pobres, oriundos da periferia e que, portanto, conhecem muito
bem vários outros tipos de discriminação, utilizam-se justamente do preconceito
contra os homossexuais para fazer sucesso. “Eles dizem que a música é homenagem
a um tal de Leocrete, um jovem da periferia onde moravam, que pode até ter se
sentido homenageado, por não entender o sentido político que tem a repetição de
refrões como estes, que terminam incitando a violência contra todas as pessoas
que têm trejeitos femininos”, avalia Cerqueira.
O professor Luiz Mott, um
dos mais ativos militantes em defesa dos homossexuais, lembra que músicas como
esta estimulam várias formas de violência, desde as verbais, como os insultos e
xingamentos com o objetivo de promover constrangimento público, até a agressão
física, o espancamento e o assassinato.
Música
- Na capa, o CD pirata já diz ao que veio, estampando a foto de uma modelo sem
roupa, anunciando a gravação do Saiddy Bamba ao vivo no Espaço Fest. No começo
da música, o vocalista avisa que “é hora das bichas agitarem”, descrevendo os
vários tipos e dedicando a composição a Leocrete. Eis um trecho:
Bicha,
bicha Passe a mão na bicha Bicha, bicha Sambe com a bicha Bicha,
bicha Esse cavalo é égua Baixo astral, baixaria
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