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| Tudo
de Bom- Leitura
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Homossexual visto por entendidos
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O trabalho de Carmen Dora Guimarães é uma análise pioneira
sobre a construção biográfica da homossexualidade entre homens moradores na
cidade do Rio de Janeiro na década de 1970. Os entrevistados integram uma rede
social específica, e são oriundos de cidades do interior mineiro. Eles
escolheram migrar, impelidos pela “busca de liberdade”, para um espaço social em
que a identidade de “entendidos” não fosse objeto de controle social estrito. A
mudança para o Rio lhes permite adotar um estilo de vida no qual lazer e prazer
são priorizados. A análise enfoca a dinâmica das relações de amizade entre
homens, que hoje chamaríamos de gays, e pessoas heterossexuais, marcada pela
sistemática negação do estigma de “anormalidade”. A identidade sociossexual
daquele que transa, é positivada em contraponto à identidade de bicha, que é
rejeitada vigorosamente.
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- O livro traz uma etnografia rica sobre diversos pontos
de sociabilidade gay, entre os quais a praia em frente ao Hotel Copacabana
Palace, ainda hoje importante na cena carioca. Para além da suposta
homogeneidade dada pela orientação sexual, a autora verificou, nesses espaços,
uma intricada composição entre sexualidade e classe social – lógicas
classificatórias que nem sempre coincidem, estabelecendo um complexo jogo de
inclusão e exclusão entre os freqüentadores. Este livro representa uma
contribuição fundamental para a história social da homossexualidade no
Brasil.
Maria Luiza Heilborn
"UM TRABALHO FUNDAMENTAL"
O
Trabalho pioneiro de Carmen Dora Guimarães, relatando sua pesquisa com
homossexuais no Rio de Janeiro em tempos pré-Aids, é uma contribuição
fundamental para a história social da homossexualidade no Brasil.
“O
acesso a estes homossexuais me foi possível devido a laços de amizade anteriores
a este estudo. No deslocamento da identidade amiga para pesquisadora outra
relação se configurou em que os conceitos anteriores referidos à minha pessoa
foram articulados com a nova identidade, produzindo outro significado. O fato
de tê-los escolhido como objeto empírico e de informá-los a respeito dos meus
propósitos, suscitou perguntas concretas como: “o que você vai fazer com essa
informação toda?”, “isto vai ser publicado?”, indicativos de que queriam se
assegurar das minhas intenções morais e éticas face ao homossexualismo, como
garantia de que os resultados não sofreriam o habitual viés negativo e o
tratamento distorcido dos fatos pelos não-entendidos. A razão da escolha do tema
não foi questionada em nenhum momento, pois todos concordam tratar-se de um
fenômeno por demais evidente para não merecer finalmente um estudo sério. Também
não houve dúvidas quanto à validade dos critérios e métodos da Ciência – vista
como entidade abstrata e objetiva, garantia de uma explicação “correta” do
homossexualismo. Sentiam-se, de certa forma, orgulhosos em participar e foram
poucos os que recusaram a me conceder uma entrevista.”
SEXUALIDADE,
GÊNERO E SOCIEDADE A coleção Sexualidade,Gênero e Sociedade é uma
publicação do Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM),
tendo como objetivo divulgar os debates mais recentes, bem como a sistematização
de informações essenciais à compreensão da sexualidade e do gênero como campos
articulados de pesquisa e de intervenção social. Abrange três séries que,
mantendo estreita relação entre si, incluirão textos e debates de natureza
distinta: Homossexualidade e Cultura, enfocando a temática gay, lésbica e
transgênero; Sexualidade e Gênero nas Ciências Sociais, focalizando estudos
sobre gênero e sexualidade a partir de uma perspectiva sócio-antropológica ou
sócio-histórica; e Sexualidade em Debate, reunindo o material apresentando em
seminários e encontros promovidos ou apoiados pelo Centro.
O Centro
Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos foi criado no âmbito do
Programa em Gênero, Sexualidade e Saúde do Instituto de Medicina Social da UERJ
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com o apoio da Fundação Ford, tendo
como objetivos: desenvolver pesquisas sobre política, cultura e saberes sexuais;
contribuir para a formulação de políticas públicas através da produção e
divulgação de dados comparativos sobre sexualidade no Brasil e na América
Latina, bem como de documentos sobre o estado da arte nesta área. Busca, assim,
promover o diálogo entre a universidade, movimentos sociais e formuladores de
políticas públicas, oferecendo subsídios para um aprofundamento do debate em
torno das desigualdades de gênero e da discriminação sexual.
SOBRE A
AUTORA
A antropóloga Carmen Dora Guimarães nasceu no Rio de Janeiro em
1929 e faleceu na mesma cidade em agosto de 2000. Fez mestrado e doutorado no
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ e foi
professora da PUC-Rio. Manteve intensa colaboração com a Associação Brasileira
Interdisciplinar de Aids (ABIA), tendo publicado o livro Aids no feminino – por
que a cada dia mais mulheres contraem Aids no Brasil? pela Editora UFRJ.
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- Como
e onde comprar.
Tel:
85-7617-032-9 Tamanho: 14x21 cm 120 pags. Valor:
R$ 25,00
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