O BBB não fere o intelecto de ninguém
 

 @Por Davi Santos

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25.01.2010
 

Na segunda semana do Big Brother Brasil 10, não consegui segurar a vontade e acabei assinando o Pay Per View. Quero acompanhar mais a fundo esta articulada fórmula que a Rede Globo encontrou para misturar um pouco do real retrato do Brasil.

Talvez o mais interessante de todas as suas edições, o BBB10, não se resguarda de censuras que sempre foram mantidas pela Globo quando se tratava de homossexualismo. Em muitos momentos a sua programação vetou beijos gays em novelas, matou casais lésbicas por causa de uma suposta comissão de dona de casas que não aprovava as personagens de Cristiane Torloni e Silvia Pfeiffer, preferiu fazer um teatrinho de faz-de-conta na Mulheres Apaixonadas para apresentar um selinho “sem graça” e “sem sal” das atrizes Aline Morais e Paula Picarelli no final da novela, e teve uma aceitação branda dos casais Sandrinho e Jeferson vividos pelos atores André Gonçalves e Lui Mendes.

Em muitas e muitas décadas, vimos a imagem do gay brasileiro estereotipada em personagens exageradamente afetados, utilizando um verdadeiro dicionário de bichice em sua comunicação diária, transformando, mais uma vez, nós, homossexuais, em palhaços e bichos de circo – ou melhor, bichas, literalmente.

Mas parece que esta perseguição camuflada de “aceitação” foi vencida pelo cansaço, e nós conseguimos finalmente redesenhar a cara da maior emissora de TV do país e quarta mais importante do mundo, a partir de Jean Willys, o participante culto e gay do BBB 7. Naquele momento, a sociedade brasileira pôde observar que a capacidade intelectual, o respeito e a educação de um cidadão de orientação sexual diferente dos outros participantes poderiam ser maior que os padrões fascistas que esta mesma sociedade impõe. Caem,aos poucos, preconceitos, como idéias de que todo gay só tem putaria na mente.

Precisava de upgrade, precisava de humanismo, precisava de verdade e o Boninho se superou, a Globo, ufa, venceu esta barreira e consegue editar perfeitamente as cenas de aparição dos incríveis Dicesar e Serginho. E a comunidade lésbica não poderia estar tão bem representada, a Angélica, feminina, linda e inteligente, completa o time de coloridos, mais que necessários nesta edição.

Os hetéros da casa também dão um show de simpatia, aceitação e respeito às orientações sexuais. Eles não se limitam às brincadeiras. Abraçam, curtem o momento e adoram estar no meio dos gays. Em uma das conversas desta quarta-feira 20, na piscina, o Participante Uillian afirmou que a galera da casa não tem pra que ter preconceitos e que são todos legais. Elieser completa “É tudo verdade, não é nada falso” e Sérgio confirma “Nós sentimos que vocês são verdadeiros”.

“Enquanto alguns relutam contra o programa, achando que por ser um reality show fere o seu intelecto, eu adooooro ver a turma hétero assimilar os termos “UÓ”, “ADOLO” – com a língua presa da Dimmy Kieer -, e outras palavrinhas mágicas e purpurinadas que fazem deste BBB o mais divertido, bacana e inteligente de todas as edições.

Vou me deliciar com este Big Brother sem ter de esperar por cenas do próximo capítulo, porque a casa não pára, e no pay per view é 24hs.


Mensagem dos Internautas
Marlon - Rio de Janeiro - RJ
É isso ai, sem sombra de dúvidas...
Você tem razão, os mais tirados a intelectos dizem que não gostam do BBB e que isso e aquilo, no entanto banalizam outros meios de comunicação assistindo porcarias enlatadas e que eles acham que favorece o crescimento intelectual deles. Eu adoro o Big Brother e esse então está ótimo.
Caio Dantas - Mogi das Cruzes - SP
Sensato
Pela primeira vez leio algo bem sensato e verdadeiro. Tem tanta gente que adora tirar onda dizendo que não assiste para que a tal sociedade que eles fazem parte não as critiquem mas não desprega o olho do programa, você foi bem feliz com este texto. Bial precisa saber rsrs.
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