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O número de vítimas da Aids continua crescendo em todo mundo, apesar do
avanço da medicina, das pesquisas e dos investimentos públicos de alguns países,
entre eles há de se reconhecer o Brasil, exemplo mundial de política de
distribuição de medicamentos e de prevenção.
Em 2005, mais de 5 milhões de pessoas foram contaminadas e 3,5 milhões
de pessoas morreram em conseqüência da doença. Como a epidemia mundial está
controlada na maioria dos paises ricos, os recursos estão sendo reduzidos no
combate a doença.
De acordo com a Organização das Nações Unidas- ONU, apenas 6 bilhões de
dólares são destinados ao combate da epidemia em todo o mundo. Segundo recentes
estudos da ONU, seriam necessários aproximadamente US$-14 bilhões por ano.
Parece muito dinheiro não é mesmo? Mas se levarmos em consideração que o país
mais rico do planeta, os Estados Unidos, gastava essa mesma quantia em apenas um
mês para manter sua tropa no Iraque, numa guerra que parecia não ter fim, não é
tanto dinheiro assim!
Somente neste exemplo, pode-se tirar a conclusão que a decisão é política:
numa das guerras, a do Iraque, morreram dezenas de pessoas por ano, contra milhões
da guerra do HIV contra a humanidade, a diferença é que enquanto morrem 100
americanos por ano, morrem 2 milhões de africanos no mesmo período.
A experiência brasileira no combate à epidemia é constantemente elogiada pela
ONU e modelo para vários outros países em desenvolvimento. A oferta de
tratamento, medicamentos e assistência emocional aos pacientes da rede pública
(leia-se SUS), aumentaram a sobrevida e a qualidade de vida dos brasileiros.
Em 1995, a sobrevida era de apenas um ano e meio. No ano seguinte quando foi
implantada a política de tratamento gratuito aos portadores passou para cerca de
cinco anos. Hoje em dia deve estar bem maior, mas não tenho números recentes.
- Na realidade nós só ficamos realmente sensibilizados e preocupados com o
problema quando ele está ao nosso lado, como é meu caso...
-
- História
real
- ...Tenho convivido com uma
pessoa próxima que contraiu a doença e enfrenta o drama da discriminação, do
preconceito e da falta de amor das pessoas da própria família.
Nunca imaginei, apesar das informações, das campanhas de saúde e dos
depoimentos de pessoas conhecidas, que o sofrimento fosse tão arrasador para o
portador do HIV. Como contar ao cônjuge ou namorado (a)? Como contar aos pais,
irmãos ou filhos? Como reagir diante da notícia que você nunca mais se livrará
da doença? Como se preparar para viver sabendo que morrer é a única certeza mais
eminente?
Apesar de todo sofrimento, da dor, da discriminação e da angústia de quem tem
a doença, posso afirmar com segurança que o sistema de saúde pública é eficiente
em Cuiabá.
Todos os exames, consultas, internações e medicamento são oferecidos
gratuitamente aos portadores do HIV. Existe ainda a oferta de atendimento
psicológico não só para a pessoa contaminada, mais para toda a família.
Além disso, grupos anônimos de profissionais da saúde, religiosos e pessoas
solidárias, fazem um trabalho de ajuda e recuperação emocional, desde o momento
em que são informados que são portadores do HIV, mesmo que não tenham
desenvolvido a doença.
É uma guerra silenciosa, diferente de outras guerras como a do EUA contra o
terrorismo ou a nossa guerra diária contra a violência. É uma guerra que destrói
o ser humano em sua essência; destrói sua alma, sua esperança, por meio do
preconceito e da discriminação.
João Carlos Caldeira Empresário, jornalista, pós graduado em
administração de turismo, hotelaria e lazer. E-mail : joaocmc@terra.com.br |