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Eu sei... parece bem estranho supor que alguém possa
estar “contra” a pessoa que ama. Entretanto, você mesmo já deve ter presenciado
alguns casais, no ritmo diário, que se agridem verbalmente, expressando total
falta de paciência um com o outro e tratando-se mais como se estivessem ‘contra’
do que ‘com’ seu parceiro...
Muitas vezes, este jeito de tratar o outro termina se
tornando “normal”, ou melhor, um vício. Quem está de fora e não acostumado com
este tipo de cena sente-se constrangido e tenso, mas a impressão que fica é que
o casal nem se dá conta da grosseria que permeia os diálogos e as colocações que
fazem um ao outro.
Porém, estou absolutamente certa de que este tipo de
tratamento vai tornando a relação ressequida, cheia de mágoas e ressentimentos.
E um belo dia, quando um dos dois “acorda”, percebe que já se passaram anos e
anos sem que tenha encontrado a felicidade no casamento, namoro ou noivado. E aí
fica aquela sensação de vazio, de tempo “jogado fora”, de desperdício de
possibilidades.
De forma alguma quero dizer que a solução para este
tipo de problema seja a separação. Antes de mais nada, penso que uma relação
norteada por dores engolidas e colocações que parecem farpas esfregadas na alma
está, sobretudo, demonstrando o quanto cada um deve olhar para si mesmo e se
perguntar o que é que está acontecendo.
Problemas todo casal tem. Isso a gente já sabe de cor.
Agora, transformar o cotidiano numa briga de foices, numa disputa de facas, numa
angústia sem-fim me parece que já é absoluta falta de cuidado, percepção e
sensibilidade.
As relações amorosas pedem devoção, compreensão e
carinho para que possam servir como caminho para evolução. E quando as
desavenças acontecem, é preciso que um e outro saibam ceder, calar, ouvir sem
agredir, relevar o “dia ruim” do parceiro...
E tudo isso me faz lembrar de um trecho da música
“Não vá ainda”, da Zélia Duncan:
“... Me diga como você pode Viver indo
embora Sem se despedaçar Por favor me diga agora Ou será, que você nem
quer perceber? Talvez você seja feliz sem saber”...
Acredito que existem muitos casais que vivem
“indo embora”. E ir embora não significa apenas fazer as malas e partir.
Responder grosseiramente, agredir verbalmente, viver com as flechas apontadas
para o parceiro, à espera de um motivo – por mais tolo que seja – para
dispará-las... é ir embora da relação, é abandonar o outro, é virar as
costas...
E mais triste do que ir embora deixando a
sensação de que você nunca se despedaça (porque é só uma sensação... a gente
sempre se despedaça quando vai embora...), é chegar à conclusão de que você é
feliz sem saber... de que você viveu anos e anos ao lado de alguém tendo todos
os motivos e todas as chances para ser feliz... e simplesmente não
sabia...
Casais com filhos lindos, com condições
financeiras razoáveis, com saúde e possibilidades de construir muitas coisas
juntos... casais felizes sem saber... que se deixam morrer ao longo do caminho,
ao longo dos dias, presos a picuinhas, a coisinhas tão pequenas e tão vis que
jamais justificariam mais uma partida, mais um abandono...
No início pode ser bem difícil ficar, não ir
embora, não ser grosseiro, especialmente quando a sua relação já está
condicionada ao despedaçamento constante. Entretanto, estou certa de que você
pode ao menos tentar, dar o primeiro passo.
Sugiro que você comece a focar o lado positivo
deste encontro de amor e exercite a sua capacidade de permanecer, de acolher, de
ceder... Veja quanto você pode esperar, antes de colocar uma possibilidade de
felicidade a perder...
E para terminar este apelo à doçura no lugar da
grosseria, para concluir este pedido de inclusão do ‘com’ no lugar do ‘contra’,
deixo mais um trecho desta linda música, pra você refletir e se dar conta de que
esta ‘voz’ pode parecer a sua, mas também pode ser a do outro...
“...Onde você vai? Não é tão simples
assim Porque às vezes meu coração não responde Só se esconde e
dói”...
- Sobre
a colunista
Rosana Braga é
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora
dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para
viver", entre outros. www.rosanabraga.com.br e Comunidade no
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