Vivemos o tempo inteiro sob divisões em subgrupos onde os
semelhantes ficam rotulados e taxados como sendo isso ou aquilo outro, deixando
bem claro que em pleno século XXI ainda não nos desraigamos dos modos
primórdios da tribo, ou seja, somos aborígines na selva de pedra.
Inventamos mais uma sigla para englobar os membros gays,
lésbicas e simpatizantes, e nela colamos o rótulo de GLS para todo ser que
habita nesta tribo. Demos também um emblema rainbow
para sinalizar a diversidade, mas se tratando de diversidade é legal extrair o
“diferente”?
Acontece que a não aceitação de membros de tribos
distintas ocorre de forma bilateral, não só os gays são discriminados pelos
homofóbicos, como também nos deparamos constantemente com cenas de heterofobia.
Um burburinho que vem causando polêmica em Salvador nos
últimos três meses tem sido sobre o bloco Mascarados, puxado pela cantora
baiana Margareth Menezes, e suas declarações em entrevistas coletivas e notas
da assessoria de imprensa que tentam mascarar a procura preferencial pelo bloco
pela galera GLS.
A cantora revelou que os Mascarados é um bloco
democrático, que aceita todas as tribos, e nos últimos dias, dirigentes do bloco de Margareth têm se
empenhado no trabalho de atender a pessoas interessadas de outros estados em
saber se é verdade que no Mascarados só saem mesmo gays e lésbicas, o que
realmente não ocorre.
Para quem presenciou como folião ou como associado
percebeu que o Mascarados recebe de braços abertos seja lá quem for, sem
distinção de gênero, orientação sexual, raça, idade...ou seja, assumindo seu
compromisso como democrático e aberto à diversidade, livre de preconceitos,
tabus e discriminação.
A atitude de Maga é tida por alguns movimentos militantes
como homofóbico, mas o que ocorre não é uma negação da existência de gays,
lésbicas e simpatizantes, e sim a não rotulação como sendo um bloco
carnavalesco exclusivamente GLS.
Será tudo mais fácil sem rótulos e sem máscaras, e como
Maga sempre canta na música de Gonzaguinha “Viver e não ter a vergonha de ser
feliz(...)”.