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- Câmara
deixa para semana que vem debate
sobre projeto de Erika Kokay
-
A
polêmica sobre a proposta que inclui
o respeito aos homossexuais na disciplina
de Direitos Humanos dos cursos de
formação e reciclagem de policiais
civis e militares continua na Câmara
Legislativa. O projeto de lei 11/03,
de autoria de Erika Kokay (PT),
não foi apreciado ontem porque não
houve consenso. A proposta voltará
a ser discutida na semana que vem.
- Os
evangélicos Brunelli (PP) e Aguinaldo
de Jesus (PMDB) são radicalmente
contra o projeto. Mas alguns governistas
se comprometem a aprová-lo, desde
que seja retirado o parágrafo único
que diz que "o tema homossexualidade
integrará o conteúdo".
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- Brunelli
(PP) afirma que os policiais civis
e militares já são treinados para
tratar a todos "sem discrição".
E diz que não é contrário a "esse
grupo", ao se referir aos homossexuais.
"Não somos contra esse grupo.
Nós amamos essas pessoas mas elas
têm posições que nós não concordamos".
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- Erika
explica que quer uma polícia qualificada
para tratar os homossexuais com
respeito. "Temos recebido uma
série de denúncias de violência
contra essas pessoas", explica
a deputada, que defende a bandeira
dos Direitos Humanos. "O Brasil
é um país homofóbico (que tem desprezo
pelos homossexuais). Tanto que um
homossexual é morto a cada 48 horas
no País".
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- O
católico Wilson Lima (PMDB), que
chegou a pedir vistas do projeto
na sessão de quarta-feira, explica
que propostas polêmicas como essa
não devem ser analisadas em sessões
extraordinárias. "Eu sou contra
a inclusão dessa matéria no curso
da PM", afirmou. Para ele,
a homossexualidade é uma questão
que deve ser tratada dentro de casa.
"Isso envolve educação familiar.
É uma questão de berço". Lima
é coordenador de encontro de casais
na igreja católica.
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- Aguinaldo,
pastor da Igreja Universal do Reino
de Deus, é radicalmente contra o
projeto. "No momento em que
a Câmara vem sendo achincalhada,
é inadimissível votar um projeto
dessa magnitude". Ele vai pedir
ao governador que vete o projeto,
caso ele seja aprovado no plenário.
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- A
autora da proposta ainda não decidiu
se concorda ou não com a retirada
do artigo que trata da homossexualidade.
"Recebi o apoio de algumas
pessoas do governo, desde que a
questão da homossexualidade seja
retirada. Vou fazer uma análise
para ver se isso não prejudica a
proposta como um todo".
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- Todos
os deputados da oposição são favoráveis
ao projeto, menos o evangélico Peniel
Pacheco (sem partido). "Essa
proposta da Erika é uma tentativa
de marcar uma posição política",
critica. "Só serei favorável
se houver uma emenda para outras
minorias que sofrem discriminação,
como negros, índios e pobres".
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- A
petista sustenta que essa proposta
é tão necessária quanto foi a criação
da Delegacia da Mulher (DEAM). "As
mulheres eram vítimas de violência
semelhante a que os homossexuais
ainda sofrem".
-
- Erika
conta que essa proposta foi aprovada
em diversas assembléias estaduais.
"Faz parte do programa Brasil
sem Homofobia (desprezo pelos homossexuais)".
Ela afirma que policiais homossexuais
femininas e masculinos sofrem preconceito
dentro da própria instituição. "Por
isso, evitam denunciar casos de
violência que são vítimas".
Aguinaldo disse que a petista quer
se transformar na "Erika Suplicy
do Cerrado".
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- Proposta
também divide a sociedade
- O
projeto da distrital Erika Kokay
(PT) é polêmico. De um lado, os
bispos evangélicos acreditam que
determinar um grupo da sociedade
para ser melhor tratado já é uma
forma de discriminação. De outro,
os próprios homossexuais acreditam
que seria uma forma de acabar com
a violência praticada diariamente
contra eles. De acordo com o presidente
do grupo homossexual de Brasília,
Estruturação, Welton Trindade, o
projeto é importante porque pode
interromper a cultura preconceituosa
incutida nas pessoas, no caso, nos
policiais. "O curso daria a
eles a oportunidade de uma formação
diferente da que têm em casa, na
sociedade. Eles teriam uma nova
visão do que é ser homossexual",
argumentou.
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- O
bispo Robson Rodovalho, presidente
do Fórum Evangélico Nacional de
Ação Social e Política (Fenasp)
e da Sara Nossa Terra, acredita
que o projeto é discriminatório,
a partir do momento que especifica
um grupo da sociedade. "Essas
coisas tendem a evidenciar o grupo.
Eles passam a ser olhados de forma
diferente. Na verdade, acho que
não deveria existir essa distinção
do homossexual, do idoso, do portador
de necessidade especial. Somos todos
iguais", comentou. Com relação
ao argumento da violência praticada
contra os homossexuais, o bispo
afirma que em suas pesquisas, pela
Fenasp, a violência da qual são
vítimas não parte da sociedade,
mas sim de suas relações amorosas.
"A violência contra eles é
passional", diz. O presidente
do Estruturação afirma que essa
discussão é triste. "Primeiro,
porque a polícia é paga para defender
os cidadãos, segundo, porque a religião,
nesse caso dos deputados evangélicos,
está sendo usada de forma errada,
pregando o ódio e não a paz; e terceiro,
que a religião não foi feita para
discriminar pessoas". Trindade
afirma que vai ficar atento ao desenrolar
da polêmica. "Vamos lutar para
esse projeto ser aprovado, sim",
promete.
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- A
Polícia Militar, por meio de sua
Assessoria de Comunicação Social,
afirmou que a corporação não vai
se pronunciar antes de o projeto
virar lei. A assessoria ainda ressaltou
que, independentemente de lei ou
não, a PM sempre respeitou a população
e jamais fez qualquer distinção
quanto a sexo, raça ou classe social.
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- Estruturação
- Grupo Homossexual de Brasília
- 10
anos de luta
- Ganhador
do Prêmio Nacional de Direitos Humanos
2003 (concedido pelo Governo Federal)
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Da
redação: Farof@
Fonte:
Jornal de Brasília- Trancrito pelo Grupo
Estruturação- Brasília
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