07.Junho.2005- Encontro discute programa Nacional de DST/AIDS
@Da redação
 
Encontro discute programa nacional de DST/Aids
Com mais de 360 mil casos notificados de Aids, 158 mil pessoas em tratamento e outras 600 mil infectadas com o vírus HIV, o Brasil, através do Ministério da Saúde, planeja ampliar as ações de prevenção e tratamento da doença no ano que vem. Um exemplo disso é o orçamento estimado para compra de medicamentos do coquetel anti-Aids em 2006, que supera a marca de R$1 bilhão. Este ano, o orçamento ficou em R$550 milhões, valor bastante aquém daquele considerado ideal - R$950 milhões. A ampliação das ações de prevenção leva em conta também a inclusão de um número maior de municípios considerados prioritários no Programa Anti-Aids, sobretudo na Bahia, onde existem 6.987 casos notificados de Aids entre 1984 e 2004.
Os dados foram divulgados, na manhã de ontem, pelo diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, que veio a Salvador para participar do I Encontro de Vigilância e Proteção à Saúde, com o tema DST/Aids: cenários, desafios e perspectivas. O evento foi realizado no auditório da Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e contou com a participação de autoridades, como o secretário estadual da Saúde, José Antônio Rodrigues Alves, e de representantes do Fórum Baiano de ONGs Aids e da Rede Nacional de Soropositivos/Núcleo Bahia. De quebra, houve ainda a encenação do espetáculo teatral Mulheres, abordando a temática da Aids, e um talk show em seguida
O diretor Pedro Chequer informou que, hoje, o Brasil gasta anualmente quase 70% do total do orçamento de R$550 milhões na importação de quatro dos 16 remédios que compõem o coquetel anti-Aids. Para ele, a melhor opção seria o pedido de licença compulsória aos laboratórios estrangeiros para que o próprio país pudesse produzir esses remédios a preços mais baixos. Falta, porém, uma decisão final, que espera o andamento das discussões acerca da quebra da patente dos medicamentos. "Em debates que já vínhamos tendo desde o ano passado, chegamos à conclusão de que teríamos condições de produzir aqui parte dos remédios do coquetel. Com o estímulo à produção científica, poderíamos até mesmo chegar à produção de 12 das 16 drogas".
Prioridade - Igualmente fundamental, para o diretor Pedro Chequer, é que estados e municípios também aloquem recursos próprios nas ações de combate à Aids, "algo que a Bahia vem fazendo. Ao contrário de outros estados, a Bahia executou quase que 100% dos recursos federais nessas metas, priorizando a luta contra a doença. O estado também se destaca pela intensa parceria com as organizações não-governamentais e entidades ligadas à causa". Ele acrescentou que os casos de Aids vêm se estabilizando, principalmente, na região sudeste do país. A transmissão sexual, em particular a heterossexual, ainda é a principal forma de contágio da doença, sendo que a população feminina e negra tem sido um dos maiores alvos da infecção.
 
Interiorização
Enquanto uma vacina contra a Aids continua sendo uma realidade distante (não há previsão para ela, nem a médio nem a curto prazo, segundo Pedro Chequer), os casos da doença têm caído entre usuários de drogas injetáveis e crescido nas populações de cidades pequenas, do interior do país, principalmente naquelas com menos de 200 mil habitantes. Já as mulheres, além de serem vítimas do diagnóstico tardio, vêm se igualando aos parceiros do sexo masculino no número de casos de Aids. Hoje, são dois homens com o vírus HIV para cada mulher infectada. No princípio da década de 80, quando a epidemia teve início no país, essa relação era de 34 homens infectados para cada mulher na mesma situação. Na Bahia, em 2004, foram 126 mulheres e 142 homens com Aids. Como prevenção, o uso do preservativo continua sendo a melhor arma.

Fonte:Correio da Bahia

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