- Março
2009
Quando você se
relaciona com alguém, sob qualquer título amigo, parceiro, companheiro,
namorado, cônjuge, etc. esta relação pode ser comparada a uma combinação entre
dois elementos químicos.
A interação
entre o que você é e o que o outro é resulta num terceiro elemento, diferente do
que cada um é individualmente e diferente também da simples soma de duas
individualidades, já que somos intrinsecamente mutáveis.
Não é difícil
perceber essa alquimia se observarmos que nos comportamos de modo específico e
diferenciado dependendo de com quem estamos. Com algumas pessoas somos mais
calmos, com outras, mais frágeis; com algumas, mais agitados, com outras, mais
espontâneos; e por aí vai...
Aí está o
encanto dos encontros: tudo pode ser transformado! Basta que um dos dois mude, e
o resultado será novo, será outro, diferente do obtido até
então...
Mas,
infelizmente, muitas vezes nos esquecemos desta opção (ou escolhemos nos manter
na cômoda posição de ignorá-la). Preferimos acreditar que o outro é sempre o
mesmo, não muda nunca e que, sozinhos, por mais que tentemos, não podemos
transformar a relação.
Nesta crença
estão contidos dois enganos extremamente limitantes: o primeiro é que o outro
não é o mesmo de sempre e pode mudar a qualquer momento, acredite você ou não. O
mais provável é que você não queira se arriscar a olhar para esta possibilidade,
até porque tais mudanças não necessariamente serão do seu agrado; mas que ele
pode mudar, não resta dúvida.
O segundo engano
refere-se ao fato de que você, sozinho, é capaz de mudar a relação, sim. Talvez
não queira. Talvez não esteja disposto. Entretanto, é fato: quando você muda, a
relação muda! Claro que isso também não é garantia de que o outro gostará da
mudança, mas que será diferente, será!
Porque se
considerarmos que mudanças são escolhas pessoais e intransferíveis, ou seja, que
somente estamos habilitados a promover mudanças a partir de nossas próprias
atitudes mudadas (e, portanto, ninguém pode mudar pelo outro), há aqui uma
valiosa conclusão: se você deseja que sua relação seja diferente do que é
atualmente, decida-se você por mudar seu comportamento e pare de investir toda
sua energia na expectativa de que o outro mude. Caso contrário, correrá o
eminente risco de se frustrar várias e várias vezes.
Óbvio que é
extremamente delicado investir em mudanças quando o outro é parte essencial do
que virá a ser. Requer dedicação, paciência e persistência. Requer o exercício
constante e intensivo de suas melhores qualidades. Requer, sobretudo, a decisão
contundente e firme de que você deseja dizer e expressar, ser e agir, propor e
sentir um amor manualmente transformado...
E é aí que está
o xis da questão: sentar-se no sofá da sala e pensar em como têm sido chatos os
seus dias ao lado de alguém com quem você imaginou viver uma linda história de
amor é realmente bem mais fácil... Porém, não lhe rende alegria, satisfação e a
sensação de ter feito absolutamente tudo o que podia para que os próximos dias
sejam diferentes...
Ter na ponta da
língua um sem número de reclamações não lhe permite vivenciar uma competência
superior, ousada, própria de quem redige sua história no imperativo, de modo
consciente, e não no condicional, somente reagindo ao ritmo que a vida ou as
pessoas lhe impõem.
No final das
contas, sua capacidade de dar novo sentido para esta relação (e para sua vida) é
uma oportunidade de apostar naquilo que você deseja para si, de um novo jeito. E
se conseguir enxergar a sutileza contida nesta possibilidade, certamente
entenderá que a felicidade não está apenas nos resultados que obtém, mas
especialmente no que você faz, e como faz, para alcançá-los.
Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
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