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Tomara que você tenha
se feito perguntas parecidas com essas ao ler o título deste artigo. Afinal,
será mesmo que alguém, em sã consciência, gostaria de ser enganado? Parto do
princípio de que não!
A grande maioria de
nós inicia relações, sejam de parceria profissional, amizade, namoro ou sob
qualquer outro nome, desejando que a base delas seja – entre outros predicados –
a sinceridade! Aliás, um dos adjetivos que mais valorizamos numa pessoa é
justamente a sua capacidade de dizer a verdade!
No entanto, haveremos
de descobrir, ao longo de inúmeras experiências que vivermos, que a mente mente!
Ou seja, nosso complexo e ainda misterioso cérebro (um emaranhado de consciência
e inconsciência) cria mecanismos de defesa ou estratégias de ataque que podem
ser, antes de mais nada, perigosas e eficientes armadilhas. Uma delas – e mais
comum do que imaginamos – é uma espécie de pedido para sermos
enganados.
Pedimos?!? Sim,
pedimos, mesmo sem termos a menor noção de que estamos fazendo isso. Na ânsia de
amenizar certos sentimentos (solidão, baixa auto-estima, carência...) ou
experimentar certas sensações (aceitação, acolhimento, segurança...), criamos
uma realidade que, na verdade, não existe!
Projetamos em alguém
ou numa situação aquilo que gostaríamos de viver e sentir, e julgamos – ingênua
e equivocadamente – que nosso desejo se tornou real e a vida nos presenteou com
a chance de, finalmente, sermos felizes.
É a armadilha da
idealização: passamos a viver uma história “ideal”, criada e alimentada por
aqueles sentimentos e sensações que citei antes, do jeitinho que sempre
desejamos que ela fosse; e embebedados por nós mesmos, nos recusamos a enxergar
a história como ela realmente é. Nossa mente passa a perceber, sentir e concluir
não a partir do que está acontecendo de verdade, mas a partir de uma projeção
deste ideal, ou seja, de uma ilusão...
Dependendo do quanto
os envolvidos nessa nossa ilusão também a alimenta, e também dependendo do tempo
que demoramos a “cair na real”, os estragos podem ser grandes. Aqui cabe muito
bem o ditado “quanto mais alto, maior o tombo”.
Como não preencher o
cupom? Como não idealizar? Como não se enganar ou não permitir que alguém o
engane? Bem... tudo começa na coragem. Todos nós podemos ser corajosos, mesmo
quando estamos com medo. Coragem não é a ausência do medo e sim o reconhecimento
de nossa capacidade de superação.
Claro que não é fácil
lidar com solidão, carência, baixa auto-estima, insegurança, entre outros
sentimentos que nos colocam frente a frente com nossas limitações, mas com
dedicação e persistência, podemos aprender... e temos a vida toda para isso,
embora seja prudente começarmos o quanto antes!
No mais, se você está
com a sensação de ter se enganado ou de ter sido enganado mais vezes do que
gostaria, perceba os sinais. Se a sua voz interior (ou intuição) lhe disser, em
alguns momentos, para você ir com calma, vá com calma! Se as pessoas que amam
você lhe alertarem para as improbabilidades desta situação, mantenha-se alerta!
Se a situação vivida lhe parecer “a cura que caiu do céu”, que vai lhe salvar de
todas as suas angústias, questione-se: será que você não está fugindo de si
mesmo? Será que não está evitando ter de enfrentar suas dores, preferindo um
atalho que parece lhe conduzir a uma “felicidade” bem mais
rápida?
E fique com o coração
bem aberto – a resposta virá! Talvez você descubra que o que poderia ter se
configurado como uma grande enganação é, na verdade, a oportunidade de aprender
algo muito precioso. Mas se, infelizmente, descobrir que é tarde demais e que
você realmente se deixou enganar, corra atrás do prejuízo, rasgue o cupom
preenchido e encha-se de coragem para abandonar o lugar de vítima e tornar-se
dono de sua própria história...
- Sobre
a colunista
Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
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