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 Especialistas propõem um pacto nacional contra a Aids para atingir a 6ª meta do milênio
 
A rede de Laboratórios Acadêmicos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio divulgou nesta quinta-feira, 31, a pedido do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), dados sobre o desenvolvimento social do Brasil. Entre as oito metas estipuladas pela ONU, a sexta é o combate do HIV/AIDS, que segundo análise feita pela Universidade Federal do Pará, apresenta características de feminização. De acordo com a avaliação nacional, a epidemia cresce nove vezes mais entre elas do que entre homens.
 
O motivo para esta vulnerabilidade feminina é a pequena proporção de mulheres que se vale do preservativo em suas atividades sexuais, fato ainda mais grave no interior do país, o que tem contribuído bastante para a proliferação da doença nestas áreas. Para a fundadora do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP) Daria Dal Zuffo, a vulnerabilidade das mulheres diante do HIV está associada à fragilidade dos mecanismos para sua proteção. “A maioria delas acredita muito na fidelidade e aceita transar sem camisinha”, comenta. Segundo a ativista, há uma maior dificuldade em trabalhar prevenção entre o sexo feminino, pois muitas delas ainda carregam o estigma de inferioridade e submissão aos homens, o que dificulta a exigência do preservativo. “Nós do MNCP buscamos o fortalecimento da auto-estima, com o objetivo de destacar o poder da mulher”, explica.
 
Os resultados do Brasil perante as metas do milênio foram apresentados nesta quinta-feira, 31, na Universidade Federal de Brasília (UnB). Retrocesso do combate à Aids no Brasil Nos 22 anos de história da epidemia de Aids no Brasil, várias ações foram criadas para impedir a proliferação do vírus HIV. Entre elas, destaca-se a distribuição integral e gratuita dos medicamentos anti-retrovirais, motivo para o reconhecimento mundial do Programa Nacional de DST/AIDS. Entretanto, nos últimos meses algumas falhas vieram à tona e o programa respeitado internacionalmente passou a sofrer alguns retrocessos. Os motivos maiores foram o desabastecimento de alguns remédios que compõem o coquetel em várias regiões do país e a escassez de preservativos.
 
O sanitarista e diretor da instituição Pathfinder do Brasil (ONG que atua no combate da doença na Bahia), Carlos Augusto Laudári, trabalhou na África por 17 anos como membro das Nações Unidas. Ele que conheceu realidades completamente diferentes acredita que o Brasil precisa expandir as ações que envolvem a doença. “As metas só serão atingidas quando o número de grupos envolvidos na causa for maior”, comenta.
 
Para ele, é necessário incluir os projetos de prevenção em outras organizações, que não necessariamente tenham envolvimento direto com a causa da Aids. “Grupos de pescadores, mulheres, religiosos, adolescentes etc”, cita. “Não podemos nos limitar às ONG/AIDS. Esta doença atinge a todos”, explica. Já o secretário executivo do Fórum de ONG/AIDS do Rio de Janeiro, Roberto Pereira, defende um pacto nacional contra a doença. “Chegamos ao patamar considerado modelo devido ao financiamento repassado pelo Banco Mundial e agora que isso está acabando observamos vários problemas.” Pereira cita brigas políticas entre Estados e municípios e a descentralização da assistência como outros fatores que atrapalham a manutenção da qualidade no atendimento prestado aos soropositivos. “Queremos as ações realmente incorporadas ao SUS (Sistema Único de Saúde)”, finaliza.
 
Fonte: Agência de Notícias da Aids
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