- Salvador
- 21.02.2008
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Estou ficando
viciado em sair de madrugada e comer sanduíche natural à noite. Dia desses,
estava morrendo de vontade de comer um Caprese,
meu sanduíche preferido da Subway, e como eu moro perto de uma (a duas quadras)
não resisti ao desejo e fui matá-lo.
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- Tornou-se
comum minhas fugidas na madrugada, já que minha geladeira não ajuda tanto,
parece igreja, sempre sem nada. Muitas vezes eu vou sozinho para relaxar um
pouco e tentar desviar das chatices rotineiras do dia a dia e que não são
poucas, mas também não deixo de considerá-las fundamentais para colocar meu dia
em hiperatividade.
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- Normalmente
no balcão da Subway são disponibilizadas revistas para leitura e sempre é
possível encontrar revistas locais de distribuição gratuita. Por coincidência, uma
semana antes, eu tinha dado uma entrevista para o site Parou tudo e falei sobre
a imprensa baiana que ainda utiliza preconceitos quando falam de homossexuais
me referindo aos programas populares que adoram tirar sarro da comunidade GLBTS.
Não demorou para eu me conscientizar que o perigo maior estava à minha frente e
a alguns centímetros de distância.
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- A revista
Metrópole é uma dessas publicações gratuitas, pertencente a uma empresa de
comunicação de um ex-prefeito da cidade. Alguns mais informados sobre política dizem
que a revista serve como uma tentativa para o mesmo se mostrar da oposição e
conseguir se candidatar novamente a prefeito.
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Ao folhear a
edição nº08 da revista, me deparei com uma matéria que trazia no seu projeto
gráfico, as cores da bandeira do arco-íris e uma imagem de um boneco vestido de
plumas, bem afetado, descendo de uma aeronave com o nome de AIR BIBA, o que já
me chamara atenção. Logo de cara achei um tremendo mau gosto a ilustração da
página mais relevei, afinal existe tanta gente por ai querendo obter fama em
cima da comunidade gay e aquela poderia ser a oportunidade que faltava para o
autor da matéria.
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- A ilustração
era apenas uma porta de entrada para certo conteúdo camuflado, de boa escrita e
passagens históricas nas décadas de 60 e 70, citando gays como Evandro de
Castro Lima que fixou residência no Rio e fez sucesso nas festas momescas da
cidade maravilhosa.
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- Segundo a
pesquisa de seu autor, Evandro foi deportado da cidade para que os familiares
não passassem a vergonha de presenciar a sua “boiolagem assumida”. Estas são as palavras da matéria que tem como
titulo: “Do armário para o Mundo” e sub-titulo
de “Nas famílias abastardas baianas,
viado bom era viado longe”.
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- O autor
parece fazer uma releitura de expressões que na época eram utilizadas para se
referir aos homossexuais, mas aconselharia que o mesmo tivesse uma dosagem equilibrada
e menos agressiva para não interferir mesmo que indiretamente, na diminuição do
preconceito contra os gays desta cidade.
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- Chocado com
a abordagem dada ao conteúdo e com a forma de depreciação à cena gay local,
avaliei o quanto nossa comunidade anda sozinha em uma luta que nem mesmo nós sabemos
a quem devemos procurar para pedir ajuda.
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- O que parece
é que tenta-se abster da real tolerância de nossa cidade com a diversidade, a
fim de praticar o preconceito, utilizando da posse de um meio de comunicação,
com o intuito de se mostrarem opositores politicamente e que buscam sua autopromoção
apelando para a falta de respeito, e talvez por uma possível candidatura de seu
proprietário.
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- A revista
tenta influenciar os jovens e a sociedade conservadora promovendo ofensas não
só contra os gays mais também contra os políticos que não estão de acordo com o
seu padrão partidário como é o caso do deputado federal ACM Neto que vem
defendendo intransigentemente as liberdades de orientação sexual assim como a
união civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado participou de uma
entrevista nesta mesma edição e o entrevistador não cansava de se mostrar
insinuante nas suas perguntas maldosas sempre citando as causas gays.
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- De volta a
matéria, quando o colunista se refere aos gays de chibungos, viados, ovelha negra da família e ainda classifica que
vivemos num “mundo cor de rosa choque”
como se tivéssemos num mundo à parte, diferenciado do habitat natural dos seres humanos existentes na terra,
coloca em questão a valorização humana, o respeito às diferenças e a tolerância.
