Ser sarado, ficar horas na academia, geração saúde, não beber, não
fumar, enfim ser um escravo do seu corpo. Será que existe alguma alternativa a
esta ditadura? Existe sim. O grupo que expressa mais forte a oposição a este
ditadura é o dos ursos. Homens, na maioria homossexuais, que valorizam o seu
corpo de outra forma: deixando que a natureza o defina.
No Brasil os ursos são associados a homens acima do peso e
peludos. Mas este é somente o estereótipo, um padrão de beleza diferente do
convencional. Para ser urso não precisa estar acima do peso e usar peruca
embaixo das axilas, basta ser o que você realmente é e não se deixar levar pela
ditadura do corpo perfeito.
Tanto é assim, que o estereótipo dos ursos não é igual no mundo
todo. Em Portugal, o estereótipo está mais associado a bigode e barba, na França
a andar de motocicleta e nos Estados Unidos a ter um corpo peludo. Assim,
Luciano Zafir seria um urso em Portugal e Humberto Martins seria um urso nos
Estados Unidos.
Para ser um urso não precisa estar em nenhum estereótipo. Basta
você ser quem você é, magro, gordo, liso, ou peludo. E ter certeza que sempre
haverá admiradores. “Fiquei surpreso, quando larguei a academia, engordei e
continuei recebendo proposta”, encanta-se Luiz Peixoto, um bahiano que aderiu a
filosofia dos ursos há oito meses. Viva e deixa viver, seguir este lema é o
começo para se libertar da escravidão ao corpo.