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01
de Setembro de 2010
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- O líder cubano Fidel Castro admitiu sua culpa pela marginalização dos
homossexuais em Cuba nos anos 60 e 70, quando foram levados para campos de
trabalho, na segunda parte de uma entrevista para o diário mexicano "La
Jornada", publicada nesta terça-feira.
Na véspera, na primeira parte da entrevista, Fidel surpreendeu ao admitir ter
'ressuscitado' da grave doença que o afastou do poder.
"Se alguém é responsável, sou eu... Está certo que, naquele momento, não
tinha como me ocupar do assunto... Eu me encontrava imerso principalmente na
Crise de Outubro (1962), com a guerra, com as questões políticas", declarou o
ex-governante ao jornal referindo-se à perseguição homossexual.
Fidel, de 84 anos, não responsabilizou diretamente o Partido Comunista (PCC)
pela discriminação sexual e lamentou não ter prestado mais atenção ao tema em
uma época de sabotagens, ataques armados e tentativas de atentado contra
ele.
"Não era uma tarefa fácil escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às
vezes entre eles mesmos. Mas, no final das contas, de qualquer maneira, se for
preciso assumir a responsabilidade, eu assumo. Não vou jogar a culpa em
ninguém", reafirmou o líder comunista, na entrevista difundida no site oficial
Cubadebate.cu.
Nos anos 60 e 70 muitos homossexuais foram exilados ou encarcerados em campos
de trabalho, as chamadas Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAP), por não
corresponder ao modelo "revolucionário".
"Sim, foram momentos de grandes injustiças, uma grande injustiça! Eu fiz com
que fosse. Estou tentando delimitar a minha responsabilidade em tudo isso
porque, pessoalmente, não tenho esse tipo de preconceito", declarou.
O líder cubano, que depois de governar 48 anos delegou o poder ao irmão Raúl
em 2006 por causa de uma grave crise de saúde, reconheceu o impacto negativo da
marginalização homossexual na imagem da revolução em diversos setores, sobretudo
na Europa.
"É como quando o santo peca, não é? Não é o mesmo quando peca o pecador",
comentou Castro, que nos últimos dois meses vive uma intensa atividade pública,
recuperado de uma doença intestinal.
A entrevista também menciona a campanha contra a homofobia liderada por sua
sobrinha, a filha do presidente Raúl Castro, Mariela, diretora do Centro
Nacional de Educação Sexual. Em janeiro, ela afirmou que ainda existia
discriminação no PCC, dizendo ainda que reivindicaria medidas para combater
isso.
Fidel, que também abordou nesta parte da entrevista a vigência do embargo
imposto pelos Estados Unidos contra Cuba em 1962, mencionou na primeira parte
publicada na segunda-feira o sensível tema de sua doença. "Cheguei a morrer, mas
ressuscitei" em "um mundo de loucos", afirmou.
"Cheguei a estar morto, mas ressuscitei (...). Quero dizer que estás diante
de um uma espécie de re-ssus-ci-ta-do", declarou Fidel à jornalista do "La
Jornada".
"Já não aspirava a viver (...) Perguntei várias vezes se essa gente (os
médicos) se iam me fazer viver nessas condições ou se iam permitir que eu
morresse. Depois sobrevivi, mas em condições físicas muito ruins", acrescentou o
líder no artigo divulgado no site Cubadebate.cu.
Fidel explicou que foi um período em que teve muitas perdas de
consciência.
Sua esposa Dalia Soto del Valle, que participou na entrevista em Havana,
contou ainda que o líder comunista chegou a pesar apenas 66 kg quando iniciou
sua lenta recuperação.
"Imagina: um tipo com minha estatura pesando 66 kg. Hoje estou entre 85 e 86
kg, e esta manhã consegui dar 600 passos sozinho, sem bengala, sem ajuda",
enfatizou.
"Não quero ficar ausente nesses dias. O mundo está na fase mais interessante
e perigosa de sua existência e estou bastante comprometido com o que vai
acontecer. Ainda tenho coisas a fazer", concluiu.
Com
informações da AFP
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