100% Cidadão::::
09.02.2005- Parceiros globais da vacina contra o HIV fortalecem colaboração para acelerar pesquisas
 
Pesquisadores de vários países do mundo que trabalham na tentativa de encontrar uma vacina contra o vírus HIV estão juntando forças para acelerar as buscas para um resultado realmente eficaz e seguro, levando em conta a participação dos países mais atingidos pela epidemia. Cerca de 50 especialistas de países em desenvolvimento e desenvolvidos apresentaram e discutiram suas pesquisas para a vacina anti-HIV, na primeira reunião dos Parceiros Globais Promotores de Pesquisa e Desenvolvimento da Vacina contra o HIV. O encontro, o primeiro do grupo, foi promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids (Unaids), na primeira semana de fevereiro, em Montreux, Suíça. Entre os participantes da reunião estavam representantes de governos, universidades, indústria farmacêutica, de empresas de capital misto (público e privado) e de organizações não governamentais de vários países.

“Com tantos testes clínicos de vacinas experimentando novos produtos e novos testes planejados por uma vasta gama de pesquisadores, é o momento de intensificar a colaboração global. As lições aprendidas devem beneficiar todos que estão trabalhando neste campo desafiador, mas que está avançando”, afirmou Marie-Paule Kieny, diretora da Iniciativa da Pesquisa em Vacinas, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os mais recentes progressos na pesquisa incluem a conclusão de vários testes clínicos em fase I e II, de várias candidatas a vacina. A publicação, em janeiro, do Plano Estratégico do Empreendimento Científico Global para a Vacina contra o HIV/AIDS, também estabeleceu uma série de importantes conquistas a serem atingidas pelos pesquisadores.

Mas os desafios continuam. Entre eles está a necessidade de aumentar a capacidade de fazer testes clínicos em todo o mundo, e conduzir testes em locais diversos, levando em conta as diferentes linhagens de vírus que prevalecem nas populações e o uso adequado de locais de testes para outras pesquisas de prevenção do HIV. Os desafios também incluem a relação entre os testes para a vacina e o maior acesso ao tratamento anti-retroviral, e a necessidade de garantir que as candidatas à vacina que demonstrem ser mais apropriadas sejam testadas nos locais mais adequados, independentemente de quem tenha desenvolvido o produto ou trabalhado para construir o local como um centro de pesquisas. “Serão precisos intensa colaboração e coordenação internacional para vencer esses desafios”, afirmou o Dr. Saladin Osmanov, Coordenador em exercício da Iniciativa para a Vacina contra o HIV, promovida pela OMS em parceria com o Unaids.

Vinte e cinco milhões de pessoas vivem com HIV na África Subsahariana. A cifra representa 65% de todas as infecções no mundo. Os países em desenvolvimento devem se envolver tanto quanto os desenvolvidos na busca pela vacina. Por isso, agora está sendo planejado um número maior de testes nos países africanos, mas nem sempre foi este o caso. Embora o primeiro teste clínico da vacina anti-HIV tenha acontecido em 1987 e já tenham sido feitos mais de 70 testes na fase I, apenas quatro testes nas fases I e II haviam sido conduzidos no continente africano até 2003.

"A África precisa participar do desenvolvimento da vacina," declarou o ex-primeiro-ministro de Moçambique Pascoal Mocumbi, que hoje é o Alto Representante da Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para os Testes Clínicos. Ele acrescentou que a maioria dos países africanos se concentra no controle da doença e poucos reservam orçamento para a pesquisa e desenvolvimento da vacina contra o HIV em seus programas nacionais de Aids. É importante conduzir testes clínicos da vacina nos países em desenvolvimento porque a variação genética do HIV pode requerer testes de candidatas a vacina em várias regiões do mundo, onde há o predomínio de linhagens diferentes do vírus. Também pode ser necessário avaliar como as diferentes infecções evoluem, os fatores que contribuem para a transmissão do HIV, tais como outras infecções transmitidas por via sexual, e como a herança genética influencia a proteção induzida pela vacina. Finalmente, a licença de uma vacina eficaz pelos órgãos competentes pode demandar que sejam antes conduzidos testes nos países com cenários epidemiológicos semelhantes.

Estabelecido no ano 2000, com o apoio da OMS e do Unaids, o Programa Africano de Vacina contra a Aids (PAVA) é uma rede de especialistas que interagem com parceiros em todo o mundo e trabalham juntos para promover e facilitar as pesquisas na África. O objetivo do Programa é conseguir não apenas o desenvolvimento de vacinas adequadas para a África, mas também acessíveis, dentro do prazo o mais breve possível. O PAVA está elaborando um documento que servirá de apoio para os países africanos desenvolverem seus planos nacionais de vacina. Entre os tópicos discutidos pelos presentes na reunião na Suíça estava a participação – crucial - de mulheres e crianças nos testes; ética; o acesso e o uso de uma eventual futura vacina; as políticas de fomento científico para mais pesquisas; recursos e educação, e a ampliação da participação do setor privado no desenvolvimento da vacina contra o HIV. A reunião deve acontecer regularmente, de forma a permitir que os que trabalham neste campo no mundo possam compartilhar suas experiências e idéias, e planejar maneiras de enfrentar os desafios juntos.

Fonte: Medical News Today - Grã-Bretanha

Envie esta página para alguém