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Comportamento
- Onde for, vá para ser
estrela!
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Numa dessas segundas-feiras em que a gente tem a impressão de que deveria ter
ficado em casa, eu estava realmente irritada. Alguns obstáculos no trabalho,
pouco tempo para muita tarefa e eu atrasada para um
compromisso...
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- Saí dirigindo rumo ao meu destino;
tensa, ligada no piloto automático. Parei no semáforo do cruzamento entre a
França Pinto e a Domingos de Moraes, zona Sul de São Paulo. De repente, ouço uma
voz do lado de fora dizendo:
- - Posso cantar uma música para
você?
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- Olhei assustada, pensando “Lá vem
pedido de dinheiro, de novo!”. Fiquei constrangida em negar um pedido tão
diferente e disse que sim, afinal ele tinha até o violão! Antes, ele avisou: é
do Alceu Valença. E começou a tocar aquela, justamente aquela que eu adoro –
La Belle du Jour.
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- O sujeito de pele morena, vestido
de maneira extremamente simples, cantava só pra mim em plena tarde, na louca
cidade. A cena era, no mínimo, mágica. Desliguei o rádio do carro; o celular
tocou e eu não atendi. A voz dele ia apaziguando meu coração
agitado.
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- Lembrei-me de que teria de dar o
tal “trocado”, mas raramente ando com dinheiro. Encontrei na bolsa R$0,75 (isso
mesmo: setenta e cinco centavos!). Quando ele terminou, eu estava um tanto
atordoada com o encantamento provocado por aquela surpresa. O que um artista
como ele estaria fazendo num semáforo, cantando em troca de
gorjeta?!?
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- Sorri, agradecida por tão singelo
presente e, ao mesmo tempo, chateada por ter tão pouco para “pagá-lo”. E ele
ainda me disse, ao pegar as duas moedas:
- - Muito obrigado por me ouvir. Você
é muito simpática!
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- O semáforo abriu e fui embora, mas
não consegui parar de pensar no que havia acontecido. Já não estava tensa. Todo
o cenário do meu dia havia se transformado por causa daquele homem e seu dom. Eu
me sentia a própria Belle du Jour.
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- Fiz aquele mesmo caminho durante
vários dias depois, em horários diversos... mas nunca mais vi aquela ‘estrela’
com violão nas mãos e magias escondidas na boca para dar de presente a quem ele
escolhesse.
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- Hoje, fico me perguntando se fora
realmente um homem ou um anjo. Talvez fosse mais racional pensar que ele
simplesmente migrou para outro semáforo qualquer, mas prefiro acreditar que
tenha sido um anjo. Afinal, a vida é exatamente aquilo que acreditamos que ela
seja.
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Bem melhor, portanto, pensar em
encantamentos, presentes, surpresas, anjos e fadas, como se a nossa história
fosse enredo de um lindo filme campeão de bilheterias. Gosto de pensar que o
Grande Diretor me convidou para ser a protagonista do filme que vivencio todos
os dias, pois assim fica muito mais romântico, interessante, empolgante e
inspirador.
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- E é por isso que, a despeito de
qualquer tristeza, de todas as dores e os eventuais problemas, continuo
acreditando no amor. E desejo que você também acredite, porque basta que
desejemos o amor... e haverá amor!
- Sobre
a colunista
Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
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