- 17
de Março de 2011
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Nas duas últimas
semanas, escrevi sobre a dor de um amor não correspondido, sobre a difícil
tarefa de abrir mão de um amor que já acabou... E muito me impressionou a
quantidade de mensagens que recebi de pessoas me contanto sobre o quanto têm
sofrido e o quanto têm tentado, sem saber como, superar o desespero e a angústia
que essa situação lhes causa!
Desde então, tenho
mergulhado em mim mesma a fim de encontrar palavras que possam servir de “guia”,
uma espécie de “mão amiga” para aqueles que se sentem atolados (e quase todos
nós já nos sentimos assim alguma vez na vida!) perdidos e afogados numa dor que
parece não ter fim...
A dor de um amor
que morre, seja lenta ou rapidamente, sempre parece nos deixar sem chão, sem
rumo, sem forças para levantar de um tombo que nos recusamos a acreditar que
levamos! Mas tenho insistido no fato de que é possível renascer, superar,
recomeçar e amar novamente...
Por conta disso,
muitas pessoas terminam achando que estou insinuando que isso seja fácil! Mas de
forma alguma quero dizer isso! Sei, por experiência própria, o quanto é difícil,
o quanto essa dor se torna insuportável em alguns momentos e o quanto nos
sentimos frágeis e desarmados para superar tamanha sensação de
perda...
Portanto, vou
tentar descrever agora de que forma acredito que podemos transcender a dor para
renascermos mais fortes, mais maduros, mais inteiros e ainda mais preparados
para um novo amor. Creio que o primeiro passo seja querer isso, de
verdade!
De nada nos adianta
ou ajuda continuarmos tendo atitudes que nos prendam à situação dolorosa, à
pessoa que não quer mais estar ao nosso lado, à uma relação que já secou, cuja
raiz já foi arrancada... Ou seja, precisamos decidir, internamente, que não
queremos mais essa dor! Mesmo que ainda falemos com a pessoa, mesmo que tenhamos
de vê-la, precisamos desatar os nós, conscientemente, cortando a ilusão de que
algo poderá mudar! Ninguém muda da noite para o dia, ninguém passa a amar ou
deixa de amar da noite para o dia!
Da mesma forma que
precisamos iniciar um relacionamento aos poucos para que ele cresça e se torne
amor, também precisamos fazer isso para acabar com ele. E quando um dos dois vai
embora, não quer mais, o outro precisa deixar de alimentar o que sente, para
que, enfim, pare de doer!
Mas o que mais
quero descrever aqui é como transcender a dor. A dor é como um túnel que surge
em nossa estrada, no caminho de nossas vidas. Não há outra alternativa, não há
nenhuma outra saída. É por esse túnel que teremos de passar, para chegar ao
outro lado... É uma oportunidade que a vida nos dá para que aprendamos algumas
coisas muito importantes, para que cresçamos, para que compreendamos algumas
questões que, por algum motivo muito pessoal, não estamos conseguindo
compreender sem ela...
Pensei numa
metáfora que pudesse esclarecer melhor como podemos superar essa dor. E me veio
a seguinte: imaginem que tenhamos quebrado uma perna. Dói muito e, em seguida,
não conseguimos mais andar... Não há outra saída; temos de ir ao hospital, temos
de engessar essa perna e nos manter em repouso, recolhidos e em recuperação por
um tempo. Dependendo da gravidade da ruptura, esse tempo é maior ou
menor...
Assim também
acontece com a dor do amor. No entanto, como estamos sempre tentando evitar esse
tipo de dor a qualquer custo, passamos a agir como se ela não existisse, na
esperança de que essa decisão nos prive de senti-la. E assim, a única coisa que
conseguimos é estendê-la ainda mais, aumentá-la ainda mais, cultivá-la dentro da
gente por um tempo muito mais longo, tornando-a mais intensa e mais enraizada à
medida que a renegamos e fingimos que ela não existe!
É o seu coração que
quebrou! Faça como faria com sua perna quebrada. Assim como o osso vai colar,
também o seu coração vai se recuperar! Mas para que isso possa acontecer, você
precisa se dar um tempo. Não fugindo, mas entregando-se à dor, entrando em
contato com ela, doendo até o fim, porque enquanto você não doer a dor que há
para ser doída, ela continuará latejando em sua alma, queimando você por dentro
e infectando todo o seu coração... Assim como aconteceria com a sua perna caso
você decidisse fingir que ela não está quebrada, se insistisse em andar como se
nada tivesse acontecido!
Essa é a única
maneira de superar a dor! Doendo, chorando, sofrendo... E você poderia se
perguntar: mas até quando?!? O tempo necessário, o suficiente! Você sentirá,
você saberá, porque você tem um objetivo: senti-la até o fim, esgotá-la para que
possa absorver todo o aprendizado que chega com ela!
E quando você
sentir que ela está insuportável, peça ajuda! Chame um amigo, escreva essa dor
no papel, tornando-a externa, colocando-a para fora de você, mas de forma
consciente, conseguindo colocá-la diante de você e olhar para ela! Faça uma
terapia para tentar compreendê-la mais facilmente! Leia um livro que fale sobre
sentimentos e o quanto podemos aprender com eles!
Enfim, faça
qualquer coisa para aliviar a sensação de insuperabilidade, desde que não seja
uma fuga, desde que você não aja como se ela não existisse, porque ninguém dói à
toa, sem uma razão que o valha! Desta forma, tenho certeza de que ela acaba.
Nada é para sempre quando não queremos que seja! Nem a dor, a menos que optemos
por viver ignorando-a.
Talvez ela deixe
cicatrizes, lembranças desagradáveis, mais depois de sentida, vivenciada e
esgotada, o coração volta a ser fértil, abre espaço para uma nova oportunidade
de amar... E assim é a vida: noite e dia, tristeza e alegria, amor e dor, num
constante movimento de nascer e morrer, garantindo a reciclagem e a evolução de
todos nós...
- E repito: não é
fácil, nem um pouco fácil! Mas é possível e só depende de nossas escolhas, de
nossos objetivos e do quanto conseguimos compreender que a dor faz parte, que
ela é uma grande mestra... Sem ela, nos acomodaríamos e nos acostumaríamos com
tudo o que é triste, feio e inútil. É a dor que nos impulsiona em busca do amor
inteiro, verdadeiro, maior!
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- Sobre
Rosana Braga
- Reconhecida
como uma das maiores especialistas em relacionamentos interpessoais do país,
Rosana Braga desenvolve um trabalho considerado inspirador e eficaz, promovendo
mudanças no âmbito pessoal e profissional. Pesquisadora da área há mais de 10
anos, ela surpreende ao propor atitudes e soluções no complexo mundo das
relações, conduzindo as pessoas a se apoderarem de seu potencial e ressaltando a
diferença entre “quem quer” e “quem faz”. Palestrante em Relações Interpessoais
e Desenvolvimento Profissional, escritora, jornalista e consultora em
relacionamentos.
- Site
da autora: http://www.rosanabraga.com.br/
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