Num tempo em que a
auto-estima tem sido tão ovacionada, as pessoas têm confundido amor-próprio com
individualismo e egoísmo.
Empolgadas com a possibilidade de se gostarem
mais e reconhecerem com mais propriedade as suas qualidades, têm perdido o
equilíbrio entre ‘ser’ e dar espaço para que o outro ‘seja’.
Passam a
valorizar tanto a idéia de que devem se amar como são e especialmente que
merecem ser amadas exatamente do jeito que são, que se equivocam quanto ao que
seja relacionamento, troca, amor e felicidade.
Tanto que tem
sido muito comum ouvir alguém dizer convictamente coisas do tipo: ‘se fulano
realmente me amar, tem de me aceitar como sou’. Embora haja um fundo de verdade
nesta afirmação, existe uma enorme diferença entre aceitar você como você é e
engolir tudo o que você faz sem reagir a nada.
Quando você
diz ‘não vou mudar só porque o outro acha que estou errado’, sem ao menos
refletir e considerar o que está sendo dito, isso é não amor-próprio e sim,
falta de humildade e arrogância.
Relacionamentos são veículos sensacionais para que a gente consiga
perceber nossas limitações e nossas dificuldades, mas se nos colocarmos como
donos da razão, nos tornaremos cegos para a oportunidade de nos rever, ceder em
alguns pontos e admitir que estamos enganados muitas vezes.
Precisamos
considerar nossos enganos, dando razão ao outro para que possamos, através dos
encontros, construir a verdadeira auto-estima, e não muros que nos distanciam
das pessoas, tornando-nos prepotentes e bem pouco atraentes.
A
auto-aceitação é um sentimento excelente, desde que inclua a noção de que
cometemos erros e principalmente de que só se pode ser feliz se, na mesma
medida, soubermos aceitar o outro. Caso contrário, cairemos na armadilha da
solidão como conseqüência de um egoísmo que repele em vez de atrair.
Perceba a
diferença entre individualidade e individualismo. A primeira sugere nossa divina
singularidade e a segunda sugere o radicalismo da primeira. É quando deixamos de
reconhecer a divina individualidade do outro.
Amar a si
mesmo só pode ser de fato uma conquista quando você compreende que não pode
crescer sem a presença das pessoas, sem trocar com elas, cedendo e se impondo
conforme o ritmo das circunstâncias...
Como numa
dança - a dança de amar e ser amado!
- Sobre
a colunista
- Rosana
Braga
Palestrante, Escritora e Consultora em relacionamentos afetivos. www.rosanabraga.com.br
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