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14
de Setembro de 2010
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- Qual
foi o tema da Parada Gay esse ano? Você sabe? Foi essa pergunta que fiz para
muitos dos que estavam planejando ir a 9ª edição da Parada Gay que ocorreu
Domingo, 12, no centro de Salvador.
Como
em todos os anos, os carros alegóricos desfilaram pela avenida causando comoção
a cada música que ecoava. E para muitos, o momento certo de sair do armário de
uma vez por todas. Mas só na Parada, tá?
A
Parada Gay, de uns tempos pra cá, tornou-se um grande carnaval. Muitos
amigos ficaram surpresos quando eu disse que não participaria (ativamente)
dessa edição. Optei por ver de longe. Na verdade, me senti mais gay não subindo
mais nos trios para bebemorar o orgulho ao som de música eletrônica e ver o
couro comendo solto lá embaixo.
Não
é que condene a Parada em sí, mas não vejo mais com olhos de esperança esse
tipo de movimento. Quando fui à primeira vez, aos 28, era como se aquele
dia limpasse toda a injustiça dos outros 364 dias, e naquele dia, eu podia
bater no peito e ter orgulho do que sou. Anos mais tarde, percebi que nada
daquilo era necessário, e que eu deveria ter orgulho o ano todo da minha condição,
e não só em uma data meramente comemorativa.
A
Parada em sí é um movimento admirável e com grande comoção nacional, pois
podemos ver senhoras, famílias e jovens que estão se descobrindo. Porém, a
imagem que fica ainda é o das travestis siliconadas exibindo os corpos seminus,
ou dos jovens heterossexuais que tornam a Parada um carnaval grotesco, ou
ainda, o número incalculável de ladrões pelas ruas e becos do centro da cidade,
que promovem um verdadeiro filme de horror durante o evento.
É
isso que chamam de movimento, de militância?
Me
admira muito que o GGB, que é um órgão sério e com intenções valiosas ainda
permita esse tipo de festa.
Mas
o que fazer? Proibir a Parada? Vetar o acesso dos heterossexuais? É uma
alternativa, mas pouco seria resolvido com isso. Pois voltaríamos a ter guetos,
e não é essa a intenção. O verdadeiro motivo é mostrar a sociedade que fazemos
parte dela, com toda a diversidade que existe dentro do mundo GLS, mas para
isso, o movimento necessita de um evento coerente com essas expectativas, com
as reivindicações e a ordem de protesto.
É
triste caminhar pela avenida e ver casais heterossexuais aos amassos e achar
que tudo é natural, que tudo é graça, enquanto o restante pula ao som de Lady
Gaga e se esquece do motivo pelo qual esse evento existe. É triste ver que o
que reivindicamos há anos agora virou moda. Um simples fetiche para alguns.
Ainda
tenho esperança que os gays de todo o país tomem consciência do real motivo
desse tipo de movimento e, a exemplo do que ocorrem em São Francisco
e na Europa, a Parada Gay torne-se realmente um movimento pelos direitos
homossexuais, e não um carnaval de rua cuja trilha sonora é o pagodão que nada
tem haver com a nossa cultura – falo da cultura gay-.
Mas
para que isso ocorra é necessário educar a população, a tarefa mais difícil. É difícil
conscientizar um povo que está acostumado a ouvir calado e deixar de lutar por vergonha, que é capaz de lutar para ser sede da Copa do
Mundo, mas é incapaz de lutar para ser respeitado pelo que é.
Esta edição da Parada teve como tema o combate à homofobia,
racismo e machismo no Estado, mas que na prática seria preciso um espírito de
garimpeiro para tentar peneirar algum tipo de proposta política ativa em nossa
capital. Ficam apenas os gritos e berros de um militante afirmando nos
microfones dos trios elétricos que a Bahia é Gay, Maria Bethânia é gay...
Agora, o que resta saber é se essas 500 mil pessoas vão lembrar
disso na hora de ir às urnas, no restante do ano quando saírem às ruas, ou
se levantarão novamente suas bandeiras coloridas só no próximo
ano.
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