Provoca uma série de situações incômodas para quem é gay e certamente freqüenta
os locais que coincidentemente é distribuída a revista e se torna um prato
feito para quem não é gay e que espera um momento como este para explicitar o
seu ódio contra os homossexuais.
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- Se meia
palavra basta, a matéria possui um conteúdo que promove a homofobia (considerado
crime), que nossos governantes e autoridades públicas deveriam investigar e
procurar interceder não só na circulação desta revista mas numa possível
explicação de seu autor e do proprietário da empresa responsável pelo
editorial, evitando que nossa cidade mergulhe na violência contra os gays e se
torne uma rinha de gangues homofóbicas cuja isca sacrificada seja esta maioria
ainda identificada como minoria.
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- Lamentável a
situação, tão quanto é assustador, saber que esta empresa dispõe de rádio,
revista e TV para propagar a sua ira contra os gays, ou até mesmo ridicularizar
os políticos que lutam a nosso favor a fim de nos dar por direito o que podemos
ter e ser. Ser humano digno e honrado sem medo de ser feliz na cidade do
Salvador.
- Enviar
sua opinião sobre a matéria.
- Danilo
- Newark, NJ, USA
- Homofobia pode acontecer em ssa, em sp ou em qualquer lugar. O que vai depender
dessa situacao se repetir ou nao, e uma bela representacao no ministerio publico
contra esse individuo, que comunmente difama os gays e lesbicas em seu programa
diario em sua radio... Exigimos respeito
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- Eddie
Sanvatt - Salvador BA
- Pela direção e edição,(donos)... Não pode esperar muita coisa, qual também já
teve ate poderes politicos... hj sabe que jamais voltará a cena politica baiana.
Sem grilo, gente inteligente não ler esta "merda" mesmo!!!
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- Edilásio
Lima - Salvador BA
- Esta
tarde, exatamente no dia em que
vi a publicação desta matéria no
Farofa Digital estava ouvindo o
programa da simpática e SIMPATIZANTE
Rita Batista quando ela questionou
sobre um e-mail que chegou para
ela perguntando o que ela achava
disso, se referindo a uma foto que
foi enviada em anexo mostrando dois
caras se beijando. A rita categoricamente
respondeu que achva normal e anormal
é quem não acha e que ainda existia
gente perdendo tempo pra fazer estes
tipos de perguntas maliciosas. O
Programa era na rádio Metrópole.
Coincidentemente ao ler esta matéria,
fico estarrecido com a situação
em que Salvador se encontra em relação
è defesa de nós gays, pq a partir
de matérias como a apresentada na
revista Metrópole é que começamos
a ter consciência que é preciso
ter cuidado nesta cidade que se
orgulha tanto da diversidade.
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- Vitor
Souto - São Paulo - SP
- Logo
na Bahia onde é tão lindo ver a
diversidade espalhada em todos os
cantos. Vergonhoso!
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- Carolina
Vargas - Salvador BA
- Você
não teve sorte Davi e pelo jeito
lê pouccas edições desta revista.
- Confesso
que já fui leitora e depois fiquei
enojada da tamanha falta de respeito
não só com as diferenças mais com
artistas e politicos que eles adoram
esculhambar.
- Salvador
precisa de regras par esta imprensa
absurda se não vai virar um sarapatel
de corujas sem tamanho.
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- Carlos
Vigas - Salvador BA
- E
não tenho o GGB para recorrer, cadê
o GGB?
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- Oliver
Jack - Salvador BA
- Mas Davi, não podia ser diferente em se tratando dessa revista. Conteúdo chulo
vindo de gente que pensa e joga sujo. Eu transformaria essa matéria sua numa
representação oficial contra essa porcaria de revista!! Conte com minha
assinatura...
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- Indignado
- Salvador BA
- Estou
com vergonha de morar nesta terra
e medo de continuar por aqui. Uma
cidade onde a imprensa apresenta
qualquer tipo de preconceito e fica
por isso mesmo. Cadê os governantes?
Cadê o prefeito?
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- Jânio
Mauricio Souza - Salvador BA
- Tive
acesso à revista e tive esta mesma
impressão Davi, me senti derrotado
e a pior coisa existente ensta cidade.
- Será
mesmo preciso apresentar uma pauta
com uma idéia bacana e com um conteúdo
que choca simplesmente para ser
lida?
- Veremos
a consequência mais pra frente,
estou contigo.
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