|
06
de Agosto de 2010
|
|
Pesquisa da ONG Estruturação - Grupo LGBT de Brasília aponta a forte
tendência dos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais brasilienses
de votar em candidatos a deputados distritais assumidamente gays ou lésbicas.
Perguntados sobre o grau de influência que a orientação sexual de um candidato
exerceria sobre sua decisão na hora de votar, 72% dos entrevistados afirmaram
que pretendem votar em políticos fora do armário.
"Os candidatos que pretendem conquistar o voto LGBT não devem se preocupar
apenas em assumir sua orientação sexual. O público gay de Brasília é bastante
exigente em relação às propostas e planos de governo", alerta o coordenador do
Núcleo de Pesquisa do Estruturação, José Jance Marques. Ele lembra que, segundo
a pesquisa, a análise de currículo é crucial para 48% dos entrevistados e a
viabilidade das promessas é levada em consideração por 69% dos LGBTs da
Capital.
O levantamento da ONG traça o perfil socioeconômico e político dos LGBTs da
Capital Federal e ouviu 318 pessoas entre os dias 3 e 15 de julho de 2010. A
margem de erro da pesquisa é de 4 pontos percentuais para mais ou para
menos.
Quando questionados sobre seu posicionamento em relação aos outros cargos,
73% dos LGBTs afirmaram que votarão em candidatos à Câmara Federal e ao Senado
que prometerem apoiar os projetos de lei que tramitam nas Casas e que discutem
direitos da minoria, como o casamento, a adoção e a criminalização da
homofobia.
O presidente do Estruturação, Julio Cardia, acredita que o momento político
atual permite a eleição de um representante do movimento LGBT. "Os gays de
Brasília começaram a enxergar que precisam de representantes sérios para
conseguir avançar na conquista de seus direitos. No DF, estima-se que haja algo
em torno de 50 mil LGBTs aptos a votar, um público que, se unido, consegue
eleger pelo menos quatro deputados distritais e dois federais. Os candidatos já
vislumbraram esse volume de eleitores e não pretendem desprezá-los", avalia.
Ainda segundo a pesquisa, os candidatos eleitos pelo voto LGBT terão que
administrar cobranças mais rigorosas. "Mais de 80% dos entrevistados conseguem
lembrar em quem votaram nas últimas eleições. Cerca de 60% afirmaram que já
entraram em contato com seus candidatos e cobraram as promessas de campanha.
Quem se arriscar a representar os LGBTs deverá estar preparado para essas
cobranças", alerta Marques.
Sobre a ONG - O Estruturação - Grupo LGBT (lésbicas, gays,
bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) de Brasília é uma organização
não-governamental e sem fins lucrativos. O grupo, fundado em 9 de janeiro de
1994, é a entidade de trabalho pela defesa, garantia e promoção da cidadania de
LGBT mais antiga do Centro-Oeste e uma das que existem há mais tempo no Brasil.
Como reconhecimento de sua ação inovadora e ampla, o Estruturação recebeu o
Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2003, concedido pela Presidência da
República. Essa foi a primeira vez em que tal honraria, a mais importante de
Direitos Humanos do País, foi concedida a uma organização LGBT. |