- Janeiro
2009
Desde
que o filósofo francês Descartes escreveu, no século XVII, a tão difundida e
venerada frase Penso, logo existo, muitas coisas estranhas tem acontecido no
que diz respeito a este assunto.
De
fato, passamos a pensar mais e mais e a considerar que quanto mais alguém pensa,
mais esse alguém vive e, consequentemente, melhor esse alguém se torna. Ainda
que haja certa verdade nesta idéia de que pensar é uma boa maneira de fazer o
ser humano evoluir, creio que temos nos equivocado profundamente sobre a
essência desta frase!
Basta
observar para perceber: durante os últimos séculos e especialmente as últimas
décadas, temos pensado cada vez mais, temos tido acesso a um número cada vez
maior de informações, nunca estivemos tão expostos à tecnologia e ao avanço de
diversas áreas técnicas. No entanto, que estranho... temos existido, genuína e
essencialmente, cada vez menos.
Falo
da existência plena, de estar conectado com o presente, vivendo o que está
acontecendo agora. Falo de se dar conta das sensações que podem ser
experimentadas neste momento, de conseguir olhar verdadeiramente para si e para
o outro.
Falo
de uma existência que só é possível quando a gente deixa aflorar algo que está
muito além do exercício desenfreado do pensamento. Falo de sentir, de agir, de
ser.
Felizmente, depois de Descartes, a voz do povo criou o provérbio:
Quem muito pensa, não faz!. Neste sim eu aposto. Quantas vezes deixamos de dar
uma idéia pro chefe porque entramos num redemoinho de pensamentos que gritam em
nossa mente: será que ele vai me ouvir?, será que é mesmo uma boa idéia?,
será que não vão se aproveitar da minha
criatividade?.
Ou
ainda, quantas vezes deixamos de viver um amor porque mergulhamos em pensamentos
do tipo e se eu não for correspondido?, será que é a pessoa certa?, e se eu
me der mal?.
Talvez
você se identifique mais com algo assim: há tempos você se planeja para começar
a freqüentar a academia, mas seus pensamentos lhe paralisam repetindo
sorrateiramente melhor deixar para o mês que vem que terei mais dinheiro
disponível, já me sobra tão pouco tempo, que a academia só complicaria mais
minha vida, poxa, ir sozinha não tem graça!... e por aí
vai!
E o
pior de tudo é quando pensar não te deixa dormir. Você deita na cama se sentindo
exausto, mas lá estão os seus pensamentos mais acordados do que nunca,
perturbando seu sono, lhe roubando a tranqüilidade e fazendo com que você se
transforme num pastel, rolando de um lado pro outro durante
horas.
Note
como você abandona seus planos e termina não realizando tantos sonhos
simplesmente porque se deixa dominar pelo excesso de pensamentos inúteis.
Observe como sua mente tenta prever o futuro para te convencer de que é melhor
desistir, não arriscar.
E se
isso faz sentido pra você, preste atenção: você se tornou um cabeção. Sua mente
parece mais um hospício do que um templo, quando deveria ser justamente o
contrário: muito mais silêncio e muito mais foco do que desculpas, nada mais que
desculpas.
Da
próxima vez que se encher de coragem para dar um novo rumo à sua vida e, em
seguida, sua mente começar um bombardeio de se, será?, deixe pra semana que
vem, não tenho tempo, quando eu tiver dinheiro, grite o mais alto que
conseguir, para si mesmo: CALA A BOCA, CABEÇÃO! e simplesmente
FAÇA! Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
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