Blog do Davi

Memória
 
Salvador - 14.07.2008
 
No Brasil tudo se esquece. Diz um ditado. Porém, é difícil lembrar de todos os acontecimentos a que temos acesso através das mídias digitais. Principalmente hoje em dia.
 
Todo adulto lembra de um grande festival e com ele começamos a ter acesso ao profundo e essencial ouvido musical. O grande Caetano já falava que o Brasil tem um ouvido musical que não é normal! Hoje em dia poucos jovens buscam saber sobre a memória músico-cultural brasileira.
 
Em algumas citações famosas de grandes personalidades além da frase de Caetano Veloso na música Love, Love, Love no seu disco Muito de 1978, na década de 80 a Dama do cinema brasileiro aparecia numa propaganda do Ministério da Cultura num programa de incentivo do Museu histórico Nacional. A propaganda promovia o estimulo de interesse dos Brasileiros em visita-lo.
 
A propaganda, extremamente simples, mas embutindo em si todos os atributos necessários para causar os efeitos desejados, tocou na ferida da sociedade com uma frase que, para quem não tem memória curta, se lembra muito bem: “Visite o museu porque um país sem memória é um país sem passado”.
 
Hoje com a tecnologia do Youtube, temos acesso a um grande acervo de documentos que nos remete à aceitação de que o brasileiro preserva a memória do nosso país, mas os jovens de hoje - idealizados pela filosofia de que "Quem vive de passado é museu", banaliza sua própria inteligência e interage com a ignorância a todo momento.
 
Poucos são aqueles que buscam no Youtube informações sobre os Festivais de Música Popular que aconteceram nos anos 60 e 70, por exemplo. Poucos sabem que aconteceu um Festival de MPB em 1985 e que naquela época ainda se vivia a rebeldia, sobretudo de forma poética e política.
 
Nasci em 1974, quando muitos festivais já haviam acontecido, mas devido a grande adoração por Caetano Veloso, procurei me aprofundar na história de meu ídolo e consegui absorver tudo sobre grandes festivais daquela época. Eu sempre vivi um impulso cultural - sempre promovido diariamente no meu ambiente familiar, pois todos os meus irmãos se favoreceram da excelência musical do Brasil, com suas exigências musicais que nos levaram a escolher como ídolos, artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Djavan e grandes mestres do cancioneiro popular, como Shangai, Elomar e Geraldo Azevedo. Estes últimos endeusados pelo meu irmão mais novo e que, através dele, valorizei essa coisa de regionalidade; não me deixando banalizar pelos novos movimentos que hoje defendo, tais como a música eletrônica e seus princípios.
 
Música sempre foi o alicerce para entender a nossa cultura e a nossa gente, mesmo os poucos privilegiados em educação podem buscar através da música uma estrutura básica para entender seu presente e compreender seu passado.
 
Os dois, tanto o presente como o passado, andam de mãos dadas. Mas ainda assim é difícil prevalecer essa união, porque hoje em dia, com a introdução da contracultura que promove o axé, o funk e os desvalores que conhecemos como pagode e do pouco investimento em educação no Brasil, há quem diga que descer na “boquinha da garrafa” e arrochar um passo com duplo sentido é lindo e maravilhoso.
 
Os percalços em que ainda teremos de passar para se criar uma consciência de preservação no Brasil, creio que serão muitos. Essa falta de lembranças, ou melhor, falta de passado, são características bastante comuns encontradas em quase todos os brasileiros.
 
Parece que nada que pertence ao passado da nação importa. Ou pior, não importa nem as coisas boas nem as ruins. Simplesmente passou. Já não existe mais.
 
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