Cada vez
mais o "macho latino" é deixado de lado, dando lugar ao homem menos
preconceituoso e menos arredio em relação à vaidade. Assim como as mulheres,
eles aceitam cada vez menos que as "marcas do tempo" são sinais de maturidade, e
saem em busca da juventude física e mental. Numa verdadeira corrida contra o
tempo, se rendem às cirurgias plásticas e estéticas.
No trabalho
Uma das
principais causas de os homens estarem se preocupando mais com o visual está
relacionada ao sucesso profissional. Num mercado de trabalho cada vez mais
competitivo, a boa aparência é fator imprescindível, o que motiva a vaidade
masculina.
Os homens de
40 a 60 anos são os que mais relacionam a vaidade masculina ao sucesso
profissional. Isso porque, por exigência do trabalho, os executivos precisam ter
uma aparência jovem e bem cuidada. Além disso, alguns profissionais acreditam
que ao vender a sua imagem estão também vendendo a imagem da empresa.
Uma pesquisa
realizada recentemente pela americana Marian Salzman confirma que os homens que
mantêm maiores cuidados com a aparência se destacam profissionalmente. A
pesquisadora acredita que num futuro próximo mais homens assumirão a postura de
que se cuidar é saudável, atrai as mulheres e ajuda muito no sucesso
profissional.
A boa
aparência se traduz em autoconfiança, o que traz melhor produtividade. “Os
cuidados que se tem consigo mesmo tendem a fazer com que as pessoas tenham uma
imagem positiva de você”, acredita o analista financeiro Nauê Tamashiro, 24
anos.
Novo segmento
Os números
comprovam essa tendência. O público masculino já representa 30% dos clientes nas
clínicas de estética. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene
Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), um em cada cinqüenta brasileiros usa
algum tipo de produto para retardar o envelhecimento. Há cinco anos, a proporção
era de um para quinhentos. Os dados ainda mostram mais: o Brasil ocupa a sexta
posição na comercialização de cosméticos masculinos.
Mas
não só as clínicas de estética ganharam o novo público. Shoppings – onde os
homens já respondem por 40% do faturamento no departamento de vestuário –,
salões de beleza e academias fazem parte dos estabelecimentos freqüentados por
eles. Para Nauê Tamashiro, o mercado está mais preocupado com o público
masculino. “Esse segmento só tende a crescer, à medida que a sociedade se livra
de conceitos conservadores”, opina.
Só que, ao
contrário das mulheres, eles querem espaço e atendimento personalizado. A médica
Maria Cristina Belotti, uma das especialistas da Corpori Estética Médica
confirma essa exigência: “Eles querem um espaço exclusivo, a fim de circularem
mais à vontade”, conta. Tudo isso porque os homens são mais práticos e
impacientes que as mulheres.
Segundo a
médica, os tratamentos que eles mais procuram estão relacionados à acne, limpeza
de pele, gordura no abdome e calvície. Já as intervenções cirúrgicas masculinas
são, geralmente, as de pequeno porte, para fazer mudanças discretas, com um
aspecto bem natural.
Metrossexuais
Esses novos
homens que passam horas em frente ao espelho e horas comprando roupas e
cosméticos são conhecidos como metrossexuais. O termo – criado pelo jornalista
americano Mark Simpson para definir um consumidor específico – vem do inglês e
une as palavras metrópole e heterossexual.
Em sua
maioria, os metrossexuais têm entre 25 e 45 anos e alto poder aquisitivo.
Urbanos, se concentram em cidades com mais de 250 mil habitantes, porque é
nesses grandes centros onde existe um processo maior de mudança cultural,
enquanto nas cidades pequenas prevalecem os conceitos tradicionais.
Essa porção
masculina é capaz de gastar boa parte do salário em roupas de grifes, relógios,
sapatos, cremes e cuidados com os cabelos e atiça vários setores do mercado: de
cosméticos a veículos, de imóveis a refeições. A maioria, 60%, é solteira.
- O
metrossexual Júnior garante que o sucesso entre as mulheres é absoluto. “Nenhuma
mulher gosta de homens das cavernas”, comenta. Sorte delas, que estarão mais
rodeadas de charme a cada dia!