- Outubro
2008
-
Quanto mais endurecido e inflexível, mais fácil de
se quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria – fisicamente constatável –
não vale apenas para os objetos mas, sobretudo e cada dia mais, para o
comportamento humano.
Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são
fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a
resiliência e também mote para o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na
profissional.
Fácil assimilar quando entendemos que não dá para crescer na
rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas
medidas e aos novos formatos. Sendo assim, inteligente é quem aprende a
metamorfosear.
É notório que no mundo corporativo, a busca é cada vez mais
enfática por profissionais capazes não de aceitar as diferenças
inerentes a uma equipe ou um departamento, mas – acima de tudo –de
celebrar essas diferenças.
Já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles
uma oportunidade de promover mudanças necessárias, evoluir e se tornar melhor
justamente por causa do que lhe é adverso.
Há alguns anos, desenvolvendo pesquisas sobre o que chamo de
Inteligência Afetiva, constatei como é latente a falta de flexibilidade nos dias
de hoje. Isso me levou a debruçar sobre uma questão fundamental e esquecida na
atualidade: a gentileza. Não descobri nenhum segredo; a evidência já estava
aí, porém adormecida: pessoas gentis são flexíveis... e poderosas! Este trabalho
resultou no livro “O Poder da Gentileza”.
É incrível como ainda há quem aposte que investir nas
relações humanas não é o comportamento mais eficaz para os que ambicionam altos
cargos ou grandes fortunas. Estes, certamente, desconhecem o poder da
gentileza.
O “Movimento pela melhoria das relações
interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza” (World Kindness
Movement) – cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira
de Qualidade de Vida (ABQV) – declara que pessoas gentis são mais valorizadas no
mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os
funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos
resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.
A gentileza, e por conseqüência a flexibilidade e a
tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e
física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos
incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que
em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida
apenas das doenças cardiovasculares.
Qual é a razão para tamanha insatisfação? Estou certa de que,
em última instância, não se trata de aumento de salário ou posição hierárquica.
Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de
qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e
de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com
as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata,
pode apostar!
Portanto, embora as habilidades técnicas sejam
imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional
para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser
agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão
pessoal.
As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores
para a mudança de comportamento, mas ser gentil é essencialmente uma escolha do
indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente.
Ou seja, a gentileza é um exercício diário!
7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de
Trabalho
1.
Aprenda a escutar. Ouvir é
muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.
2.
Evite julgamentos e ações
precipitadas. Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde.
3.
Peça desculpas. Isso pode evitar conflitos
maiores e salvar relacionamentos.
4.
Valorize o que a situação e o outro
têm de bom. Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
5.
Seja solidário e
companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por
sua realidade de vida.
6.
Analise a situação.
Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do
problema.
7.
Faça justiça. Esforce-se
para compreender o outro e não para ganhar, como se eventuais discussões fossem
jogos ou guerras.
Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
Orkut |